Diretor de redação da Exame
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 11h57.
Sergio Lopes, Casimiro Miguel e Edgard Diniz: parceria de 11 anos levou à construção de um modelo de negócios inédito no país (Leandro Fonseca /Exame)
Um dia de trabalho do jornalista carioca Casimiro Miguel pode começar tarde, por volta das 12 horas. Antes de sair de casa, aula de inglês. De estômago vazio, ele cruza de carro a cidade do Rio até a empresa em que é sócio, em Botafogo.
É onde fica a sede da CazéTV, canal esportivo que leva seu rosto, e de sua controladora, a agência LiveMode. Ali, Casimiro almoça de forma improvisada joelho (como os cariocas chamam um salgado de queijo com presunto) e bombas de chocolate. De moletom e calça escuros e com o mesmo despojamento que demonstra ao vivo, participa de reuniões e emenda nos corredores conversas com tom de papo de bar entre amigos.
Depois, já em casa, ele costuma fazer lives madrugada adentro interagindo com seus seguidores, tratando de temas tão aleatórios quanto “qual a única perna do saci: direita ou esquerda?” ou “qual o verdadeiro nome da Branca de Neve?”.
Casimiro é capaz de engajar com seus seguidores nas pautas mais variadas possíveis, sem entrar em polêmicas nem baixarias. É uma combinação valiosa.
Ele despontou na pandemia, reagindo a arrumação de lancheiras, casas milionárias ou tráfico de drogas em aeroportos. Seu canal de cortes no YouTube tem 4 milhões de seguidores e mais de 2 bilhões de visualizações.
Mas foi no esporte que ele encontrou um filão capaz de transformar não só a sua vida, como o próprio mercado de entretenimento brasileiro.
Em 2022, poucas semanas antes da Copa do Mundo, foi convidado pela LiveMode, dona dos direitos digitais do torneio, a transmitir 32 partidas no YouTube. A CazéTV, criada às pressas, foi um sucesso.
Quatro anos depois, será a única emissora do Brasil a transmitir todos os 104 jogos da Copa 2026, em parceria com o YouTube. Globo, SBT e N Sports vão exibir apenas uma parte das partidas, em canais de TV aberta e por assinatura (veja quadro abaixo).
É uma mudança tectônica no mercado brasileiro e, até aqui, o maior case global de sucesso nas transmissões esportivas online. Juntos, CazéTV e YouTube já negociaram 11 cotas de patrocínio para o mundial, com receita estimada em R$ 2 bilhões.
É o mesmo faturamento previsto pela Globo, que negocia um total de seis cotas com seus anunciantes. A Rede Globo exibe os jogos da Copa do Mundo desde a primeira transmissão ao vivo no país, em 1970.
Naquele ano, o Brasil conquistou o tricampeonato no México, e a Globo chegou às casas brasileiras em transmissões lideradas por João Saldanha, jornalista que tinha treinado a seleção até poucos meses antes do torneio.
De lá para cá, os torcedores viram pela tela da emissora a decepção de 1982, o tetra de 1994, o penta de 2002, e o 7 a 1 de 2014. Agora, pela primeira vez na história, o protagonista está na internet — e todos os olhos estão voltados para a inusitada sociedade que criou a CazéTV.
Ilha de edição da CazéTV: investimento para ser protagonista em cada vez mais eventos esportivos (Leandro Fonseca /Exame)
A EXAME negociou por meses até conseguir uma entrevista com Casimiro. A conversa aconteceu numa tarde chuvosa de fins de outubro, num dos estúdios do prédio que abriga a CazéTV e a LiveMode.
Com ele estavam seus sócios Edgar Diniz e Sergio Lopes. Eles são todos sócios da LiveMode, agência focada na negociação de direitos e busca de oportunidades comerciais em clubes e federações. A CazéTV, de propriedade da agência, é o canal focado em produção de conteúdo esportivo. Diniz e Lopes são responsáveis pela estratégia dos negócios do grupo.
Casimiro é quem dá o tom das transmissões na CazéTV e faz a conexão com o público, 80% dele com menos de 44 anos. “A LiveMode tem a conexão com os detentores de direitos. A CazéTV, uma conexão muito forte com um público que estava desconectado do esporte”, diz Casimiro. “De 2022 para cá, conseguimos um nível de audiência, de engajamento e de construção de comunidade que nunca tinha sido visto no mundo digital”, diz Sergio Lopes.
