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Geração Z troca médicos pelo TikTok — e a ansiedade dispara

Um terço dos jovens diz ter o aplicativo como principal fonte de informação sobre saúde, e 1 em cada 11 relata ter tido problemas após seguir conselhos vistos na plataforma

 (Imagem gerada por IA/Exame)

(Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 20 de julho de 2026 às 14h59.

Os algoritmos do TikTok fizeram com que os membros da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) ficassem mais ansiosos em relação à saúde. Segundo um estudo da plataforma EduBirdie, ao menos metade dos zoomers afirma que o conteúdo sobre saúde que veem no aplicativo os deixa nervosos. 

O dado se soma a um retrato mais amplo. Levantamentos recentes mostram que a rede deixou de ser só entretenimento e virou a principal porta de entrada dessa geração para informações sobre corpo, dieta e doenças — com um custo que médicos começam a ver no consultório.

Uma pesquisa da Zing Coach com mil usuários da geração Z, por exemplo, apontou que 56% recorrem regularmente ao TikTok em busca de orientações sobre exercício, alimentação e bem-estar.

Mais do que isso, 34% apontaram a rede como sua principal fonte de conselhos de saúde, enquanto apenas 11% citaram profissionais qualificados, como médicos ou preparadores físicos, como primeira opção.

Para eles, a justificativa de usar o app para se informar sobre esses assuntos é o fato de que as respostas, por lá, são rápidas e gratuitas.

Só que a filtragem do que chega é frágil. Enquanto 66% disseram confiar apenas em conteúdo publicado por alguém com formação profissional, 20% afirmaram confiar em influenciadores que "pareciam confiáveis", e 10% tendiam a acreditar em vídeos com muitas curtidas.

Quando o conselho vira problema?

A situação se torna preocupante porque boa parte desses jovens não checa as informações obtidas na plataforma. Segundo a Zing, uma em cada três pessoas disse não fazer nenhum esforço para saber se o que ouviu é ou não verdade.

E uma em cada 11 relatou ter tido problemas de saúde após seguir o conselho de um vídeo.

A exposição à desinformação é generalizada e três em cada cinco entrevistados afirmaram já ter visto informação incorreta ou conselho prejudicial sobre saúde na plataforma.

Um estudo separado, que analisou mil vídeos do TikTok em mais de 16 países e três idiomas, cobrindo 26 temas de saúde mental, concluiu que a desinformação nessa área tende a aumentar ansiedade, estresse e confusão em pessoas vulneráveis, além de perpetuar estigmas.

O formato também pesa

Não é só o conteúdo: o desenho da plataforma faz parte da equação.

Uma revisão publicada na base científica PubMed Central comparou o efeito de diferentes redes sobre a saúde mental da geração Z e concluiu que cada uma atua de um jeito.

O Instagram, por ser predominantemente visual, agrava a insatisfação corporal ao promover padrões de beleza inatingíveis.

Já o TikTok, segundo a mesma revisão, tem um efeito ambíguo. Ao mesmo tempo em que difunde informação sobre saúde mental, seu conteúdo curto e de estímulo intenso pode induzir ansiedade e déficits de atenção.

Os autores recomendam que profissionais de saúde passem a incluir os hábitos de rede social na avaliação clínica de pacientes dessa faixa etária.

O que os próprios jovens relatam

Os efeitos aparecem também na autopercepção. No estudo da EduBirdie com 2 mil pessoas da geração Z, 41% admitiram sofrer de baixa autoestima, e 46% relataram já ter experimentado ansiedade como efeito colateral do uso de redes sociais.

Uma parcela buscou ajuda. 26% disseram ter procurado apoio profissional para lidar com estresse e ansiedade induzidos pelo ambiente digital, 17% para solidão e 13% para dependência de redes sociais.

Os pesquisadores da EduBirdie ouviram os participantes de forma aleatória, sem recorte por gênero, etnia ou origem social.

O que fazer com esses dados?

As pesquisas citadas são majoritariamente enquetes autorreportadas, o que significa que medem percepção, e não diagnóstico clínico — uma limitação importante, que impede tratar os números como prova de causa e efeito.

Ainda assim, a convergência entre levantamentos comerciais, revisões acadêmicas e o relato de médicos aponta na mesma direção.

A recomendação que atravessa os estudos é simples: tratar o conteúdo de saúde nas redes como ponto de partida, não como diagnóstico, verificar a formação de quem publica e levar a dúvida a um profissional.

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