Minions: Pierre Coffin abriu os bastidores da criação do som característico dos personagens que conquistaram o mundo. (Divulgação / Universal Pictures)
Freelancer
Publicado em 2 de julho de 2026 às 17h48.
Os Minions conquistaram o mundo falando um idioma que ninguém aprende na escola e, ainda assim, milhões de pessoas entendem. O segredo dessa comunicação, que 'atravessa' idiomas e culturas desde "Meu Malvado Favorito" (2010), nunca esteve em um dicionário. Segundo o criador dos personagens, Pierre Coffin, tudo começa pela forma como as palavras são ditas. A melodia da fala, o ritmo das piadas e a expressão dos personagens são os verdadeiros pilares do chamado "minionês".
Pouca gente sabe que praticamente todos os Minions compartilham a mesma voz. Ela pertence ao próprio Pierre Coffin, diretor da franquia e intérprete oficial dos personagens em quase todos os mercados internacionais.
Depois das gravações, o áudio recebe um ajuste de seis semitons, suficiente para criar o timbre agudo que se tornou uma das marcas registradas da série. O restante depende da interpretação do cineasta, que grava centenas de reações, gritos, risadas e diálogos para dar personalidade a cada Minion.
Apesar das inúmeras teorias criadas pelos fãs ao longo dos anos, Coffin afirma que jamais desenvolveu uma gramática para o idioma. "Ele não tem uma estrutura linguística. Ele tem melodia. Se um Minion faz uma pergunta, existe a melodia de uma pergunta. Se é uma piada, existe o ritmo da piada. O segredo do minionês é encontrar a melodia certa e acrescentar palavras que ajudem o público a entender sobre o que aquela frase trata.", revela à Variety.
O diretor explica que palavras em inglês, francês, espanhol, italiano, japonês e até nomes de comidas ou artistas aparecem no meio das frases apenas porque soam divertidas. A escolha é guiada pelo efeito sonoro e pelo humor, muito mais do que pelo significado literal.
Para Coffin, o público compreende os Minions porque a animação e a interpretação caminham juntas. Expressões faciais, movimentos do corpo e a musicalidade da voz constroem o sentido de cada cena.
Ele admite que encontrar essa combinação é um dos maiores desafios da produção. "Sinto um pouco como se fosse uma fraude, porque não é uma língua de verdade. É um monte de sons sem sentido. São truques para fazer as pessoas entenderem algo que às vezes é bastante elaborado."
Segundo o cineasta, algumas sequências chegam a ser completamente reformuladas quando a entonação não transmite a emoção desejada. "Às vezes mudamos a natureza da cena porque não consigo encontrar a melodia certa. É por isso que os filmes levam três anos para serem feitos."
Quando a animação fica pronta, começa uma das etapas mais intensas da produção. Coffin passa cerca de três semanas gravando sozinho todas as vozes dos Minions em seu estúdio doméstico.
Em alguns países, determinadas palavras também são adaptadas para incluir referências locais ou evitar sons que possam ter outro significado. A intenção é preservar a graça das cenas sem perder a identidade do idioma criado para os personagens.
Segundo Coffin, o sucesso do "minionês" nunca dependeu de regras ou traduções. A linguagem funciona porque desperta uma compreensão intuitiva, baseada no humor físico e na musicalidade, elementos que aproximam os Minions da tradição do cinema mudo, uma das principais inspirações do cineasta.
Tudo começou em "Meu Malvado Favorito", filme que Pierre Coffin dirigiu e no qual apresentou os Minions ao mundo, e hoje, após "Meu Malvado Favorito 2", "Meu Malvado Favorito 3", "Minions", "Minions: A Origem de Gru", "Meu Malvado Favorito 4" e o mais novo "Minions e Monstros", lançado nesta quinta-feira, 2, pela Universal, os Minions seguem arrancando risadas com uma linguagem que existe mais no ouvido do que no papel, e justamente por isso continua sendo reconhecida em qualquer lugar do planeta.
Confira o trailer do novo filme: