A desigualdade em números: brancos ainda são maioria nas big techs

28,3%. Essa é a porcentagem total de profissionais negros nas chamadas big techs americanas, como Twitter, Facebook, Google, Apple e Microsoft

9%. Essa é a porcentagem somada do total de profissionais negros na indústria de tecnologia americana, que inclui as maiores empresas de tecnologia do mundo, como a Microsoft, o Google, o Twitter, o Facebook e a Apple.

Na Microsoft, por exemplo, 34,7% dos funcionários são brancos, enquanto 6,6% são negros. Na Apple, a empresa que mais tem profissionais negros da lista, com 9%, seria necessário que a empresa contratasse 5,06 mais pretos para que o valor se igualasse aos 50% brancos na companhia fundada por Steve Jobs.

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Isso que os números, se comparados a 2014, melhoraram de certa forma — mas longe de deixar a situação um pouco mais igualitária. À época, o Google e o Facebook tinham 2.0% de funcionários negros, a Microsoft 4%, e a Apple 7%. O número abaixo é baixo quando comparado ao crescimento de funcionários brancos e asiáticos nas empresas, por exemplo.

Para Amanda Aragão, gerente de atração e seleção da Mais Diversidade, o crescimento, mesmo que lento, já representa um grande avanço em relação aos anos anteriores. “Vejo que o setor de tecnologia é o que está trazendo um olhar mais estratégico para o assunto. A tecnologia trabalha mais pensando no futuro do que no presente e isso é um grande diferencial”, afirma.

Aragão, que já trabalhou com empresas como o Facebook, Microsoft, iFood e 99, acredita que a principal diferença de 2020 é que as empresas estão mais propensas a sair da teoria da diversidade para colocá-la em prática. “De fato, tudo isso ainda não se desdobrou em uma mudança do cenário porque é algo que não vai mudar do dia para o noite. E não significa que precisamos ter paciência”, diz. “As empresas que querem mudar rápido incluem metas, fazem alterações nos processos, colocam em prática pontos de ação e têm diferentes formas de entrar em contato com esses talentos. Para além de achar alguém para uma vaga específica, tanto o Facebook quanto a Microsoft, já nos contrataram para fazer o mapeamento de candidatos, independente de ter uma vaga aberta ou não, para já ter o candidato em seu banco”, afirma.

A Amazon não foi citada no gráfico porque não costuma publicar a demografia de seus funcionários da parte de tecnologia, mas afirma que 42% de seus funcionários são mulheres e quase 42% são negros ou latinos — números que podem ser inflados visando os mais de 647 mil funcionários que trabalham no centro de distribuição da companhia de Jeff Bezos.

Aragão ainda explica que, quando mudanças ocorrem nas matrizes de multinacionais, elas também tendem a ocorrer nas sucursais internacionais. A preocupação das companhias americanos em meio aos escandâlos sobre racismo nos Estados Unidos respingou — e forte — no Brasil. “O grande benefício de a gente falar das multinacionais é que esse tema está reverberando aqui. Nos Estados Unidos, a população negra é 13%, e no Brasil é 56%. Se a gente for falar das temáticas de diversidade, a racial é de longe é a mais desafiadora. 56% da população é parda ou preta não está representada nas empresas e isso é muito desafiador”, diz.

As companhias, apesar de estarem fazendo esforços para resolver a desigualdade histórica, ainda têm um longo caminho a seguir.

“São anos e anos de processos seletivos excludentes, políticas, todo o sistema é feito para deixar as pessoas negras de fora, e isso não é exclusividade do setor de tecnologia. Neste ano, vimos as empresas parando de falar que não encontram candidatos negros para se perguntarem ‘onde estão os negros?'”, diz.

A resposta parece ser bastante simples: em todos os lugares.

Asiáticos aumentam, brancos diminuem

A quantidade de brancos nas empresas não diminuiu porque a quantidade de negros, indígenas e latinos aumentou em porcentagens astronômicas, mas sim porque os asiáticos ganharam ainda mais espaço dentro das empresas de tecnologia americanas.

