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Empreendedores solo usam agentes de inteligência artificial para executar tarefas de programação, marketing e atendimento
Redação Exame
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h01.
Ben Cera trabalha de casa, atende clientes, acompanha o negócio e toma as decisões sozinho. Até aqui, nada muito diferente de um empreendedor individual.
A peculiaridade está no que acontece nos bastidores: ferramentas de inteligência artificial escrevem e corrigem código, respondem e-mails, ajudam no atendimento ao cliente e executam parte das tarefas operacionais.
Broca é fundador da Polsia e também usa o nome Ben Broca, plataforma que utiliza agentes de IA para automatizar diferentes etapas da criação e operação de empresas.
Em julho de 2026, a companhia já tinha 10 mil clientes pagantes e estava no caminho para alcançar US$ 10 milhões em receita no ano, segundo o Wall Street Journal.
O detalhe que chamou atenção: ele não havia contratado nenhum outro funcionário.
O modelo funciona pela combinação de diferentes ferramentas, cada uma encarregada de uma etapa do negócio.
Um agente pode cuidar das dúvidas mais frequentes dos clientes; outro auxilia na programação; sistemas generativos produzem versões iniciais de anúncios, textos para redes sociais e e-mails.
Na Polsia, Cera fica responsável pelas decisões enquanto os sistemas executam parte do trabalho operacional, que demanda a atenção de um ser humano. Relatos sobre a empresa apontam que a IA é utilizada para responder mensagens, atender solicitações de clientes, corrigir códigos, cadastrar assinantes e processar reembolsos.
A proposta é construir uma estrutura em que agentes de inteligência artificial assumam tarefas que, em outras empresas, seriam distribuídas entre profissionais de tecnologia, suporte, marketing e operações.
Um dos pontos que mais mudaram para os empreendedores solo está na programação. Ferramentas como agentes de código conseguem interpretar instruções em linguagem natural, alterar arquivos, encontrar erros e testar mudanças.
Maor Shlomo levou essa ideia ao extremo com a Base44, uma plataforma que permite criar aplicativos a partir de comandos.
Durante boa parte da trajetória inicial da empresa, ele trabalhou praticamente sozinho e relatou ter passado meses sem escrever diretamente código de HTML ou JavaScript, deixando a implementação para sistemas de IA.
O resultado foi excepcional: a Base44 alcançou uma receita anual recorrente de cerca de US$ 1,5 milhão poucas semanas após o lançamento e foi adquirida pela Wix por mais de US$ 80 milhões em 2025.
A automação não termina no produto. Para quem trabalha sozinho, conquistar clientes e responder às dúvidas pode consumir tanto tempo quanto desenvolver a própria empresa.
Claire Vo, fundadora da ChatPRD, é outro exemplo. A empreendedora utiliza uma estrutura com nove agentes de IA especializados em funções como vendas, marketing, atendimento, análise e assistência executiva. A empresa já alcançou mais de 100 mil usuários, segundo relato publicado em julho de 2026.
Ter uma empresa sem funcionários não significa deixar a operação inteira por conta da IA. Os próprios casos mostram que alguém precisa definir o que será construído, revisar resultados, lidar com decisões sensíveis e corrigir os erros dos sistemas.
Há ainda um limite importante: quanto maior o negócio, mais complexas ficam segurança, infraestrutura, relacionamento com clientes e responsabilidade pelas decisões. A IA pode reduzir a quantidade de trabalho necessário para colocar uma empresa de pé, mas não elimina a necessidade de estratégia.