Ciência

Ratos dão mais valor à amizade do que a comida, revela estudo

Teste feito em laboratório mostrou que os roedores fazem de tudo para resgatar um companheiro

Ratatouille (Divulgação / Disney)

Ratatouille (Divulgação / Disney)

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Da Redação

Publicado em 27 de maio de 2015 às 07h44.

Uma pesquisa divulgada esta semana na revista americana Animal Cognition indica que o comportamento altruísta pode ser um fator genético. Ratos examinados em laboratório demonstraram que preferem ajudar um companheiro com algum problema antes de buscar algo para comer.

Estudos anteriores já haviam investigado o interesse de ratos no bem estar uns dos outros. Em uma pesquisa publicada em 2011, por exemplo, a bióloga Peggy Mason, da Universidade de Chicago, colocou duas cobaias em uma caixa de vidro, sendo que uma foi presa em uma pequena jaula fechada por um trinco.

Com o tempo, os cientistas descobriram que o roedor do lado de fora insistia em mexer no trinco até descobrir uma maneira de resgatar seu companheiro preso. Céticos com o estudo suspeitaram que o comportamento do rato não tinha a ver com o altruísmo dos humanos – ele simplesmente queria manter-se próximo de outro membro de sua espécie, e não resgatá-lo de uma situação ruim.

O novo estudo, publicado esta semana pela Universidade Kwansei Gakuin, no Japão, confirma a hipótese de que os ratos sentem, sim, empatia uns pelos outros. O experimento consistiu em colocar dois roedores em um compartimento, divido por uma partição de vidro. De um lado, um dos ratos poderia circular à vontade. Do outro, seu companheiro tinha que nadar em uma pequena piscina, sendo que as cobaias detestam água.

Após alguns dias, os pesquisadores perceberam que os ratos "secos" também tentavam abrir a porta para que seus companheiros ensopados pudessem sair. O mesmo não acontecia quando a piscina estava seca. Isso, de acordo com os cientistas, comprova que o objetivo dos roedores era mesmo resgatar seu amigo de uma situação desconfortável.

O estudo então colocou os ratos para um último teste de comportamento. Uma cobaia teria que escolher entre abrir uma escotilha para comer chocolate ou empurrar uma porta para libertar seu colega de espécie. O resultado: em 50% a 80% dos casos, o roedor ia primeiro ao resgate do amigo, para só depois buscar comida.

Os cientistas concluem, portanto, que o interesse em ajudar um amigo é tão ou mais forte do que o instinto de sobrevivência individual dos ratos. Esse senso de coletividade presente em roedores indica que, ao contrário do que se pensava anteriormente, o altruísmo não é um conceito sustentado por convenções sociais humanas, mas sim um elemento-chave na evolução das espécies.

Fonte: Science

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