Nos Estados Unidos, segundo a consultoria de dados alemã Statista, em 2019, os asiáticos eram a etnia com a maior concentração de renda anual, com uma média de 98,1 mil dólares. Os brancos, em segundo lugar, tinham uma renda média de 76.057 dólares.

Em terceiro estão os hispânicos, com uma renda média de 56.113 dólares. A população negra, mais vulnerável, tinha a renda média de 45.438 dólares. No ano passado, a taxa de desemprego nos EUA também era mais alta entre negros ou afroamericanos, sendo que 5,6% deles estavam desempregados. Tanto os hispânicos quanto os pretos tinham uma renda mais baixa do que a média total americana, de 68.703 dólares.

Os problemas para o ingresso de negros na tecnologia já começa de baixo — e não é só nos Estados Unidos. Em novembro de 2019, por aqui, 64% dos desempregados eram negros.

O setor de tecnologia fatura, anualmente, cerca de 252,836 milhões de dólares, segundo uma pesquisa feita pela revista americana de negócios Fortune.

As iniciativas das big techs

Para aumentar a presença de negros e outras minorias dentro suas empresas, as big techs têm tomado algumas atitudes. A primeira delas, em 2014, foi começar a divulgar relatórios de diversidade sobre o quadro de funcionários em diferentes níveis.

Há seis anos, as companhias se juntaram em uma meta de aumentar a diversidade em suas contratações. Neste ano, após o assassinato de George Floyd, homem negro morto pela polícia americana, Mark Zuckerberg, do Facebook, afirmou que a empresa “precisava fazer mais para apoiar a igualdade e a segurança da comunidade negra em nossas plataformas”, prometendo uma doação de 10 milhões de dólares para causas sociais. Jack Dorsey, do Twitter, doou 3 milhões de dólares para a Organização Não Governamental (ONG) Know Your Rights Camp, enquanto a Amazon prometeu 10 milhões de dólares para “apoiar a justiça social” e as comunidades negras. O Google doou 12 milhões de dólares para movimentos de direitos civis e o CEO da Apple, Tim Cook, prometeu que a companhia faria doações para diversos grupos de igualdade social. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, por sua vez, doou 1,5 milhão de dólares para diversas organizações de justiça social e afirmou que aproveitaria para dar espaço às vozes de seus funcionários negros.

Também por conta de Floyd, em junho, o fundador da rede social Reddit anunciou que deixaria o cargo para dar espaço para que um presidente negro assumisse a empresa. “Estou fazendo isso por mim, pela minha família e pelo meu país”, disse Alexis Ohanian em vídeo publicado em seu perfil do Twitter. “Estou dizendo isso como um pai que precisa ser capaz de responder sua filha negra quando ela perguntar ‘o que você fez?’.”

Brancos, negros e asiáticos na faculdade

A diferença começa na base. A Statista aponta que os asiáticos são o grupo étnico com mais acesso às universidades, com 90,5% deles se formando em um curso superior; os brancos, em segundo lugar, representam 90,2%; os negros, 87,9% e os hispânicos 71,6%. O número pode não parecer tão distante assim, mas tudo muda quando o assunto é tecnologia.

Nos anos acadêmicos de 2015 a 2016, segundo o Departamento de Educação dos Estados Unidos, 33% dos formandos em cursos de Ciência, Matemática, Engenharia e Tecnologia (STEM, na sigla em inglês) eram asiáticos, 18% eram negros, 14% eram indígenas e 12% eram negros.

Um estudo mais recente, realizado em 2019, pela University of Texas at Austin, mostra que 19% de estudantes brancos começam a buscar uma especialização especialização em STEM, comparado com 20% de estudantes latinos e 18% dos estudantes negros. No entanto, 58% dos brancos se formam na área. O número cai para latinos, quando apenas 43% deles se formam, e fica ainda menor em relação aos negros, com 34% deles formados na área.

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