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SpaceX: empresa deve fornecer IA para o Pentágono nos EUA (Força Espacial dos Estados Unidos/Wikimedia Commons)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 20 de julho de 2026 às 15h06.
A SpaceX negocia com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos o fornecimento de capacidade de data center para rodar modelos de inteligência artificial (IA), em um contrato que pode chegar a vários bilhões de dólares, segundo o Wall Street Journal.
Um eventual acordo aprofundaria a relação entre a empresa de Elon Musk e o Pentágono, que já depende dela para lançar foguetes e operar satélites de comunicação e rastreamento de mísseis.
A negociação faz parte de uma guinada da SpaceX rumo à computação em nuvem. Nos últimos meses, a companhia fechou contratos semelhantes com a Anthropic, criadora do Claude, e com o Google, e agora planeja ampliar bastante essa operação.
A estratégia discutida internamente é competir de forma mais direta com fornecedores já estabelecidos, como a CoreWeave, oferecendo capacidade a clientes de IA por preços mais baixos.
O modelo tem se mostrado mais rentável no curto prazo do que vender os modelos Grok, que disputam usuários com outras ferramentas do mercado.
Segundo o jornal, os acordos com Anthropic, Google e a startup Reflection AI podem representar dezenas de bilhões de dólares em receita anual para a empresa.
A entrada nesse mercado veio por aquisição. A companhia comprou recentemente a xAI, também de Musk, e abriu capital — movimento que trouxe para dentro do negócio tanto os modelos Grok quanto os data centers da empresa de IA.
Para recuperar terreno na corrida da IA, o grupo construiu rapidamente data centers de grande porte em Memphis, no Tennessee.
Musk afirmou, em documentos públicos da SpaceX, ter feito isso em ritmo mais acelerado e a custo menor que os concorrentes.
Parte da estratégia envolveu instalar turbinas a gás no local para gerar energia — decisão que resultou em uma ação judicial alegando descumprimento de regras ambientais. A empresa também já apresentou a investidores a ideia de instalar data centers no espaço.
Do outro lado da mesa, o Departamento de Defesa tenta garantir poder computacional para áreas como a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e para militares que usam IA no trabalho diário.
A Amazon, uma das principais fornecedoras do Pentágono, investe US$ 50 bilhões na expansão de capacidade para órgãos do governo, com ênfase na Defesa. Microsoft, Google e Oracle também são grandes fornecedoras. Recentemente, o departamento aprovou um conjunto de empresas — incluindo SpaceX, Amazon, Google, Microsoft e Oracle — para uso de seus modelos de IA e outras tecnologias em ambientes classificados.
Há ainda um programa maior em jogo. O Pentágono busca US$ 30 bilhões para uma iniciativa chamada Arsenal de Inteligência Artificial, voltada a garantir acesso a chips avançados de IA. O programa foi descrito em um documento ligado ao pedido de orçamento de 2027, em discussão no Congresso.
A diversificação é uma preocupação declarada. Autoridades do Pentágono afirmam querer reduzir a dependência de empresas individuais de tecnologia à medida que os militares adotam IA.
Um atrito com a Anthropic no início deste ano alimentou esse temor no departamento.
A relação com a SpaceX também gera debate. Alguns funcionários da área de segurança nacional levantaram preocupações de que o Pentágono seja dependente demais dos serviços de Musk, e as contribuições financeiras do empresário à campanha do presidente Donald Trump em 2024 alimentaram alegações de conflito de interesse. Autoridades do governo negam essas críticas.