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New World é a nova investida da Amazon em games; e há bastante em jogo

A empresa já produz filmes, programas de TV, eletrônicos e outras tecnologias de sucesso, mas a tentativa de emplacar um bom jogo de videogames já custou caro até para os níveis Amazon
‘New World’ é exclusivo para PC e pode ser adquirido na Steam por 75 reais na versão comum, enquanto a edição Deluxe custa 93 reais (Reprodução/Amazon)
‘New World’ é exclusivo para PC e pode ser adquirido na Steam por 75 reais na versão comum, enquanto a edição Deluxe custa 93 reais (Reprodução/Amazon)
Por André LopesPublicado em 28/09/2021 15:26 | Última atualização em 29/09/2021 09:35Tempo de Leitura: 5 min de leitura

O jogo ‘New World‘, da Amazon Game Studios, foi lançado oficialmente nesta terça-feira, 28. O título desenvolvido para computadores figura como uma promessa da nova geração de games online e está disponível para o público brasileiro com tradução de legendas e dublagem, em português, por cerca de 75 reais.

Mas, para entender melhor o significado deste lançamento, primeiramente, considere o seguinte fator: ‘New World’ é do gênero RPG multijogador online, de interpretar um personagem junto de jogadores do mundo todo, um tipo de jogo visto pela indústria como um dos mais custosos, arriscados e megalomaníacos de serem desenvolvidos.

Quando dão errado, deixam um rombo nas contas das empresas e a fúria de milhares de jogadores. Por outro lado, quando dão certo, são a garantia de bons frutos em receita, se tornando, em muito dos casos, o principal produto das desenvolvedoras — destaca-se aqui World of Warcraft, da Blizzard; Perfect World, da Beijin; ou, ignorando só neste caso o que define os gêneros de RPG, a versão online de GTA V.

Logo, quando a Amazon optou este tipo de jogo, a aposta foi digna do tamanho dos projetos que a empresa investe, mas foi só mais umas das arriscadas escolhas desde que criou a divisão de games, há quase 10 anos.

Outro lance perigoso foi atribuir o comando da empreitada a Mike Frazzini, que antes cuidava do e-commerce de livros na varejista, e que pouco entendia de videogames.

Sob o comando de Frazzini, o estúdio aglomerou no seu guarda-chuva a aquisão de pequenas empresas como Double Helix Games. Além de se lançar na compra do site de streaming Twitch, que, em 2014, custou quase 1 bilhão de dólares para a companhia. Tudo com a intenção de construir uma forma de se catapultar ao topo do setor de videogames, muito antes até mesmo de criar um jogo.

Previsivelmente, os planos não correram bem. Com um orçamento próximo de 500 milhões de dólares por ano, a Amazon descobriu em duras penas que só o dinheiro não bastava, e que o processo criativo e colaborativo dos games não funciona aos moldes duros dos projetos tocados em grandes corporações tradicionais. Talvez seja um dos motivos pelo qual o estúdio de jogos da Amazon até então não tinha nenhum jogo de sucesso no mercado.

Aqui destaca-se o fato de que a Amazon tem uma cultura orientada por dados, e os funcionários, muitos deles emprestados para a baia de games, são acustumados com a burocracias e processos de avaliação sistemáticos. Por outro lado, no desenvolvimento de jogos há uma mescla de tecnologia com arte, junto da intenção de gerar divertimento aos consumidores.

Espera-se que um estúdio de jogos tenha uma linha de produção menos sisuda, mas, mesmo com a aquisição de talentos do setor como Kim Swift (desenvolvedora do jogo Portal, da Microsfot) e desenvolvedores que trabalharam anteriormente em Far Cry 2 e System Shock 2, a Amazon só aprendeu tal lição no final do desenvolvimento de New World.

Segundo relatado pela Bloomberg, que conversou com ex-funcionáros do Amazon Game Studios, um claro sinal disto foi a reunião na qual Frazzini, munido de uma revista especializada em jogos, exigiu que um time de desenvolvedores seguisse algumas das tendências que ele lera em um artigo.

Na tentativa de atender o pedido do chefe, a equipe projetou versões cópias — para não dizer piratas — de jogos populares: League of Legends, da Riot, inspirou um projeto Amazon chamado Nova, congelado em 2017. Fortnite, da Epic, levou a Intensity, cancelado em 2019. Overwatch, da Activision Blizzard, no bem bolado virou Crucible, que sofreria o mesmo destino de todas as outras tentativas.

Por fim, New World, o título lançado nesta terça-feira, exigiu um modo diferente de trabalho para chegar até o lançamento que agora está envolto de bastante espectativa positiva. O principal trunfo desta produção foi se basear no feedback dos próprios jogadores durante a fase de testes das versões betas.

Até mesmo a temática do jogo foi adaptada seguindo as críticas, ainda que culminasse no adiamento do jogo que era previsto para o final de 2020. New World foi apresentado como um jogo de sobrevivência em que as pessoas jogariam como colonos em uma versão fictícia da América do Norte de 1600, lutando contra inimigos que se pareciam muito com os povos indígenas. O codinome original do jogo era Roanoke, em homenagem a um assentamentos inglês do século XVI.

É obvio que, devido a conjectura social dos últimos anos, se tratava de uma receita para o cancelamento e linchamento virtual. De toda sorte, especula-se que Frazzini permitiu que o estúdio seguisse a ‘caixa de comentários’, ainda que de forma arriscada, e se guiasse pela indicação do público de transformar o jogo em um RPG multijogador, abandonando o roteiro antiquado e trazendo para a versão final só a ambientação da época das grandes navegações.

Ao julgar que antes mesmo do lançamento cerca de 200 mil jogadores disputavam espaço nos servidores de teste, e agora já se especula que o título alcançará ao menos o 3º lugar entre os maiores do gênero, New World pode ser sim um projeto digno da Amazon.

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