Os três se conheceram em 2014, quando Casimiro começou a trabalhar no Esporte Interativo, um canal que tinha Lopes e Diniz como sócios. Ali, a visão já era de descentralizar as transmissões, com foco inicial nos campeonatos europeus de futebol. Eles também vislumbraram a oportunidade de criar produtos e negociar direitos para clubes e federações.
O Esporte Interativo foi vendido para a Turner, gigante parte do grupo WarnerBros, em 2015. Lopes e Diniz continuaram prospectando oportunidades e criaram a LiveMode em 2017, com o objetivo de trabalhar com clubes, ligas e federações para distribuir direitos e monetizar produtos esportivos.
O maior desafio era ajudar clubes e federações, acostumados à televisão tradicional, a criar conteúdo online e encontrar novas formas de monetização digital. Em 2019, a agência adquiriu os direitos da Copa do Nordeste e começou a construir um formato de produção e distribuição de conteúdo com forte conexão com os canais digitais.
Em 2021, fechou uma parceria com a Federação Paulista e fragmentou os direitos de transmissão, incluindo oferta em Facebook e YouTube, elevando as receitas em 40%.

Em paralelo, Lopes e Diniz se mantinham conectados a Casimiro, em projetos como o De Sola, canal no YouTube que o influenciador criou com seu amigo Pedro Certezas a partir de um projeto nascido dentro do Esporte Interativo.
Casimiro continuou funcionário do Esporte Interativo (rebatizado de TNT Sports) até 2022, mas a partir da pandemia, em 2020, passou a dedicar cada vez mais tempo a lives transmitidas, sobretudo, na Twitch. Virou uma celebridade espontânea.
No fim daquele ano, a história do trio voltou a se cruzar quando a LiveMode passou a gerir os direitos de transmissão do Athletico Paranaense. Como Casimiro é vascaíno até a medula, foi convidado para transmitir um jogo contra o Vasco num formato inédito, por pay-per-view. Mais de 40.000 pessoas pagaram para ver aquela única partida.
“Foi surreal”, relembra o jornalista. “Não tínhamos noção do potencial. Vimos que havia uma demanda gigante de pessoas querendo assistir a jogos de uma forma diferente.”
Aquela experiência inaugurou uma leva de inovações na transmissão dos jogos que mais tarde viraria marca da CazéTV. Janelas na tela exibem a reação dos narradores em tempo real. Comentaristas de fora do ambiente esportivo viraram figuras frequentes, como o jornalista Chico Barney, especialista em cultura pop.
Nas Olimpíadas de 2024, o comentarista Pedro Scooby abordou os surfistas ainda na água, conseguindo declarações espontâneas dos competidores.
“Ele quebrou todos os protocolos. O Comitê Olímpico nos disse que não podíamos fazer aquilo, mas que foi muito legal”, relembra Casimiro.
Na Copa do Mundo de Clubes de 2025, o canal levou um influenciador vestido de ketchup para uma partida entre Fluminense e Inter de Milão, ironizando o fato de os cariocas colocaram ketchup na pizza.
No último Brasileirão, a CazéTV montou uma festa para celebrar o aniversário de Casimiro no gramado do Maracanã, e convidou os jogadores do Vasco e do Fluminense após uma partida.
“Não queremos fazer nada proibido, mas acreditamos que algumas coisas podem ser repensadas. Isso aproxima o público dos times, dos jogadores, e aproxima os jogadores do público”, diz Casimiro. “Não precisamos ser amigos dos jogadores, mas eles entendem que estão num ambiente seguro para falar.” A abertura para que cada um dê seu tom nas transmissões também virou marca. O narrador Luís Felipe Freitas é assumidamente torcedor do Fluminense, por exemplo.
Jogo da seleção brasileira: desde 1970, no tricampeonato, a televisão aberta é a protagonista (Franco Arland/Getty Images)
Após os sucessos iniciais em transmissões esporádicas, a CazéTV nasceu de um acaso.
Em 2020, a Fifa (a federação internacional de futebol) contratou a LiveMode como agência para vender patrocínios regionais para a Copa do Mundo. Em paralelo, a Rede Globo pediu à Fifa uma revisão no valor dos direitos de transmissão da Copa, num contexto de redução de custos em meio à pandemia de covid-19.
Na negociação, abriu mão dos direitos de transmissão digital das partidas. A LiveMode começou a buscar interessados em transmitir as partidas online de forma não exclusiva. Conversa vai, conversa vem, viu uma oportunidade de entrar num novo negócio: por que não transmitir por conta própria?
