Tecnologia

Computadores elevam a produtividade, diz professor do MIT

Professor do MIT Erik Brynjolfsson diz que a adoção em massa dos computadores resulta na melhor produtividade dos funcionários e indivíduos, mas a forma de uso ainda é decisiva para os resultados.

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 5 de janeiro de 2009 às 13h26.

A implantação de computadores tem relação direta com a produtividade nas empresas e mesmo entre os usuários domésticos. Mas para o professor Erik Brynjolfsson, diretor do Centro de Negócios Digitais do Massachusetts Institute of Technology (MIT), os resultados positivos só podem ser percebidos se as empresas também modificarem certas regras de negócios. Entenda o conceito na entrevista concedida por Brynjolfsson a EXAME.

As novas gerações que se formam na era da computação tendem a ser mais produtivas do que as gerações anteriores?

Essa foi uma das principais perguntas que assolaram os Estados Unidos na década de 90, quando muitas empresas e indivíduos estavam começando a gastar dinheiro com tecnologia. A maioria desses compradores de computadores não tinha certeza sobre o impacto na produtividade, mas pesquisas do MIT mostram que as companhias que gastam mais em tecnologia são realmente mais produtivas do que suas concorrentes. O mesmo acontece com os indivíduos, que têm vantagens significativas em realizar suas tarefas por meio do computador. Dessa forma, as gerações que crescem junto com os computadores tendem a ser mais produtivas sim.

Só o computador já é sinônimo de produtividade?

Só os computadores não tornam as pessoas mais produtivas. O hardware ajuda os indivíduos e as empresas a trabalharem de formas diferentes, mas outras coisas ainda precisam ser feitas sobre esse mesmo trabalho para que a melhora de produtividade seja vista. Companhias do mundo todo estão tendo problemas para pensar em regras de trabalho ao mesmo tempo em que colocam novas tecnologias em prática. Nesse mundo da organização digital, empresas que não implantam mudanças na forma de trabalho, não conseguem benefícios. Essas mudanças trazem rupturas e caso não sejam implantadas da forma certa, a tecnologia pode até ser contraproducente. Mudar a rotina da organização geralmente é mais difícil do que comprar equipamentos. Costumamos dizer que para cada dólar gasto em tecnologia, são necessários de cinco a dez dólares para mudar a organização e fazer com que ela seja beneficiada pela computação. Estar preparado é a parte mais difícil.

Como as empresas devem medir a produtividade dos funcionários?

Produtividade deve ser avaliada por quantas saídas (outputs) são originadas de uma certa entrada (input). Economicamente dizemos que as empresas devem olhar para o crescimento nas saídas, ou seja, nos serviços ou produtos que fabricam, e compararem com as forças e níveis de trabalho, os inputs. Se essa proporção é alta, com as saídas maiores do que as entradas, as companhias melhoraram sua produtividade. Em uma empresa de recrutamento e seleção, por exemplo, os recrutadores são avaliados por quantas vagas conseguem preencher. Existe uma relação entre os dados que eles recebem e o quanto eles conseguem produzir a partir de então, em uma co-relação clara entre o uso de tecnologia e suas melhorias.

A tecnologia melhorou a produtividade em todos os setores da economia?

O uso de computadores trouxe benefícios em praticamente todas as indústrias. A American Airlines, por exemplo, foi uma das primeiras a ter vantagens a partir dos sistemas informatizados, assim como o Citibank e a Cisco. A tecnologia tem sido revolucionária para as companhias.

Os países emergentes só estão vivendo a massificação da tecnologia neste momento. Essas nações deverão passar pelas mesmas etapas que os países desenvolvidos enfrentaram alguns anos atrás na popularização dos computadores?

Essas nações em desenvolvimento poderão dar alguns saltos frente ao que foi característica dos países desenvolvidos alguns anos atrás. A tecnologia móvel, por exemplo, poderá fazer com que esses países emergentes possam pular algumas etapas de investimento em infra-estrutura nas quais os países desenvolvidos tiveram que gastar muito dinheiro e ir diretamente para a tecnologia móvel, que é até mais avançada.

O especialista Nicholas Carr, ex-editor da Harvard Business Review e autor do livro “Does IT matter” prega que a tecnologia deixa gradualmente de ser diferencial ao passo que todos os concorrentes de um setor a adotam. O senhor discorda totalmente dele quando diz que a produtividade é inerente ao uso racional dos computadores?

O Nick é um estudioso muito inteligente, mas discordo dele neste aspecto. Você pode criar teorias sobre a comoditização da tecnologia, mas nós temos dados de milhares de empresas de que existem melhorias reais na produtividade, nós do MIT medimos esse resultado especialmente ao longo dos últimos dez anos. Mas mais importante do que a tecnologia é a forma como você a utiliza. Existem companhias muito criativas em usar essas ferramentas e a tecnologia abre todos os tipos de modelo de competitividade. O que faz diferença competitiva é a maneira de usar as ferramentas.

Quais os principais erros que as empresas cometem em tecnologia?

O erro mais comum é a empresa se concentrar nos custos em vez da estrutura funcional. Muitas delas ainda tentam economizar recursos com a tecnologia e erradamente acreditam que esse seja o maior benefício. As melhorias trazidas pela tecnologia mudam a relação como a empresa olhada para seus custos e também para suas receitas, ela também ajuda a identificar novos clientes desenvolver produtos. Os impactos são muito maiores do que apenas economizar alguns dólares em servidores. Para medir os benefícios reais, as empresas precisam medir, e para isso, precisam de métricas. A Cisco é uma empresa obsessiva em medir tudo da empresa e isso é bastante positivo. É necessário olhar para a empresa e depois desenvolver essas métricas para avaliar também os resultados.

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