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Como surfar em São Paulo mudou a rotina de um executivo

Leandro Farkuh, CEO da biO2, encontrou nas piscinas de ondas uma forma mais prática de conexão com o esporte

Surfe no quintal de casa: com piscina de ondas, executivo se desenvolveu ainda mais no esporte (Leandro Farkuh/Arquivo Pessoal)

Surfe no quintal de casa: com piscina de ondas, executivo se desenvolveu ainda mais no esporte (Leandro Farkuh/Arquivo Pessoal)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.

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Um oceano azul é a metáfora de como empresários definem uma lacuna de mercado a ser ocupada, com pouca concorrência e amplo espaço para crescer. Foi esse o cenário encontrado pela biO2 no fim dos anos 1990, quando a empresa reativou a produção de barras de cereais depois que a fábrica em que Leandro Farkuh trabalhava encerrou essa linha de negócio. Oceano azul também foi o local onde o empresário, CEO da bio2, aprendeu a separar o trabalho do lazer, com esportes aquáticos como o surfe. Hoje, a prática acontece em um novo endereço, longe do mar: uma piscina de ondas a poucos minutos de sua casa, em São Paulo.

O empresário começou a surfar aos 18 anos e nunca se limitou a uma única modalidade. “Eu gosto de fazer todos os tipos de esportes de praia”, diz, citando o kitesurfe, o kite foil, o longboard e o surfe convencional entre suas práticas favoritas. Antes da chegada da piscina à capital paulista, a rotina exigia planejamento e paciência para conciliar a agenda de trabalho com as viagens ao litoral. Mas o cenário mudou. “Não há mais a correria para conseguir chegar ao clube, além da garantia de que a onda vai estar lá me esperando. Isso é muito prazeroso.”

A piscina funciona das 6h às 22h, o que permitiu à Farkuh reorganizar completamente seus horários de treino. “Imagina você estar em São Paulo surfando à noite em um ambiente controlado”, diz. Ele reconhece que as ondas artificiais apresentam prós e contras. Por serem sempre iguais, permitem repetir manobras à exaustão, mas também limitam a variação de estímulos que o mar oferece naturalmente. Ainda assim, o impacto na performance é evidente. “Os atletas profissionais que estão surfando na piscina [de ondas] estão melhorando muito a qualidade de surfe nos campeonatos.”

Para Farkuh, a experiência ampliou, inclusive, a maneira como ele enxerga a própria disposição física. “Eu nunca trabalhei tanto na vida”, diz. Mas, acrescenta, com mais energia, atribuída diretamente à prática esportiva regular. Farkuh também destaca a dimensão emocional do esporte como válvula de escape para a rotina de uma cidade grande, algo que considera praticamente obrigatório para qualquer pessoa.

O executivo continua praticando outras modalidades aquáticas, como o kitesurfe, que ocupa um lugar especial para ele. Há 20 anos, Farkuh viaja anualmente ao litoral cearense, que descreve como o melhor cenário do país para o esporte. “O Brasil tem o maior, melhor e mais constante vento do mundo”, afirma, comparando a região ao Havaí no universo do surfe tradicional. Nessas viagens, o vento e o formato do litoral permitem sessões longas, com mais de três horas de prática por dia. Além do kitesurfe, Farkuh pratica mountain bike e escalada, muitas vezes combinando essas atividades em trilhas na natureza — de preferência ao lado da família.

A relação com o esporte é indissociável de sua visão sobre alimentação e bem-estar, pilares da biO2. Para ele, o contato com ambientes naturais é parte essencial da equação, “como uma forma de cura”, diz.

Essa busca por reconexão com a natureza também guiou um dos projetos mais simbólicos da empresa: a recuperação de uma área na Serra da Mantiqueira, na divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A região, descrita por Farkuh como “o berço das águas” dos três estados, abrigava um fragmento de Mata Atlântica bastante degradado quando a biO2 adquiriu o terreno. Com o apoio de parceiros, a empresa reflorestou 77 hectares, hoje com cinco anos de floresta recuperada.

O local, situado próximo a São Bento do Sapucaí e Piranguçu, Minas Gerais, também se tornou um espaço de prática esportiva para a família e para o time da marca, reunindo trilhas, escalada e mountain bike em meio à mata reconstituída — uma extensão física da filosofia que a biO2 tenta transmitir por meio de seus produtos, como salgadinhos, barras proteicas, suplementos e cereais, com ingredientes com benefícios nutricionais. Com isso, são mais de 60 ingredientes proibidos nas receitas da marca, entre conservantes, agrotóxicos e adoçantes artificiais.

Para Farkuh, esporte, alimentação e natureza formam um mesmo ciclo. “Você é o que você come, é uma verdade”, resume, ao explicar por que trata a rotina esportiva — seja no mar, seja na piscina, seja na floresta — como parte inseparável de sua identidade pessoal e profissional.

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