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Internet na América Latina cresce, mas preocupa, diz ONU

Relatório mostra que penetração do acesso à internet na América Latina cresceu nos últimos anos. Por outro lado, a qualidade da conexão ainda causa preocupação

	Notebook: acesso à internet cresceu na América Latina, mas conexão ainda deixa a desejar
 (Thinkstock)
Notebook: acesso à internet cresceu na América Latina, mas conexão ainda deixa a desejar (Thinkstock)
Por Bruno do AmaralPublicado em 13/09/2016 11:14 | Última atualização em 13/09/2016 11:14Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O acesso à internet aumentou 20 pontos percentuais (p.p.) na América Latina em 2015, atingindo uma penetração de 54,4% na região, de acordo com estudo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas, em colaboração com o governo alemão e divulgado nesta segunda, 12.

Isso significa que houve crescimento de 14,1% na quantidade de famílias conectadas nos últimos cinco anos, chegando a 43,4% do total latino-americano. A pesquisa indica também que o crescimento anual entre 2000 e 2015 foi de 10,6%, o que permitiu reduzir o gargalo entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), passando de 37,2 p.p. para 25,2 p.p entre 2010 e 2015.

De acordo com o estudo da Cepal (confira a íntegra do relatório clicando aqui), apenas três países contavam com penetração acima de 60%: Chile, Costa e Uruguai. Três figuraram com penetração menor do que 15%, enquanto 15 estavam entre 15% e 45% e três entre 45% e 56% – grupo este no qual Brasil está inserido, junto com Argentina e Panamá.

O levantamento destaca o impacto da banda larga móvel, que passou de 7% para 58% em cinco anos na região. O crescimento das conexões móveis no período foi de 802,5%, enquanto a banda larga fixa aumentou 68,9%. Segundo a entidade, a maior penetração móvel é na Costa Rica, com 95,5%. O Brasil é situado no grupo entre 50% e 90% de penetração da banda larga móvel.

Também caiu o preço do acesso na região. Em 2010, para contratar serviço fixo de 1 Mbps, era necessário gastar cerca de 18% do rendimento mensal do usuário latino-americano; no começo de 2016 esse custo caiu para 2%. A Cepal ressalta que os pacotes de dados em celulares pré-pagos, em muitos países, representam um custo até abaixo de 2% da renda média mensal. A pesquisa mostra que o Brasil está na décima colocação no ranking de preço mínimo (em relação à renda) de pacote de dados pré-pago por um dia em janeiro deste ano – o maior preço é de Honduras.

Ainda falta

Embora os números comprovem avanço, a realidade ainda traz desafios. A Comissão destaca que problemas de qualidade (velocidade de conexão) e distribuição do acesso a regiões menos favorecidas continuam. A entidade diz que, por exemplo, nenhum país na América Latina conta com pelo menos 5% das conexões acima de 15 Mbps, enquanto em países desenvolvidos esse índice é de 50%.

A título de comparação, de acordo com dados da Anatel, a penetração sobre a base total de conexões fixas acima de 12 Mbps (velocidade mais próxima na medição da agência) no Brasil era de 27,35% em dezembro. Somente as conexões superiores a 34 Mbps eram 5,54% na época. Os últimos dados de julho mostram que a penetração sobre a base total é de 32,21% para acessos acima de 12 Mbps, e de 6,75% para conexões acima de 34 Mbps.

O estudo da Cepal também apresenta avanços "significativos" no LTE, que mais do que duplicou entre segundo trimestre de 2015 e primeiro trimestre de 2016. A pesquisa diz que 11 de 16 países estudados estavam abaixo de dois dígitos de penetração sobre a base total de conexões, entretanto. O Brasil aparece em segundo, atrás do Uruguai.

Nos comentários de legislações locais, a Comissão destaca o lançamento do Programa Brasil Inteligente em 2015, plano de universalização lançado pelo então Ministério das Comunicações ainda durante o governo Dilma Rousseff. No ranking de objetivos do programa, a entidade inclui apenas quatro itens abordados (infraestrutura, inovação digital, desigualdade e pobreza, e marco normativo) dentre os dez destacados para a região. O relatório não acompanhou o desenrolar atual do Brasil Inteligente após o afastamento da presidente Dilma.