Tecnologia

Sentiu a internet mais rápida no Rock in Rio? Isso tem nome: 5G Advanced

A TIM usou o festival como laboratório para a tecnologia que promete ser a ponte entre o 5G atual e o 6G — mas que só deve chegar ao resto do país depois de 2029

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 10h11.

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Enquanto mais de 130 mil pessoas por dia lotam a Cidade do Rock, no Rock in Rio Brasil 2026, entre os dias 4 e 13 de setembro, uma tecnologia ainda pouco conhecida do público está sendo testada em escala real: o 5G Advanced, também chamado de 5,5G ou 5G-A. A TIM, patrocinadora do festival pela terceira edição consecutiva, instalou mais de 120 antenas inteligentes em 40 pontos do evento e usa o público recorde como laboratório para a nova geração de rede, a expectativa é que o 5G responda por mais de 60% do tráfego móvel da operadora durante os sete dias de festival, ante 40% na edição de 2024.

A Vivo também já havia saído na frente antes do festival, ativando comercialmente a tecnologia em pontos da região central de Brasília e na loja Mega Store do Barra Shopping, no Rio, com a Huawei como fornecedora de equipamentos — tornando-se a primeira operadora do país a rodar a rede fora de um ambiente de teste.

O que é o 5G Advanced, na prática

Se o 5G foi a quinta geração da rede móvel, o 5G Advanced é uma atualização de meio de caminho antes da próxima geração completa, o 6G. Tecnicamente, é a evolução prevista na Release 18 do 3GPP, o consórcio internacional que define os padrões de telecomunicação móvel no mundo todo — e funciona, em boa parte, como uma atualização de software sobre a infraestrutura de 5G puro (standalone) já instalada, sem exigir troca radical de antenas.

No Rock in Rio, a TIM está usando pela primeira vez no Brasil as antenas de nova geração High Capacity, capazes de entregar até 50% mais capacidade e ampliar em até 30% a cobertura em relação às soluções móveis convencionais. A operadora também aplica network slicing, a criação de uma "fatia" dedicada da rede 5G, para priorizar comunicações de rádio entre as equipes que operam o festival, garantindo que a coordenação de segurança não trave mesmo com 130 mil pessoas postando stories ao mesmo tempo.

Sistemas de inteligência artificial monitoram o comportamento da rede em tempo real e geram mapas de calor do público em parceria com o Centro de Operações Rio (COR-Rio). A expectativa é que o tráfego total de dados cresça 80% frente a 2024, ultrapassando 26 terabytes ao longo do festival — o que, segundo a companhia, faz deste o Rock in Rio mais movido a 5G da história do evento.

Fora do contexto de festival, os ganhos prometidos pela tecnologia incluem velocidades de pico bem maiores (a Vivo já registra picos de 2 Gbps em suas áreas ativadas), menor consumo de energia da rede e suporte mais robusto a aplicações que exigem baixíssima latência, como inteligência artificial em tempo real, automação industrial e experiências imersivas de realidade aumentada e virtual.

Por que a cobertura nacional ainda vai demorar

Aqui está o principal obstáculo: o 5G Advanced pressupõe uma base de 5G standalone (a versão "pura" da tecnologia, sem depender da estrutura do 4G) já implantada — e essa base, no Brasil, ainda está em construção. Segundo o cronograma da Anatel, a expansão do 5G segue metas graduais por porte de município:

  • Até julho de 2025: cidades com mais de 500 mil habitantes
  • Até julho de 2026: cidades com mais de 200 mil habitantes
  • Até julho de 2027: cidades com mais de 100 mil habitantes
  • Até dezembro de 2029: 100% dos municípios com mais de 30 mil habitantes

Ou seja, enquanto o país ainda está completando a cobertura básica de 5G puro nas cidades menores, o 5G Advanced permanece restrito a pontos de teste e vitrine — seja num festival de grande porte como o Rock in Rio, seja em lojas-conceito e áreas comerciais nobres, onde a operadora quer demonstrar a tecnologia antes de escalar para o resto da rede.

O que vem depois: 6G no radar para o fim da década

O 5G Advanced é tratado pelo setor como a ponte para o 6G, cujo edital de leilão de frequências no Brasil está previsto para outubro de 2026, segundo o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, com lançamento comercial das primeiras redes esperado para por volta de 2030. A agência já realiza testes-piloto de 6G no Distrito Federal, em parceria com a UnB e o Inatel, e abriu consulta pública em agosto sobre o uso da faixa de 6 GHz para a nova tecnologia.

Resumindo o calendário para o consumidor: quem passar pela Cidade do Rock nestes dias já está, sem saber, testando de perto uma tecnologia que só deve chegar ao restante do país aos poucos. A expansão de fato generalizada do 5G Advanced depende da conclusão da cobertura básica de 5G no interior, o que, pelo cronograma oficial, se estende até 2029, na mesma época em que o 6G deve dar seus primeiros passos comerciais.

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