Colaboradora
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 13h12.
Última atualização em 10 de janeiro de 2026 às 14h43.
Antes considerado um tema polêmico, o uso de psicodélicos começou a circular abertamente entre executivos, fundadores e investidores do Vale do Silício. O consumo de drogas como LSD, psilocibina, ayahuasca e MDMA ainda não é popular, mas já está ganhando espaço na bolha da elite tecnológica, por ser associado à busca por criatividade, clareza, foco e até longevidade.
A prática também movimenta negócios: startups focadas em terapias com psicodélicos têm atraído investimentos de aceleradoras como a Y Combinator e de bilionários influentes, entre eles Peter Thiel, cofundador do PayPal.
Além disso, relatos de líderes do setor ajudaram a dar visibilidade ao tema e reforçaram o interesse — financeiro e científico — na prática. O site Business Insider reuniu as principais experiências desses executivos.

Conhecido por investir cerca de US$ 2 milhões por ano em um regime extremo de longevidade, o empreendedor Bryan Johnson, de 48 anos, ganhou destaque recente ao consumir cogumelos mágicos em uma transmissão ao vivo de mais de cinco horas no X.
Na experiência, ele reuniu familiares e convidados, como a cantora Grimes e CEO da Salesforce, Marc Benioff. Johnson descreveu o evento como o "experimento psicodélico mais quantificado da história", com medição de 249 biomarcadores, exames cerebrais e coleta de dados fisiológicos. Ele levantou a hipótese de que a psilocibina poderia auxiliar os seres humanos a viver mais de 120 anos.
Ele também relatou publicamente o uso do psicodélico 5-MeO-DMT, encontrado no veneno do sapo-do-deserto-de-Sonora. Em um podcast, ele disse que recorreu à substância para explorar a convergência entre mente e máquina. A experiência foi tão marcante que ele tatuou a molécula do composto.

Um dos executivos que mais falou abertamente sobre o uso do LSD, o cofundador da Apple, Steve Jobs, consumia a substância já na década de 1970, combinada a meditações e viagens.
Ele descreveu a experiência como "profunda" e uma das mais importantes da sua vida.
Entre 1972 e 1974, Jobs usou LSD de 10 a 15 vezes e depois parou definitivamente. A informação consta em um questionário preenchido em 1988 para obter autorização de segurança dos Estados Unidos.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou no podcast Life in Seven Songs que o uso de psicodélicos foi uma das experiências mais transformadoras de sua vida. O consumo teria o transformado de alguém "ansioso e infeliz" para mais calmo.
Ele disse que as experiências mais importantes aconteceram em retiros com acompanhamentos de guias e em eventos como o Burning Man.
Além do uso pessoal, ele já investiu em startups da área médica e já atuou como presidente do conselho da Journey Colab, que desenvolve terapias psicodélicas voltadas ao tratamento de dependência química.

Antes de fundar a Microsoft, Bill Gates teve contato com psicodélicos durante o ensino médio e a faculdade, como contou em sua autobiografia Source Code: My Beginnings.
Gates descreveu a experiência como "cósmica", embora tenha dito que, posteriormente, refletiu sobre possíveis efeitos na memória.

Segundo o Wall Street Jounal, Segey Brin, cofundador do Google consumiu psilocibina. O executivo, no entanto, nunca confirmou publicamente a experiência.
Ele é um dos investidores em iniciativas ligadas ao setor, como a organização sem fins lucrativos chamada Catalyst4, que prometeu US$ 15 milhões à Soneira, startup que pesquisa os efeitos de tratamentos alucinógenos para a saúde mental.