Repórter
Publicado em 27 de julho de 2026 às 08h22.
A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase de relativa trégua após quase duas semanas de ataques recíprocos, mas o conflito continua longe de uma solução definitiva.
Embora os bombardeios tenham sido interrompidos nos últimos dias, as ameaças militares permanecem, o Estreito de Ormuz segue fechado e as negociações sobre o programa nuclear iraniano ainda enfrentam impasses.
A pausa nos confrontos abriu espaço para uma tentativa de retomada da diplomacia. O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou que o presidente Donald Trump decidiu dar "algum espaço" para as negociações com Teerã, mas ressaltou que Washington continua preparado para retomar ataques caso considere necessário.
O governo iraniano confirmou que interrompeu temporariamente suas ações militares após a suspensão dos bombardeios americanos. Segundo o porta-voz militar Mohammad Akraminia, a estratégia de Teerã continua baseada na resposta às ofensivas dos Estados Unidos.
Apesar da redução das hostilidades, o Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo e gás natural.
Nos últimos dias, a Guarda Revolucionária interceptou navios que tentavam atravessar a passagem por rotas consideradas não autorizadas e afirmou que apenas embarcações seguindo as determinações iranianas podem navegar na região.
O fechamento parcial do Estreito de Ormuz continua sendo o principal ponto de tensão da crise por seu potencial de afetar o abastecimento global de petróleo e elevar os custos da energia.Mesmo durante a pausa nos combates, o programa nuclear iraniano permanece como o principal foco das divergências. Donald Trump voltou a afirmar que poderá ordenar novos ataques contra instalações nucleares iranianas caso considere necessário impedir o avanço do enriquecimento de urânio.
Nos últimos dias, o presidente americano declarou que os Estados Unidos poderão atacar a montanha Pickaxe, onde serviços de inteligência israelenses acreditam que o Irã tenha transferido centrífugas avançadas e estoques de urânio enriquecido após ataques realizados em 2025.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mantém a defesa de uma postura firme contra Teerã e deve reforçar essa posição em reunião prevista com Donald Trump nesta semana. O governo israelense sustenta que o programa nuclear iraniano representa uma ameaça à segurança regional e considera insuficiente uma solução exclusivamente diplomática.
Teerã, por sua vez, insiste que seu programa nuclear possui objetivos civis e acusa Estados Unidos e Israel de utilizarem o tema como justificativa para ampliar a pressão militar e econômica sobre o país.
A interrupção temporária dos ataques reduziu parte da pressão sobre o mercado internacional de petróleo. Após semanas de forte volatilidade, os preços recuaram diante da expectativa de que a escalada militar não avance no curto prazo.
*Com AFP