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Direita, volver! Novo governo da Colômbia enfrenta o teste da confiança dos investidores

Novo governo da Colômbia estreia sob pressão fiscal, com déficit elevado e uma reconstrução bilionária pela frente

Posse de Abelardo de la Espriella: cerimônia atípica realizada na cidade de Cali (Luis Acosta/AFP)

Posse de Abelardo de la Espriella: cerimônia atípica realizada na cidade de Cali (Luis Acosta/AFP)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 06h00.

Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 07h26.

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Abelardo de la Espriella mal havia se instalado na Presidência da Colômbia quando o país literalmente tremeu. Empossado no início de agosto, o novo presidente enfrentou, três dias depois da posse, um terremoto que adicionou uma emergência bilionária a uma agenda já pressionada.

Entre reconstruir e entregar a guinada à direita prometida na campanha, terá de convencer empresários e investidores de que a Colômbia voltou a oferecer previsibilidade.

Pesquisa do GRI Institute, think tank de infraestrutura e mercado imobiliário, mostra que 51,5% dos agentes do setor apontam o risco político-eleitoral como principal obstáculo aos investimentos; 42,42% citam segurança jurídica e eficiência regulatória.

“Antes do sismo, já apontávamos para um espaço fiscal limitado”, diz Moisés Cona, diretor-executivo do GRI. A Colômbia encerrou 2025 com déficit de 6,4% do PIB. Para 2026, a projeção oficial era de 5,3%, mas estimativas já chegavam a 7% antes do terremoto.

O abalo sísmico tornou a equação mais difícil. Os cálculos iniciais apontam 6,35 bilhões de dólares em reconstrução, cerca de 1% do PIB.

O governo declarou emergência econômica, enquanto o Congresso devolveu a proposta de Orçamento de 2027 para ajustes. “O problema é de execução. O terremoto pressiona os gastos na direção contrária ao ajuste prometido”, diz Juan Carranza, da Aurora Macro Strategies.

Para ele, o mercado observará se o governo apresenta uma trajetória fiscal crível e se evita confrontos com o Banco da República. Para os investidores, o teste será saber se uma guinada de quatro anos conseguirá entregar a previsibilidade de longo prazo que o capital exige.

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