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Tamanho família: ícone do centro de SP, Galeria do Rock entra em nova fase para continuar lotada

Shows no terraço e hub de encontro para shows internacionais fazem a Galeria do Rock renovar o público

Antônio de Souza Neto, o Toninho da Galeria, e Marcone Moraes: pai e filho tocam o dia a dia da Galeria do Rock (Leandro Fonseca/Exame)

Antônio de Souza Neto, o Toninho da Galeria, e Marcone Moraes: pai e filho tocam o dia a dia da Galeria do Rock (Leandro Fonseca/Exame)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.

Última atualização em 30 de julho de 2026 às 07h31.

 Poucas pessoas conhecem a Galeria do Rock tão bem quanto Antônio de Souza Neto. Jornalista de formação e fotógrafo por vocação, Toninho, como é conhecido, é síndico do prédio há 33 anos. Nesse período, viu um dos endereços mais famosos de São Paulo sobreviver à crise do Centro na década passada e às mudanças do mercado musical. Com a música migrando para o streaming, a Galeria se reinventou como ponto de encontro para quem vive o rock além do som: camisetas, tênis, cervejarias e estúdios de tatuagem.

Nem sempre foi assim. Com a falta de segurança do Centro, o fluxo de visitantes caiu 40% na década passada. “Vinham mais turistas de fora do que moradores”, afirma Marcone Moraes, filho de Toninho e vice-presidente do Instituto Cultural Galeria do Rock. A principal aposta para a retomada foi reabrir o terraço para shows aos sábados à tarde. Com rock em plena luz do sol, chegou um público pouco comum no passado: famílias. “Eles assistem ao show, visitam as lojas e acabam redescobrindo o Centro”, diz Moraes. Hoje, 15.000 pessoas passam por ali todos os dias. Nos fins de semana, o número pula para 25.000.

As cerca de 200 lojas em funcionamento, 92% da ocupação do prédio, faturaram 185 milhões de reais em 2025, e a receita deve subir 10% neste ano. A próxima aposta é atrair quem viaja a São Paulo para os grandes shows internacionais. Em parceria com a marca de roupas Consulado do Rock, Marcone acaba de inaugurar uma loja de produtos oficiais de bandas. “Muita gente chega alguns dias antes do show. Queremos que esse público inclua a Galeria no roteiro.” É um cenário bem diferente de 1993, quando Toninho assumiu a administração com o prédio prestes a ser interditado, entre rodas de punk e brigas generalizadas. Foi também naquele ano que nasceu uma das lendas do lugar: a suposta visita de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana. Três décadas depois, a Galeria do Rock continua fazendo o que sempre fez de melhor: manter o rock vivo enquanto conquista novas gerações. Smells like teen spirit.

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