Apresentou o projeto da CazéTV, e a Fifa topou ceder os direitos por valores que o mercado considera “simbólicos”. O canal foi criado às pressas e nasceu no dia da estreia do Brasil, contra a Sérvia. As janelas de reação dos narradores foram mantidas. Do Catar, o humorista Diogo Defante complementava o tom de irreverência das transmissões.
Foi um sucesso estrondoso, chegando a 6,9 milhões de visualizações simultâneas na partida de quartas de final entre Brasil e Croácia, até hoje um recorde para o futebol ao vivo.
De 2022 para cá, o improviso deu origem a um negócio bilionário. A CazéTV transmite campeonatos como o Italiano, o Francês e o Alemão, assim como o Brasileirão, o Paulista, e uma infinidade de esportes olímpicos.
Já fechou também para exibir, além da Copa do Mundo, a Copa do Mundo Feminina de 2027 e os Jogos Olímpicos de 2028. O time cresce junto, com a chegada de reforços como a ex-jogadora de futebol Juliana Cabral. No total, já são 300 funcionários.
É uma mudança de patamar impulsionada pela chegada de dois novos sócios à LiveMode, os fundos de private equity da XP e da General Atlantic, em 2024.
“Encontramos na empresa e em seus sócios uma capacidade única de reinventar a cadeia de valor do esporte e do entretenimento”, diz Guilherme Teixeira, sócio do prive equity da XP Asset e conselheiro da LiveMode. “A CazéTV deixou de ser um projeto inovador para se tornar parte do cotidiano da família brasileira.”
Para a americana General Atlantic, o chamariz foi poder entrar numa empresa que desponta num mercado em disrupção — foi a mesma lógica que fez a gestora investir no QuintoAndar, de imóveis, ou na plataforma de saúde Wellhub.
Segundo Luiz Ribeiro, sócio da gestora, assim como esses negócios, a LiveMode se encaixa em grandes tendências globais e tem potencial para crescer em novos mercados.
Em dezembro, a companhia anunciou o lançamento de um canal digital em Portugal, onde exibirá 32 jogos da Copa. “Nosso histórico mostra que há oportunidade de internacionalização de companhias brasileiras. A LiveMode tem uma energia diferente e uma forma de transmitir esporte que é exportável”, diz Ribeiro.
A CazéTV negociou 11 cotas para a Copa 2026, com preço de tabela de 185 milhões de reais, em apenas 20 dias. Vendeu até aqui mais duas cotas para a Casa CazéTV, espaço imersivo a ser construído em São Paulo e no Rio de Janeiro, para Mercado Livre e iFood. Pela primeira vez, o YouTube participou com a LiveMode das negociações de patrocínio.
“Quatro anos atrás, entramos, aos 45 do segundo tempo, na Copa de 2022. Mas, agora, o torcedor já criou o hábito. Os bares e as famílias vão ligar a tevê e deixar no YouTube e na CazéTV”, diz Victor Machado, head de esporte, TV e filmes do YouTube. “Entendemos o esporte como uma alavanca de receita global — e o Brasil é o país mais avançado em desenvolvimento do ecossistema.”

Aos patrocinadores, a ideia é oferecer não só a visibilidade durante todos os 104 jogos do mundial, mas também uma variedade de conteúdos e ferramentas. Apenas a CazéTV, por exemplo, tem direito de usar cortes dos jogos em redes sociais como o Instagram. O objetivo, como explica Machado, é “dominar as conversas”.
“A transmissão por si só não é o principal fator de engajamento. Nosso interesse é estar dentro da narrativa de futebol”, diz Iuri Maia, diretor de estratégia de marca do Mercado Livre. A empresa estuda levar à Copa experiências já bem-sucedidas em quatro anos de parceria com a CazéTV, como o uso do YouTube Shopping durante três jogos do Flamengo no Mundial de Clubes de 2025, o que permitiu a compra direta na tela de transmissão.
O iFood também prevê replicar na Copa resultados bem-sucedidos em eventos anteriores de uma parceria que começou em 2022. Na Copa do Mundo Feminina de 2023, as ativações ao vivo geraram picos de até +61% de acessos ao app, e um total de 1,9 milhão de pessoas acessaram a página da marca.
Para as grandes marcas, o plano é usar as transmissões no YouTube como um dos braços de uma estratégia mais ampla de conexão com o mundial.
Na Copa Feminina, por exemplo, o iFood foi pioneiro ao transmitir jogos ao vivo dentro de seu app de delivery.
