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Correios da Itália fazem oferta para Tim voltar a ser estatal

Poste Italiane quer o controle total do grupo em operação que já supera 13 bilhões de euros; Tim Brasil não deve sentir efeitos no curto prazo

Tim: empresa italiana deve voltar a pertencer ao governo (Imagem gerada por IA/Exame)

Tim: empresa italiana deve voltar a pertencer ao governo (Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 20 de julho de 2026 às 15h30.

A maior consolidação recente das telecomunicações europeias começou por uma empresa de correios. A Poste Italiane, estatal postal da Itália, deu início nesta segunda-feira, 20, ao processo para assumir o controle total do Grupo Tim, a Telecom Italia — operação que, se concluída, devolve à esfera estatal o comando da principal operadora do país, quase 30 anos depois de ela ter sido privatizada.

A oferta pública de aquisição (OPA) e troca foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da Tim no sábado, 18, e liberada pela Consob, a comissão de valores mobiliários italiana. O período de adesão dos acionistas vai de 20 de julho a 11 de setembro de 2026.

Quanto vale a operação

O valor mudou desde o anúncio. Quando foi lançada, em março, a proposta era estimada em 10,8 bilhões de euros. Com a valorização das ações da própria Poste Italiane, usadas como parte do pagamento, a operação passou a ser avaliada em mais de 13 bilhões de euros, ou cerca de US$ 14,9 bilhões.

A remuneração é mista: para cada ação ordinária da Tim, o acionista recebe 1,67 euro em espécie mais 0,218 da nova ação ordinária da Poste Italiane.

A estatal, que já é a maior acionista individual da operadora, com cerca de 20% do capital ordinário, condicionou a efetivação da compra à adesão mínima de 66,67% das ações — mas o objetivo declarado é chegar à totalidade dos papéis e fechar o capital da Tim na Bolsa de Milão.

Isso é uma estatização?

Na prática, sim. O controle da operadora volta às mãos do Estado. Mas o caminho é de mercado, não de decreto. Não há desapropriação nem ato de governo — trata-se de uma oferta de compra com preço e prazo definidos, e a adesão dos acionistas é voluntária.

A Poste Italiane, por sua vez, é uma companhia de capital aberto, listada na Bolsa de Milão, cujo controle pertence ao Tesouro italiano e à Cassa Depositi e Prestiti, o banco estatal.

Ou seja, o Estado manda na Poste, mas divide o capital com acionistas privados. A TIM passa, assim, ao controle indireto do poder público.

É a reversão de um movimento antigo. A operadora foi privatizada em 1997, na maior venda de ativo público da história italiana até então, e passou as décadas seguintes trocando de mãos — do consórcio liderado pela Telefónica à francesa Vivendi, que era a maior acionista até a chegada da Poste.

O aval do conselho

O parecer favorável do conselho da Tim foi um passo decisivo e reduziu a expectativa de que a Poste fosse pressionada a elevar a proposta.

Segundo a companhia, o colegiado considerou a contrapartida financeiramente justa e avaliou positivamente a lógica da operação e sua coerência com o caminho que a Tim vinha seguindo.

A decisão se apoiou em avaliações da consultoria Kearney e em pareceres independentes dos bancos Evercore e Goldman Sachs, segundo o site TI Inside. Ainda assim, a conclusão depende do nível de adesão dos acionistas — são mais de 240 mil — durante o período da oferta.

Por que o Estado italiano quer a Tim de volta?

A aquisição tem forte respaldo do governo. A operação integra uma estratégia de reunir sob controle público ativos considerados essenciais à economia digital, combinando telecomunicações, serviços postais, logística e infraestrutura tecnológica.

Para a Poste, cujas 12,6 mil agências pagam aposentadorias no país, a aposta é acelerar a expansão em serviços digitais, telecomunicações e nuvem.

O retorno da Tim ao controle estatal ocorre após uma reestruturação que incluiu a venda da rede fixa e a redução da dívida da operadora — que chegou a negociar a compra da parte móvel da Oi no Brasil.

O que muda para a Tim Brasil?

Os efeitos sobre a operação brasileira tendem a ser limitados no curto prazo, segundo o TI Inside.

Segundo os comunicados oficiais divulgados até agora, não há previsão de mudanças imediatas na estrutura societária, na gestão ou na estratégia da Tim Brasil, que segue operando normalmente.

A subsidiária tem capital aberto na B3 e mantém governança própria, ainda que integre o Grupo Tim. O que muda é quem está no topo da cadeia de controle, na Itália.

Em ocasiões anteriores, ofertas pela controladora italiana chegaram a mexer com as ações da subsidiária brasileira. Desta vez, eventuais alterações estratégicas devem ocorrer apenas em prazo mais longo e dependerão das decisões da futura controladora. A Tim informou que não fará mudanças em seu plano de negócios até a conclusão da oferta, e divulgará os resultados do segundo trimestre em 29 de julho.

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