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Na quarentena, faxina digital: mercado de aspirador robô explode em 2020

O setor teve crescimento expressivo em abril e sustenta alta ao longo do ano; de olho na tendência, fabricantes lançam produtos

 (Samsung/Divulgação)

(Samsung/Divulgação)

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Lucas Agrela

6 de novembro de 2020, 17h58

Com a quarentena do novo coronavírus, o mercado de aspirador-robô teve uma explosão de crescimento em 2020. Os modelos são vendidos por preços entre 400 e 6.000 reais no Brasil e, segundo a consultoria GfK, o faturamento desse mercado no Brasil foi de 372,7% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período no ano passado. A receita do setor no país foi de a 79,1 milhões de reais no período e 92 mil aparelhos foram vendidos, entre os quais 88 mil foram comercializados online.

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Fernando Baialuna, diretor de varejo na GfK, afirma que o segmento, apesar de não ser novo, tornou-se popular ao longo ano. “O ápice foi em abril e maio porque foi quando as pessoas prepararam o lar para a quarentena e investiram muito em produtos para casa e trabalho. O mercado total de aspirador cresceu, não só os robôs, mas eles representam 12% do faturamento, apesar de serem 3,5% das vendas no ano até setembro”, afirma Baialuna em entrevista à EXAME.

Com o crescimento, as fabricantes preparam novos produtos e testam novas faixas de preços. Empresas como Multilaser, Xiaomi e Samsung vendem aspiradores-robô no país que limpam o chão automaticamente e passam pano. Entre as três, a Samsung é a que mais apostado no setor com novos produtos de alta gama. A empresa sul-coreana, que já tinha um modelo à venda no Brasil, lançou dois produtos da categoria neste ano, sendo que o mais novo, Jetbot Mop VR6000, chega ao mercado hoje. Dedicado apenas a passar pano, o aparelho, de 2.899 reais, pode ser controlado à distância e pode ser usado para limpar paredes e móveis, caso o usuário o segure pela alça superior.

Helbert Oliveira, diretor da divisão de digital appliances da Samsung, afirma que os consumidores sentem a necessidade de contar com produtos conectados e mais autônomos porque precisam poupar tempo e trabalho em suas rotinas e, portanto, buscam produtos que ofereçam conforto e praticidade.

“Os robôs já são uma realidade para a Samsung pois fazem parte de um conceito muito importante para nós, que é o de connected living, também conhecido por expressões como casa conectada ou casa inteligente. Esses aparelhos têm esse DNA de inovação e conectividade altamente presente, já que podem ser programados por um smartphone ou até mesmo por uma TV através do aplicativo SmartThings. O que fizemos agora foi expandir esse portfólio, apresentando ao mercado novas opções de robôs, com diferentes funcionalidades. Lançamos o VR5000, que se destaca por ser 2 em 1, aspirador de pó e passa pano, e agora chegamos ao VR6000, um robô criado exclusivamente para esfregar as superfícies com uma eficiência incrível", afirma Oliveira à EXAME.

A brasileira Multilaser tem uma estratégia diferente. Com um dos aspiradores-robô mais acessíveis do mercado, o HO041, a aposta é no volume de vendas. A companhia tem também o modelo Orion, vendido na faixa dos 800 reais e atualmente esgotado na sua loja online. Já a Xiaomi aposta em um segmento premium, o Mi Robot Vacuum-Mop, de 3.999 reais.

Para Baialuna, da GfK, a tendência do aspirador-robô veio para ficar. "É uma categoria que era nicho e vai continuar crescendo, mas ela tende a crescer de forma gradativa e consistente", afirma.

Apesar da pandemia, setores como esse, o de notebook e outros ajudaram a produção da indústria elétrica e eletrônica a crescer nos últimos cinco meses consecutivamente. Segundo dados do IBGE agregados pela Associação Brasileiro da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o setor cresceu 5,9% em setembro de deste ano em relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal. Com isso, a produção do setor ultrapassou os patamares observados no início de 2020, antes da crise da covid-19 no Brasil. Na comparação de setembro deste ano com o de 2019, a produção do setor subiu 14%, terceiro mês seguido em que a produção superou 2019 na comparação mensal.