TV 3.0 (DTV+): novo padrão da TV aberta brasileira une transmissão por antena e recursos de internet (Reprodução/SET_TV)
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Publicado em 27 de julho de 2026 às 09h18.
A TV aberta brasileira ganhou um novo padrão de transmissão em junho de 2026. Chamada de TV 3.0 — ou DTV+, nome oficial da interface —, a tecnologia transforma a experiência de assistir televisão ao permitir o acesso aos canais por uma tela com ícones de emissoras, parecida com a de serviços de streaming, aposentando a tradicional busca por números.
O sinal continua gratuito e chega pela antena, mas a conexão com a internet libera recursos como conteúdo sob demanda, enquetes ao vivo, escolha de câmera e serviços públicos integrados à programação. Veja o que muda nesse novo sistema.
A TV 3.0 é a evolução do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, regulamentada por decreto federal em agosto de 2025. O padrão foi desenvolvido pelo Fórum SBTVD e muda principalmente a forma de navegar pelos canais, que deixam de ser acessados por números e passam a funcionar como aplicativos dentro de uma interface chamada DTV+.
A TV aberta continua gratuita — a antena digital UHF capta o sinal sem custo. A internet entra como camada complementar, necessária para acessar funcionalidades interativas e conteúdos extras.
O salto técnico aparece em dois pontos. A imagem passa a ser transmitida em 4K nativo, com suporte futuro a 8K e HDR. O codec VVC é mais eficiente que o padrão anterior e entrega mais qualidade com menos banda de transmissão.
No áudio, o padrão MPEG-H permite som imersivo com separação de canais. Durante uma partida de futebol, por exemplo, o telespectador pode usar o controle remoto para desligar a narração e ouvir só o som do estádio, ou alternar entre canais de áudio com diferentes narradores.
A conexão com a internet habilita funcionalidades que a TV digital atual não tem. Entre elas:
Esses recursos dependem de Wi-Fi ou cabo Ethernet conectados ao conversor ou à TV compatível. Sem internet, o aparelho funciona como TV aberta convencional, mas já com a melhora de imagem e som.
Não, pelo menos não por causa da TV 3.0. Nenhuma TV à venda no Brasil em julho de 2026 — nem mesmo modelos 4K de ponta — traz o receptor DTV+ integrado de fábrica. Os primeiros televisores com compatibilidade nativa devem chegar ao mercado entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Para quem quer usar a TV 3.0 com o aparelho atual, o caminho é um conversor externo. O dispositivo se conecta à entrada HDMI da TV e à antena digital. A antena UHF que já capta o sinal digital hoje funciona com o novo padrão — não é necessário trocar.
Dois modelos já estão à venda no Brasil desde junho de 2026:
Os preços ficaram acima da estimativa inicial do governo, que em agosto de 2025 projetava conversores na faixa de R$ 300 a R$ 350, com expectativa de redução conforme o volume de produção aumentasse. O Ministério das Comunicações estuda formas de subsidiar o acesso para famílias de baixa renda.
Ser smart TV não garante compatibilidade. O que determina a recepção do sinal DTV+ é um sintonizador físico dedicado ao novo padrão, ausente nos modelos vendidos até julho de 2026. Mesmo uma smart TV 4K com sistema operacional atualizado precisa de conversor externo para captar o sinal da TV 3.0.
A parte "smart" da televisão ajuda na navegação e nos apps de streaming, mas a recepção de TV aberta em DTV+ depende de hardware que os aparelhos atuais não possuem.
A fase inicial concentra canais e serviços públicos operados pela EBC na Plataforma Comum da DTV+, como TV Brasil, Canal Gov, Canal Educação e Canal Saúde. A Globo lidera entre as emissoras comerciais, com transmissões em 4K e funcionalidades interativas já em operação durante a Copa do Mundo de 2026.
Outras emissoras — SBT, Record, Band, Cultura e Gazeta — participam dos testes regulamentados pelo governo e devem ampliar a oferta de conteúdo conforme a cobertura avance.
O cronograma oficial prevê expansão gradual. As primeiras transmissões operam em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. A meta é cobrir as 15 principais capitais brasileiras até 2030. A migração completa para todo o território nacional pode levar até 15 anos, segundo o Ministério das Comunicações.
Durante esse período, a TV digital atual (chamada de TV 2.5) continua operando em paralelo. Nenhum sinal será desligado no curto prazo — a convivência entre os dois sistemas está prevista até pelo menos 2040.