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Mulheres e jovens redesenham o perfil do esporte no Brasil, aponta app Ticket Sports

Levantamento com 2,9 milhões de inscrições em eventos esportivos mostra mudança no perfil dos atletas e maior uso de plataformas digitais para prática de esportes

‘Colaboradores saudáveis são mais produtivos’: Alice aposta em corrida de rua para aumentar engajamento (Alice/Divulgação)

‘Colaboradores saudáveis são mais produtivos’: Alice aposta em corrida de rua para aumentar engajamento (Alice/Divulgação)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 11h45.

Última atualização em 13 de janeiro de 2026 às 11h53.

O mercado de eventos esportivos no Brasil cresceu em 2025, mas os dados mais relevantes não estão apenas no volume de inscrições ou no número de provas realizadas. O nono estudo Perfil do Atleta Brasileiro, da Ticket Sports, que analisou 2,9 milhões de inscrições em 3.512 eventos, revela uma mudança estrutural no funcionamento do setor: quem sustenta a expansão é uma presença cada vez maior de mulheres, representando 52,4% do total de inscritos, atletas ao nível de competição e um público mais jovem que avança ávido por novas ofertas de eventos.

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Um dos sinais mais claros dessa transformação está no comportamento de compra. Em 2025, cerca de 40% dos eventos cadastrados na plataforma utilizaram o módulo de inscrições em grupo. Embora essas inscrições tenham representado apenas 5% do volume total (145,5 mil), elas concentraram um ticket médio 27% maior do que a média geral da plataforma.

Na prática, isso indica que a receita incremental do setor vem menos do crescimento orgânico de participantes individuais e mais da atuação de assessorias esportivas e comunidades organizadas, que elevam o valor gasto por atleta.

Outro dado que passa despercebido à primeira vista é o descompasso entre crescimento e mobilidade. Mais da metade dos atletas — 52% — competiu fora de sua cidade ou estado, o que reforça o papel do esporte como vetor de turismo. No entanto, a distribuição regional de eventos permaneceu praticamente estagnada em relação a 2024, com exceção do Sul, que cresceu 3,1%. O resultado é uma pressão logística crescente: atletas estão se deslocando mais, mas os eventos seguem concentrados, elevando custos indiretos para participantes e organizadores.

O perfil demográfico também ajuda a explicar mudanças no modelo de negócio. A idade média dos inscritos caiu para 38 anos, e a Geração Z já responde por 18,9% da base. Esse público tende a consumir eventos de forma recorrente, mas com tíquetes mais sensíveis a preço, o que ajuda a entender por que a corrida de rua segue concentrando 75,3% da receita, mesmo com a diversificação de modalidades. Trata-se da modalidade com menor barreira de entrada e maior previsibilidade de custos para organizadores.

As outras oportunidades

A internacionalização é outro ponto fora da curva. A base internacional da Ticket Sports cresceu 220% em 2025, mas esse avanço ainda representa uma fração pequena do total de inscrições. O dado, no entanto, indica uma assimetria relevante: a demanda por eventos no Brasil e no exterior cresce mais rápido do que a capacidade das plataformas e dos organizadores de estruturar ofertas internacionais, seja em logística, meios de pagamento ou integração de calendários.

Há também sinais de ineficiência operacional. Pela primeira vez, o estudo analisou dados sobre tamanhos de camisetas escolhidos pelos atletas, uma variável aparentemente trivial, mas que expõe um problema recorrente no setor: desperdício e erro de planejamento. A concentração de escolhas em poucos tamanhos sugere que organizadores continuam produzindo kits com baixa aderência à demanda real, o que pressiona margens em um mercado já sensível a custos de transporte, estoque e insumos.

“Os dados mostram um setor que cresce, mas com gargalos claros de eficiência e monetização”, afirma Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports. Segundo ele, o valor do estudo está menos no volume analisado e mais na leitura de comportamento que ele permite fazer sobre consumo esportivo.

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