Ciência

Substância da maconha pode ajudar no tratamento do Alzheimer

Um novo estudo sugere que o THC impede que os neurônios morram e, consequentemente, protege partes do cérebro relacionadas à memória

Maconha: um componente da planta pode ser usado no tratamento do Mal de Alzheimer (Getty Images/Justin Sullivan)

Maconha: um componente da planta pode ser usado no tratamento do Mal de Alzheimer (Getty Images/Justin Sullivan)

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Da Redação

Publicado em 1 de julho de 2016 às 12h42.

São Paulo – A ciência pode ter encontrado mais uma maneira de utilizar a maconha para o bem. Um estudo publicado na renomada revista Nature revelou que um dos componentes presentes na erva pode fazer parte de um tratamento promissor contra o Mal de Alzheimer.

O elemento é o tetraidrocanabinol (mais conhecido como THC), principal substância psicoativa da cannabis, também presente naturalmente no organismo com o nome de endocanabinoide.

Nesse estudo, ele foi testado para a remoção de placas de proteína beta-amiloide acumuladas no cérebro. Essa proteína é associada à morte de neurônios e, consequentemente, à degeneração de regiões cerebrais ligadas à memória, como o hipocampo. Esse processo tem como causa doenças ligadas à demência, como o Alzheimer.

No entanto, os cientistas ainda não haviam descoberto como essas placas matam os neurônios. É aí que o estudo entra. Ao adicionar THC em neurônios degenerados pelas placas, os pesquisadores notaram que, além de causar uma quebra na construção das proteínas, o componente também reduziu a inflamação das células.

“A inflamação no cérebro é um componente central no dano associado ao Mal de Alzheimer, mas sempre se assumiu que essa resposta vinha de células do tipo imunes no cérebro e não dos neurônios”, conta Antonio Currais, coautor do estudo, em um comunicado.

De acordo com Currais, a pesquisa torna evidente que os canabinóides têm potencial de reduzir a inflamação e proteger as células de morrerem. O exercício físico está envolvido com os desenvolvimentos do THC natural e, segundo a ciência, a atividade pode retardar a progressão do Alzheimer.

Muitos testes ainda precisam ser feitos antes que uma conexão entre o THC e o beta-amiloide seja comprovada. No entanto, os resultados preliminares ajudam os cientistas a entenderem como utilizar os canabinóides como uma nova arma contra doenças relacionadas à demência.

Recentemente, uma pesquisa feita pela consultoria Hello Research com 1,2 mil pessoas revelou que 60% dos brasileiros aprovam o uso medicinal e científico do THC.

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