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O fim da posse? PMEs mudam a forma de investir em tecnologia

Cresce a adesão ao hardware como serviço, modelo que combina flexibilidade, atualização e controle de custos

Hardware as a service: hardware transforma investimento fixo em despesa previsível (Divulgação/Shutterstock)

Hardware as a service: hardware transforma investimento fixo em despesa previsível (Divulgação/Shutterstock)

EXAME Solutions
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Publicado em 12 de junho de 2026 às 13h44.

Última atualização em 12 de junho de 2026 às 14h08.

Por décadas, a infraestrutura de tecnologia foi tratada por pequenas e médias empresas brasileiras quase como um item de suporte operacional. Computadores, notebooks e servidores entravam na lista de compras como ativos de longo prazo, utilizados até o limite de sua vida útil. Mas esse modelo começa a perder espaço diante das novas demandas impostas pela transformação digital.

O avanço da inteligência artificial, o crescimento do trabalho híbrido e a necessidade de reforçar a segurança digital elevaram a pressão sobre a infraestrutura tecnológica das empresas. Nesse contexto, cresce o interesse por modelos de contratação que privilegiam atualização constante, escalabilidade e previsibilidade financeira.

É nesse cenário que o Hardware as a Service (HaaS) vem ganhando relevância. Inspirado na lógica já consolidada pelo software como serviço (SaaS), o modelo permite que empresas utilizem equipamentos atualizados mediante pagamento recorrente, sem a necessidade de grandes investimentos iniciais.

"Equipamentos obsoletos afetam diretamente a operação e geram custos invisíveis relevantes. Entre os principais impactos estão a queda de produtividade, o aumento de interrupções, maior risco de falhas e exposição de dados, além de uma experiência negativa para colaboradores e clientes", afirma Katia Kellis, head de canais & PMEs da Voke.

As pequenas e médias empresas representam cerca de 99% das companhias brasileiras e respondem por aproximadamente 80% dos novos empregos gerados no país. Para esse grupo, a tecnologia vem deixando de ser apenas uma despesa operacional para assumir um papel cada vez mais estratégico.

"O modelo de hardware como serviço transforma investimento fixo em despesa previsível, com maior eficiência operacional"Katia Kellis, head de canais & PMEs da Voke

O peso dos custos invisíveis

Uma das razões para essa mudança está nos custos frequentemente ignorados associados à manutenção de equipamentos antigos. Embora muitas empresas prolonguem ao máximo o ciclo de vida de notebooks e computadores para economizar, o resultado pode ser justamente o oposto.

Além da perda de desempenho, dispositivos desatualizados aumentam o risco de vulnerabilidades de segurança, dificultam processos de compliance e elevam a probabilidade de falhas que podem interromper operações críticas.

Ao mesmo tempo, cresce entre as empresas a preocupação com o chamado custo total de propriedade (TCO), indicador que considera não apenas o valor de compra, mas também despesas de manutenção, atualização, suporte e operação ao longo do ciclo de vida dos equipamentos.

Segundo Kellis, muitas PMEs ainda concentram suas decisões apenas no investimento inicial. "Muitas empresas ainda decidem tecnologia de forma tática, quando ela deveria ser tratada como uma decisão estratégica", afirma.

Nesse contexto, modelos de contratação baseados em serviço passam a oferecer vantagens adicionais. Em vez de assumir toda a gestão da infraestrutura, as empresas passam a contar com atualização tecnológica contínua e custos previsíveis.

"O modelo de hardware como serviço transforma investimento fixo em despesa previsível, com maior eficiência operacional", diz a executiva. Segundo ela, a modalidade se mostra especialmente atraente para empresas que buscam preservar caixa, crescer rapidamente ou manter sua infraestrutura constantemente atualizada.

A mudança acompanha uma transformação mais ampla no ambiente corporativo. Se antes a posse de ativos era vista como um sinal de segurança, cresce agora a preferência por modelos baseados em uso e performance.

IA e trabalho híbrido elevam exigências

A popularização da inteligência artificial e a consolidação do trabalho híbrido ampliaram significativamente as exigências sobre a infraestrutura tecnológica das empresas.

Ferramentas de IA demandam maior capacidade de processamento, conectividade estável e dispositivos capazes de acompanhar ciclos acelerados de atualização. Já equipes distribuídas exigem ambientes mais seguros, integrados e resilientes.

Segundo Kellis, a infraestrutura deixou de ser apenas um suporte operacional para se tornar um elemento central da estratégia empresarial.

"A infraestrutura precisa ser escalável, atualizada continuamente, capaz de suportar processamento e conectividade intensivos, além de muito segura e resiliente", afirma.

Essa mudança também alterou o perfil dos executivos envolvidos nas decisões de tecnologia. Se antes as escolhas ficavam concentradas na área de TI, hoje elas envolvem diferentes lideranças.

"O CFO participa pela lógica financeira e modelo de investimento, o CEO pelo impacto estratégico, Operações pelo ganho de eficiência e produtividade e o RH pelo impacto na experiência do colaborador e no trabalho híbrido", explica.

Produtividade, caixa e sustentabilidade

Os benefícios do modelo de hardware como serviço costumam aparecer em diferentes áreas da empresa. Na operação, os ganhos mais imediatos estão ligados à produtividade e à redução de interrupções. No financeiro, a previsibilidade de custos facilita o planejamento e a gestão do caixa.

Segundo Kellis, a experiência dos colaboradores também tende a melhorar rapidamente, especialmente em organizações que operam em formatos híbridos ou remotos. Equipamentos padronizados, suporte integrado e renovação tecnológica contínua ajudam a reduzir gargalos e aumentar a eficiência.

Outro aspecto que vem ganhando importância é a sustentabilidade. O aumento do consumo de dispositivos eletrônicos ampliou a preocupação das empresas com a destinação correta dos equipamentos ao fim de sua vida útil.

Para a executiva, modelos baseados em serviço contribuem para uma gestão mais eficiente do ciclo de vida dos ativos, favorecendo práticas de reaproveitamento, recondicionamento e descarte adequado dos equipamentos.

Nos próximos anos, a expectativa é que as PMEs adotem uma visão cada vez mais estratégica da tecnologia. "A tendência é que as PMEs tenham uma abordagem menos focada em aquisição e mais orientada a resultados", afirma Kellis. "Ampliar o acesso à tecnologia de ponta é um fator decisivo para elevar a competitividade das empresas brasileiras."

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