Tecnologia

Negociações da Foxconn com o governo não avançam

Técnicos do governo admitem que o investimento da Foxconn no Brasil pode cair para US$ 10 bilhões, abaixo dos US$ 12 bilhões anunciados pelo ministro Aloizio Mercadante

A Foxconn negocia a construção de duas fábricas no país para produção das telas (Reuters)

A Foxconn negocia a construção de duas fábricas no país para produção das telas (Reuters)

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Da Redação

Publicado em 25 de agosto de 2011 às 08h45.

Brasília - As negociações da Foxconn com o governo brasileiro ainda se arrastam, e os primeiros iPads "made in Brazil" serão apenas montados no País, com 80% do conteúdo vindo de fora, inclusive a tela TFT, de maior conteúdo tecnológico do aparelho. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a Foxconn negocia a construção de duas fábricas no País para produção das telas, mas o local das unidades ainda não foi definido.

Nos bastidores, técnicos do governo admitem que o investimento da Foxconn pode cair para US$ 10 bilhões, abaixo dos US$ 12 bilhões anunciados pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, em abril. A redução não afetaria os planos da companhia de desenvolver as telas no País e possivelmente exportar parte da produção, dizem fontes do governo.

A empresa, que já possui cinco fábricas no País, chegou a propor que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fosse sócio majoritário do negócio, bancando a maior parte do investimento, mas a instituição não topou. O BNDES continua dialogando com a Foxconn e pode financiar a construção das fábricas ou se tornar sócio minoritário no empreendimento.

Além do banco estatal de fomento, a empresa taiwanesa tem mantido encontros com empresas brasileiras interessadas em firmar parceria na fábrica de telas e com o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), para definir como se dará a transferência de tecnologia.

Conhecidas como telas planas de filme fino, as TFT (thin film technology) são fabricadas por robôs em ambientes especiais e possuem componentes eletrônicos em cada pixel, a menor unidade de cor e forma no monitor.

A Foxconn também discute com quatro estados, entre eles São Paulo, onde serão localizadas as duas novas fábricas. Segundo fontes, a empresa busca locais com eficiência no fornecimento de energia e conexão de banda larga, e fácil acesso a portos e aeroportos. Por enquanto, a Foxconn decidiu montar apenas mais uma linha de produção em um galpão do condomínio industrial de Jundiaí.

Procurada pela reportagem, a assessora de imprensa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que "prosseguem as conversas sobre uma fábrica da Foxconn no país". A Pasta da Ciência e Tecnologia e Inovação disse que sete empresas foram autorizadas a fabricar tablets nos próximos seis meses sem pagamento de alguns impostos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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