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Na era ESG, jovens trazem sustentabilidade à gastronomia e ao esporte

João Diamante, Cesar Cielo e Roberta Negrini contam mais sobre os negócios com viés social de que fazem parte

Lapidado pela gastronomia 

Quando João Diamante pilotou um fogão industrial pela primeira vez, ele confirmou uma certeza: sua paixão pela gastronomia. A cena aconteceu em um posto da Marinha onde o baiano criado na favela de Divineia, no Rio de Janeiro, serviu dos 18 aos 22 anos. 

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O talento e a popularidade na internet, onde também é modelo e influenciador, renderam a Diamante uma vaga de apresentador do Garimpeiro do Sabor, programa do canal fechado Woohoo, e 100.000 seguidores no Instagram. O chef faz questão de dizer que suas conquistas só se fizeram possíveis graças às chances que recebeu. “Já fiz teatro, balé e capoeira em projetos sociais. Se cheguei aonde estou foi porque me deram oportunidade.”

Entusiasta da cozinha brasileira, foi na França que Diamante começou a esboçar seu próprio projeto social. Na época, ele havia ganhado uma bolsa de intercâmbio para trabalhar no Le Jules Verne, no alto da Torre Eiffel e comandado pelo chef francês Alain Ducasse. Assim, em 2006, nasceu o Diamantes na Cozinha. 

Diamante equilibra sua agenda entre a cozinha do restaurante itinerante Na Minha Casa, onde os pratos custam o que o cliente pode pagar, e as aulas de culinária no Diamantes na Cozinha. “Priorizamos quem nunca teve oportunidade de fazer um curso. Muitos alunos saem do projeto entendendo sobre alimentação, hospitalidade e empreendedorismo e abrem seus próprios negócios.” O projeto criado já transformou a vida de mais de 250 jovens. 

Campeão olímpico no terceiro setor

Dentro da água, Cesar Cielo é o nadador brasileiro mais veloz e premiado da atualidade. Único atleta nacional a conquistar o ouro nos 50 metros livres até hoje, Cielo coleciona três medalhas olímpicas (ouro e bronze em Pequim 2008 e bronze em Londres 2012) e 16 medalhas mundiais, das quais 11 são de ouro. O que nem todo mundo sabe é que, fora das piscinas, Cielo também comanda uma instituição em prol de futuros esportistas.

Fundado em 2010 por Cielo e seus pais, o Instituto Cesar Cielo já beneficiou centenas de crianças e adolescentes que aprendem a nadar e a competir em torneios sem pagar nada. “Nos Estados Unidos é muito comum ver essa relação entre atletas e o terceiro setor. No Brasil, é difícil encontrar projetos desse tipo que sejam bem-sucedidos”, diz Cielo. “Não começamos a instituição com o objetivo de criar campeões olímpicos, e sim de dar oportunidade para quem não pode pagar pelo esporte, que ainda é muito elitizado.”

O Instituto Cesar Cielo funciona em dois clubes localizados em Itajaí, em Santa Catarina, e Valinhos, interior de São Paulo. O modelo de financiamento do projeto é híbrido: os espaços e a manutenção das piscinas ficam por conta das prefeituras locais. As aulas, o pagamento de professores e dos materiais de natação utilizados saem do caixa da instituição e de incentivos públicos de fomento ao esporte.

“Sempre acreditamos no esporte como ferramenta de transformação social. Quando algum aluno da instituição ganha bolsa em escolas particulares ou é convidado para treinar em clubes maiores, sentimos que estamos cumprindo nosso propósito”, afirma Cielo. 

 A moda é ser consciente

“Eu era o tipo de pessoa que sonhava em ser gerente de uma multinacional aos 25 anos”, diz Roberta Negrini, pernambucana que largou cargos de direção na Natura e na Avon para fundar sua própria marca em 2016.

Hoje, ela é dona da Eu Visto Bem, marca têxtil com certificado internacional Sistema B. O selo, que reconhece negócios que aliam lucro e impacto social, destacou a empresa entre as 5% com maior valor positivo no mundo.

"Quis criar uma marca que onerasse o mínimo possível o ambiente e maximizasse ao máximo o social", diz a empresária, que só emprega mulheres.

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Roberta Negrini: 200 presidiárias empregadas

Roberta Negrini: 200 presidiárias empregadas (Leandro Fonseca/Exame)

Contando com Negrini, 89 colaboradoras compõem a Eu Visto Bem. Destas, 51 são presidiárias nas penitenciárias femininas do Butantã e de Santana, em São Paulo, e 13 são ex-detentas. Dentro ou fora da prisão, todas as costureiras recebem o mesmo salário: 1.400 reais.

A marca, como gosta de ressaltar Negrini, “é um negócio, não uma ONG”, e já beneficiou 200 mulheres — 87% delas não voltaram a cometer crimes. A empresa confecciona roupas para empresas terceiras. Entre os clientes estão Natura, Zara, Farm e Renner, que em janeiro lançou uma coleção de 40.000 peças costuradas pelas presidiárias.

Em 2020, a marca faturou 2,5 milhões de reais. Neste ano, a previsão é de 3,5 milhões de reais. “Temos a cultura equivocada de que empresas com propósitos ambientais e sociais não dão lucro”, diz.

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