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Base rachada? Ataques de Trump ao Canadá geram reação entre republicanos e militares

Ofensiva comercial e ataques à capacidade militar canadense provocam críticas de republicanos e ex-comandantes americanos

Donald Trump, presidente americano, com o premiê canadense Mark Carney: insultos e disputas comerciais agravam relação entre aliados (Ludovic MARIN / POOL / AFP)

Donald Trump, presidente americano, com o premiê canadense Mark Carney: insultos e disputas comerciais agravam relação entre aliados (Ludovic MARIN / POOL / AFP)

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h01.

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Os ataques do governo de Donald Trump ao Canadá provocaram reação entre ex-integrantes da área de segurança nacional dos Estados Unidos e membros do próprio Partido Republicano, que acusam a Casa Branca de constranger o país e desrespeitar um de seus principais aliados históricos, segundo reportagem do jornal Financial Times (FT).

As críticas se intensificaram após o fracasso das negociações comerciais entre Washington e Ottawa, na sexta-feira, expondo divergências dentro do próprio movimento político de Trump a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA. No imbróglio, Trump voltou a atacar o Canadá na terça-feira ao afirmar que gostaria de renomear o Lago Ontário para “Lago América”, justificando a proposta com a expectativa de que os Estados Unidos deixem de fazer negócios com a província canadense.

A declaração ocorreu um dia depois de Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário, ter chamado Trump de “perdedor”. O vice-presidente americano, JD Vance, também intensificou os ataques durante um discurso no estado de Maine, que faz fronteira com o Canadá. Em tom irônico, Vance chegou a se referir ao Canadá como um “estado” americano, em uma nova alusão à ideia defendida por Trump de transformar o país vizinho no 51º estado dos Estados Unidos.

Vance também afirmou que o Canadá subinvestiu em suas Forças Armadas e que, sem a proteção dos Estados Unidos, poderia ser invadido por outro país. A declaração foi acompanhada por comentários semelhantes do secretário de Transportes, Sean Duffy, que disse que o Canadá seria um país sem forças militares.

Condenação entre camaradas

Imbróglio com Canadá põe em risco relações de Trump com aliado histórico e com sua própria base eleitoral em casa (ANDREJ IVANOV/AFP)

As declarações provocaram uma reação entre antigos comandantes americanos. O general aposentado Ben Hodges, que serviu como comandante-geral das forças armadas americanas na Europa, e como conselheiro sênior da Otan, criticou Duffy e lembrou que tropas canadenses lutaram ao lado de militares dos EUA em diferentes conflitos, incluindo a guerra do Afeganistão.

O Canadá enviou cerca de 40 mil militares ao Afeganistão ao longo de 12 anos e registrou 158 mortes durante a missão. Outros oficiais americanos aposentados também destacaram o histórico de cooperação entre os dois países, incluindo a participação canadense no Dia D, a invasão aliada da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial.

Por sua vez, a antiga diretora de inteligência do Comando Central dos EUA, Karen Gibson, também defendeu as forças canadenses e destacou sua participação em operações no Afeganistão, no Iraque e no Kuwait. Segundo ela, a presença canadense fortaleceu as operações militares americanas.

Para antigos integrantes das Forças Armadas americanas, a ofensiva contra o Canadá também representa um risco para uma relação militar construída ao longo de décadas. A reação evidencia que a política de confronto de Trump começa a encontrar resistência não apenas entre democratas, mas também em setores tradicionalmente alinhados ao Partido Republicano, segundo o Financial Times.

A parceria entre os dois países também se estende à defesa continental. O Canadá e os Estados Unidos integram o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad), uma estrutura importante para a segurança da região.

A crise diplomática ocorre paralelamente ao agravamento da disputa comercial. Após o colapso das negociações, Washington impôs novas tarifas sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses e Trump anunciou que pretende elevar para 50% as tarifas sobre automóveis e peças importadas do país.

Ottawa preparava medidas de retaliação enquanto a troca de acusações se intensificava. Trump também voltou a chamar o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de “governador”, tratamento antes usado contra o ex-premiê Justin Trudeau.

A ofensiva comercial passou a gerar preocupação entre republicanos que disputam eleições em estados em que consumidores e empresas podem ser diretamente afetados pelas tarifas. A senadora Susan Collins, do Maine, afirmou que impor novas taxas ao Canadá seria um erro e elevaria os custos para os americanos.

Collins citou produtos como mirtilos, batatas, lagosta e madeira, cuja produção e processamento atravessam a fronteira entre os dois países. O também republicano Scott Brown, candidato ao Senado por New Hampshire, defendeu uma abordagem diferente e afirmou que deveria haver uma maneira melhor de negociar com o principal vizinho dos Estados Unidos.

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