Neste ano, o Mercado Livre terá ações também com Neymar e Ronaldo, seus embaixadores.
A Vivo, que patrocina a seleção há 24 anos e também está no pacote da Globo para o futebol, aproveitará a parceira com a CazéTV para reforçar sua campanha do torcedor “roxo”, cor símbolo da marca.
Vai escalar embaixadores como Vini Jr., Rayssa Leal, Gabriel Medina — e também Casimiro. “Ele tem a essência do brasileiro roxo, mais solto, mais humano.
Vimos nele e no time uma possibilidade de criar conteúdo. Vamos apostar nas transmissões, mas também nas redes sociais, nos cortes, nas collabs”, diz Marina Daineze, vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Vivo. A Ambev, por sua vez, vai patrocinar tanto a CazéTV quanto a Globo, e está criando campanhas com o técnico da seleção, Carlo Ancelotti — vai levar o italiano, por exemplo, para acompanhar o Carnaval no Rio, em São Paulo e em Salvador.

A disputa por atenção tende a ser um desafio para a CazéTV, que já deixou de ser uma novidade e cobrou de seus anunciantes como uma veterana. A interatividade e o engajamento vão se sobressair a audiências que ainda tendem a ser consistentemente maiores na televisão aberta?
Nas Olimpíadas, por exemplo, jogos da seleção feminina renderam picos de audiência de até 20 milhões de espectadores para a Globo, até quatro vezes os da CazéTV. No Mundial de Clubes, alguns jogos do Flamengo na tevê aberta chegaram a picos de 28 milhões de pessoas.
Para complicar o cenário, o sinal da televisão costuma chegar alguns segundos antes que o da internet em muitos pontos do país — pode ser uma diferença essencial em jogos decisivos. O SBT e a N Sports investiram em narradores conhecidos, como Galvão Bueno e Tiago Leifert, para atrair público.
A Globo aposta no ecossistema, com TV Globo, SporTV, GE TV, Globoplay, sites, afiliadas e uma rede de creators em parceria com a agência Play9.
“É uma cobertura pensada para gerar conversa em todas as telas”, diz Manzar Feres, diretora de negócios da Globo. A GE TV, canal digital lançado pela emissora em setembro para bater de frente com a CazéTV, não poderá transmitir a Copa no YouTube. Ficará restrita ao Globoplay.
Mas, nos últimos meses, torneios que permitiam uma competição direta mostraram que a novidade já incomoda a emissora da LiveMode. Na final do Mundial de Clubes entre Flamengo e PSG, a GE TV chegou a picos de 5 milhões de espectadores, ante 4,1 milhões da concorrente. No Instagram, por outro lado, a CazéTV ganhou de lavada: 16 milhões de interações contra 1,8 milhão.
Para além da Copa, a disputa traz duas notícias ao torcedor, uma boa e outra nem tanto.
Teremos mais esportes gratuitos. Mas a pulverização de canais e a dificuldade de descobrir onde cada jogo vai ser transmitido tendem a continuar.
A televisão a cabo, onipresente há alguns anos e ainda a principal mídia para esportes na Europa e nos Estados Unidos, será apenas uma peça de um mercado cada vez mais fragmentado.
Os direitos de grandes campeonatos estão cada vez mais caros e, para fazer a conta fechar, a tendência é que CazéTV, Globo, SBT, Record, N Sports ou mesmo os streamings como Amazon e Disney dividam a conta com uma ampla gama de concorrentes.
“Para gigantes como a Globo, não faz sentido transmitir todos os jogos da Copa, nem todos os eventos da Olimpíada. A pulverização dos direitos esportivos é um fenômeno global”, diz Eduardo Corch, professor de marketing no Insper e diretor-geral da agência EMW.
A especificidade brasileira é a predominância de canais gratuitos — na TV aberta e, agora, no YouTube. “A massa não quer pagar por esportes. Por isso, democratizar os eventos é uma estratégia com tanto valor”, diz André Barros, fundador da N Sports.
A LiveMode está nas duas pontas dessa transformação. Como agência esportiva, tem trabalhado com clubes e federações nas estratégias de negociação de direitos.
É sócia, por exemplo, da Liga Forte União (LFU), um dos dois grupos que reúnem clubes brasileiros interessados em modernizar o campeonato nacional. Negociou os direitos de transmissão para uma variedade de canais, como CazéTV, Record, Premiere, Amazon.
