Os organismos de meninas de 13 a 18 anos aceitaram as vaginas criadas em laboratório (Wake Forest Institute for Regenerative Medicne)
Victor Caputo
Publicado em 11 de abril de 2014 às 12h17.
São Paulo – Cientistas anunciaram esta semana que pacientes que receberam vaginas criadas em laboratório entre 2005 e 2008 se adaptaram bem. Ao todo, foram quatro meninas de idade entre 13 e 18 anos.
As pacientes sofriam da Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser. A síndrome faz com que bebês do sexo feminino nasçam com a parte interna do órgão reprodutor não completamente formada. Algumas pacientes chegam a nascer sem a porção interna da vagina e sem o útero.
A parte externa dos genitais e o hímen, no entanto não apresentam nenhuma anormalidade. A síndrome atinge cerca de 1 a cada 5.000 meninas.
Os órgãos desenvolvidos em laboratório usaram combinação de células extraídas das vaginas das próprias meninas. Depois de implantados, testes mostraram que os tecidos criados em laboratório haviam sido completamente aceitos pelos corpos das garotas e era impossível que fossem distinguidos do resto.
Um dos médicos envolvidos nos transplantes, Anthony Atala, urologista da Universidade Wake Forest, falou ao site The Verge sobre o assunto. “Depois de um acompanhamento de oito anos vemos que os órgãos são funcionais”, disse Atala.
Ser funcional implica as mulheres sentirem desejo sexual, não sentirem dor durante o sexo e alcançarem orgasmos. A operação, no entanto, não permitirá que elas tenham filhos.
Uma das pacientes, que não teve seu nome revelado, afirmou que espera que outras mulheres com a mesma síndrome ouçam sobre o transplante. “A vida não termina quando você descobre que tem uma doença porque existe tratamento e é possível levar uma vida normal”, afirmou.