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Opinião: agentes de IA precisam de maior controle e segurança

Com a IA agêntica assumindo tarefas operacionais, empresas precisam definir acessos, limites e responsabilidade humana para evitar riscos

Agentes de IA nas empresas exigem governança e supervisão humana para mitigar riscos operacionais (nuclear_lily.jpg/Shutterstock)

Agentes de IA nas empresas exigem governança e supervisão humana para mitigar riscos operacionais (nuclear_lily.jpg/Shutterstock)

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Publicado em 20 de julho de 2026 às 15h00.

Por Samir Iásbeck*

Durante anos, as empresas discutiram a inteligência artificial como uma ferramenta de produtividade: um sistema capaz de responder perguntas, automatizar tarefas repetitivas e acelerar processos.

Essa fase está ficando para trás e a próxima etapa não é apenas uma IA que auxilia funcionários, mas uma IA que participa da operação.

É nesse cenário que surge a figura do "funcionário invisível": agentes de inteligência artificial capazes de acompanhar fluxos, interpretar dados, executar tarefas e interagir com diferentes áreas da empresa.

A comparação é útil porque mostra o potencial da tecnologia, mas também evidencia um ponto que muitas organizações ainda ignoram: se a IA começa a atuar como parte da equipe, ela precisa estar submetida a regras semelhantes às de qualquer atividade crítica.

Nenhuma empresa colocaria um funcionário novo dentro de áreas estratégicas sem definir acesso, responsabilidade e supervisão. O mesmo princípio precisa valer para agentes digitais.

Um sistema que lê relatórios internos não tem o mesmo impacto de uma IA que recomenda decisões comerciais.

Uma ferramenta que sugere uma resposta para um cliente é diferente de um agente que envia mensagens automaticamente em nome da empresa. Quanto maior o grau de autonomia, maior precisa ser o nível de controle.

A velocidade da adoção e a falta de governança

O problema é que a adoção está acontecendo em uma velocidade maior do que a criação de mecanismos de governança.

Uma pesquisa global da Deloitte sobre inteligência artificial nas empresas aponta que a IA agêntica deve avançar rapidamente nos próximos anos, mas muitas organizações ainda não possuem estruturas maduras para administrar agentes autônomos.

Na prática, muitas empresas estão criando capacidade operacional antes de criar responsabilidade operacional.

A tecnologia começa a executar atividades, mas ainda faltam respostas para perguntas básicas: quais dados podem ser acessados? Quem aprova determinadas ações? Como identificar uma decisão tomada por um agente? Existe uma trilha de auditoria?

O cenário brasileiro: soluções de terceiros e novos riscos

Essa discussão ganha ainda mais importância no Brasil, onde a adoção de inteligência artificial está crescendo principalmente por meio de soluções adquiridas de terceiros.

Segundo dados do Cetic.br, 80% das empresas brasileiras que utilizam IA adotaram softwares ou sistemas prontos, enquanto 60% contrataram fornecedores externos para desenvolver ou adaptar soluções.

O dado mostra uma realidade importante: muitas organizações não estão necessariamente construindo seus próprios sistemas, mas incorporando tecnologias desenvolvidas por outros.

Isso aumenta a necessidade de entender exatamente quais permissões estão sendo concedidas e quais riscos estão entrando junto com a inovação.

Responsabilidade humana na liderança de agentes digitais

A governança de IA não deve ser vista como um freio. Ela é o que permite que a tecnologia seja escalada sem transformar a eficiência em vulnerabilidade.

O objetivo não é limitar agentes inteligentes, mas garantir que eles atuem dentro de uma estrutura previsível.

A pergunta que os líderes precisam fazer agora não é quantos agentes de IA podem ser colocados para trabalhar, mas sim quais atividades podem ser delegadas, quais decisões exigem supervisão humana e quais limites nunca devem ser ultrapassados.

O futuro corporativo terá cada vez mais colaboradores digitais. Mas, antes de colocar esse novo integrante para atuar, a empresa precisa definir algo essencial: quem será o responsável por ele.

Porque a IA pode executar uma tarefa, pode analisar milhares de informações e operar 24 horas por dia, mas a responsabilidade ainda precisa ser humana, com nome, cargo e liderança, com supervisão, governança e responsabilidade humana.

*Samir Iásbeck é fundador da Cerebelo.Ai, empresa de inteligência artificial focada em automatizar tarefas repetitivas, ampliar a capacidade humana e apoiar decisões empresariais. Empreendedor de tecnologia desde 1996, fundou também a eMiolo.com e o Qranio, com trajetória em softwares, sistemas de gestão, automação e transformação digital de negócios.

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