O grupo concorrente, chamado Libra, fechou um contrato exclusivo com a Globo. Negociar direitos e transmitir as partidas é uma dualidade de atuação que leva a questionamentos sobre um potencial conflito de interesses.
“Você é mandatário e vende para uma empresa que também é sua. O conflito é claro”, diz um concorrente. “Os sócios da LiveMode são inteligentes em encontrar oportunidades no mercado. Eles criaram um movimento que na última década trouxe mais dinheiro para o futebol”, diz César Grafietti, especialista em negócios do esporte. Na negociação dos direitos da LFU, por exemplo, anunciada no início de 2025, a receita cresceu 55% em relação ao contrato anterior, chegando a 1,7 bilhão de reais ao ano.
O desafio, neste mundo novo, é manter a CazéTV à frente de uma revolução que seus próprios sócios criaram. Casimiro Miguel começou no quarto de casa e em cinco anos dá a cara a um negócio que desafiou os gigantes do setor.
E se neste momento alguém numa garagem estiver criando um negócio com potencial de causar uma nova disrupção? Para Casimiro, é uma possibilidade fascinante.
“Eu acho muito legal essa ideia de alguém numa garagem desafiando a gente. Eu vim dessa garagem. Não posso dizer que não tem como. Pode ter como”, diz. “Nosso desafio é atrair essa pessoa para trabalhar com a gente. Ou fazer melhor.” A maior aventura da história da CazéTV começa no dia 11 de junho de 2026, quando o México enfrenta a África do Sul no Estádio Azteca, na Cidade do México.
No mesmo estádio, 56 anos antes, o Brasil derrotou a Itália na final da Copa de 1970. O mundo é uma bola.
Casimiro Miguel, Edgar Diniz e Sergio Lopes falam dos diferenciais da LiveMode e da CazéTV e da distância que viam entre jornalismo e atletas
Edgar Diniz, Casimiro Miguel e Sergio Lopes: linguagem conectada com as redes (Leandro Fonseca /Exame)
Conhecido das lives na pandemia, o jornalista carioca Casimiro Miguel passou a ser oficialmente sócio da agência LiveMode em novembro.
Seu papel permanece o mesmo desde a criação da CazéTV, em 2022: conexão com o público, sobretudo o jovem. Seus sócios Edgar Diniz e Sergio Lopes são os responsáveis pela estratégia de negócio. Os três falaram com a EXAME na sede da empresa, no Rio de Janeiro.
Edgar Diniz: O desafio que nos colocamos era construir um novo jeito de levar esporte para as novas gerações. Precisávamos entender o que o público estava querendo de diferente, e construir os canais de distribuição para chegar às novas gerações. Tínhamos também a visão da fragmentação dos canais de distribuição, e pensamos em como montar essa combinação de coisas e fazer disso uma revolução.
Sergio Lopes: Como LiveMode, trabalhamos com as entidades esportivas e entendemos as dores do momento de fragmentação da mídia. Sabíamos que o esporte tinha que entrar no mundo digital com uma linguagem própria e conectada com esse público das redes sociais e das plataformas de streaming.
Casimiro Miguel: que vai nos levar adiante não é o jeito que a gente faz, é a inquietude de fazer coisas novas. No Vasco e no Fluminense, fizemos meu aniversário no gramado do Maracanã. Quando trouxemos a ideia para o Maracanã, eles falaram “não tem como”. As coisas estão sendo feitas de uma forma igual por muito tempo. A nossa inquietude é questionar. Não queremos fazer nada proibido, mas queremos que algumas coisas possam ser repensadas. Porque isso aproxima o público dos times, dos jogadores, aproxima os jogadores do público.
Casimiro: Você não precisa ser amigo do jogador, mas ele precisa estar num ambiente seguro para falar coisas que não falaria num ambiente inseguro. O jornalismo está num ambiente de “eles lá e a gente aqui”, só que às vezes eles estão tão lá, e a gente tão aqui, que você não tem mais contato. Isso é um problema.
Casimiro: Não sou empresário, não gosto de me colocar assim. Eu não me forjei para ser assim, não esperava me tornar esse cara. É uma posição legal, você estar presente nas decisões. Mas não esperava me tornar um cara com responsabilidade, ou a cara de um negócio. Eu sou um jornalista. Sou um cara normal. Que tem algumas responsabilidades a mais ou a menos que outras pessoas. Não me vejo como o empresário Casimiro.
Sergio: A gente não precisa do Casimiro empresário. Deixa que a gente faz a parte chata do lado de cá.
