400 mil tablets serão vendidos no Brasil neste ano, diz IDC

As previsões para as vendas de tablets no Brasil variam bastante. Para a IDC, elas devem ficar entre 350 mil e 400 mil unidades neste ano

São Paulo — Estimar o tamanho do mercado brasileiro de tablets não é tarefa fácil. Os fabricantes geralmente tendem a chutar números altos, que podem passar de meio milhão de unidades. Já as empresas de pesquisas de mercado são mais conservadoras. A IDC, por exemplo, calcula que serão vendidos entre 350 mil e 400 mil tablets no país.

Em 2010, as estimativas apontam para vendas de 100 mil aparelhos no Brasil. Pelo menos 90% deles são iPad, da Apple. Os restantes dividem-se entre o Galaxy Tab, da Samsung, que foi o segundo mais vendido, e outros modelos.

Mas o tablet da Samsung só chegou oficialmente às lojas brasileiras na metade de novembro, e, o da Apple, no início de dezembro. Assim, eles ficaram nas lojas, em 2010, por cerca de um mês apenas. Quem não acompanha o mercado pode ter a tentação de pensar que, se 100 mil foram vendidos em um mês, as vendas de um ano inteiro serão 12 vezes isso. Mas não é bem assim.

Demanda reprimida

Luciano Crippa, gerente de pesquisas da IDC, diz que cerca de 60 mil tablets foram importados pelos fabricantes ou por seus distribuidores autorizados em 2010. Os outros 40 mil chegaram por outros caminhos – na bagagem de viajantes; via importação direta de algumas lojas; ou por contrabando.

Assim, muitos daqueles 100 mil tablets já estavam no país antes de o iPad aterrissar oficialmente aqui. "É preciso considerar, também, que havia uma demanda reprimida, que estimulou as vendas em dezembro", diz Crippa. Logo, não faz sentido esperar que as vendas se multipliquem por 12 neste ano.

Por outro lado, há vários fatores que devem estimular as vendas nos próximos meses. O principal é que a variedade de modelos disponíveis está aumentando. Além do iPad 2, já estão à venda no Brasil o Xoom, da Motorola, e o V9, da ZTE. E ainda devem chegar aparelhos de marcas como Acer, HP e LG, e novos modelos da Samsung.


Tablet brazuca

Há, ainda, pelo menos quatro modelos de tablets de empresas brasileiras, que não são vendidos em outros países: o MyPad, da Semp Toshiba; o i-MXT, da MXT; o WinPad, da Moove; e o Life, da Multilaser. Estes dois últimos têm preço sugerido de 799 reais e podem conquistar consumidores para quem o iPad e seus concorrentes mais próximos são caros demais. 

Por enquanto, os aparelhos nacionais têm sido fornecidos principalmente ao governo e a instituições de ensino. Mas outros vão surgir. Positivo e Itautec, por exemplo, já divulgaram que têm planos nessa área. E alguns desses novos modelos podem ter sucesso no varejo.

"Entre os maiores fabricantes de PCs no Brasil, há empresas brasileiras, como a Positivo. Isso também pode acontecer no mercado de tablets", diz Crippa, da IDC. Ele ressalva que, para chegar lá, essas empresas têm de trabalhar com uma plataforma que conte com bom suprimento de aplicativos e conteúdo multimídia. Senão, estarão em desvantagem em relação aos fabricantes internacionais.

Com o aumento da concorrência, os tablets já começam a se diferenciar em preço. Crippa acha que o preço médio dos aparelhos deve cair já neste ano. E esse movimento tende a se intensificar em 2012, quando haverá mais modelos fabricados no Brasil. Considerando tudo, a IDC chegou à sua previsão de que o ano deve terminar com algo entre 350 mil e 400 mil tablets vendidos no país.

A Apple sob ataque

Não há dúvida de que a Apple tende a perder participação no mercado com o tempo, tanto no Brasil como em outros países. Ela reinou quase sozinha em 2010. Agora, a concorrência será cada vez maior. Além disso, a turma da maçã tem tido problemas para abastecer as lojas. Tanto o iPad 2 como o iPhone 4 somem das prateleiras com frequência.

Mesmo perdendo participação, o iPad vai continuar sendo o líder em vendas pelo menos até o fim deste ano. Para Crippa, não há certeza de que essa liderança se mantenha em 2012. Isso vai depender, entre outras coisas, de a Apple conseguir entregar o produto em maior quantidade às lojas. A fabricação no Brasil deve contribuir para isso, desde que o volume produzido seja mesmo suficiente.

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