Ciência

Nobel de Medicina fez ciência avançar sem ferir consciências

O japonês Shinya Yamanaka trabalhou com células-tronco pluripotentes induzidas, esquivando-se da polêmica causada pelas células-tronco embrionárias


	O cientista japonês Shinya Yamanaka: "quero evitar a utilização de embriões humanos", declarou
 (Toshifumi Kitamura/AFP)

O cientista japonês Shinya Yamanaka: "quero evitar a utilização de embriões humanos", declarou (Toshifumi Kitamura/AFP)

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Da Redação

Publicado em 8 de outubro de 2012 às 12h24.

Tóquio - Graças a seu trabalho com células-tronco pluripotentes induzidas (IPS), o japonês Shinya Yamanaka, premiado como Nobel de Medicina 2012, conseguiu a façanha de fazer a ciência avançar, esquivando-se do obstáculo ético e religioso que apresentam as células-tronco embrionárias.

Nascido em 1962 e filho único de um fabricante de peças de reposição para máquinas de costura, Yamanaka deveria, como a induz a tradição japonesa, ter seguido os passos de seu pai. Mas, quando tinha 10 anos, seu pai disse que gostaria que ele fosse médico.

O jovem Shinya se converteu num brilhante cirurgião para, depois, orientar sua carreira para a pesquisa até obter o reconhecimento definitivo de seu trabalho com um Nobel.

"Suas descobertas revolucionaram nossa compreensão sobre a maneira com que as células e os organismos se desenvolvem", afirmou o Comitê Nobel sobre este cientista de 50 anos.

No mundo médico, era aceito que as células-tronco embrionárias eram essenciais para a pesquisa de tratamentos médicos, mas o custo, tanto religioso quanto político, era muito elevado, já que os círculos mais conservadores achavam que extrair células-tronco de embriões equivalia a sacrificar uma vida.

Por isso, a produção das primeiras células IPS na Universidade de Kyoto, conduzida pela equipe de Yamanaka, representou em 2006 um enorme passo à frente.

As células-tronco IPS são células adultas submetidas a uma espécie de técnica de rejuvenescimento, já que as células, uma vez adultas, têm uma função particular e não podem mudar. O coquetel de genes de Yamanaka permitiu levar estas células adultas ao estado de células-tronco embrionárias, que ainda não adquiriram sua função. Desta forma, não é necessário recorrer ao embrião para "colher" as valiosas células-tronco.

"Se a investigação com células-tronco embrionárias é a única maneira de ajudar os doentes, acho que temos que fazer isso. Mas, ao mesmo tempo, é um sentimento natural, quero evitar a utilização de embriões humanos", declarou certa vez o professor Yamanaka.

As células-tronco são muito promissoras no tratamento de doenças como o câncer ou a diabetes, e também importantes no tratamento de enfermidades neurológicas degenerativas, como o Mal de Parkinson ou o Alzheimer, e podem ser utilizadas para substituir células, tecidos ou órgãos danificados.

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