Belo Horizonte aposta em prédios para dar novo fôlego ao mercado de vendas de imóveis

Verticalização para combater a escassez de terreno
Lidando com uma escassez de terrenos, BH agora segue os passos de outras metrópoles e começa a crescer (Julia Jabur/Exame)
Lidando com uma escassez de terrenos, BH agora segue os passos de outras metrópoles e começa a crescer (Julia Jabur/Exame)
Beatriz Quesada
Beatriz QuesadaPublicado em 13/10/2022 às 06:00.

A capital mineira volta a ter crescimento de vendas após um ano de desaceleração. Belo Horizonte está passando por uma mudança de paisagem, com um novo direcionamento: a verticalização. A subida de prédios com diversos andares onde antes havia apenas uma casa deu novo fôlego ao mercado de vendas, que no ano passado apresentou desaceleração na contramão do resto do Brasil. Neste ano, no entanto, o Índice FipeZap+ mostra uma recuperação do mercado de vendas em Belo Horizonte.

Os dados apontam que o preço médio das unidades residenciais ganhou força, passando de uma tendência de redução em 2021 para um novo impulso neste ano. O índice de variação de preços saltou de 2,5% para 6,8% nos últimos 12 meses até agosto de 2022, com o preço médio do metro quadrado na cidade alcançando a marca de 7.551 reais, segundo o FipeZap+.

Lidando com uma escassez de terrenos, BH agora segue os passos de outras metrópoles e começa a crescer. “Não há como inventar novos terrenos, é a realidade para qualquer cidade. O que estamos vendo é uma reinvenção por meio dos espaços já ocupados, que estão sendo redimensionados”, avalia Cassia Ximenes, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).

Vale dizer que a retomada veio ainda mais forte no mercado de locação, seguindo a tendência observada no restante do país. A média de preços de locação saltou de 2% no último ano para 19,5% em 2022 — a maior taxa das capitais da Região Sudeste incluídas no levantamento. Ximenes destaca que a força dos aluguéis vem, principalmente, do aumento da taxa de juro, que saltou de 2% para 13,75% ao ano entre 2021 e 2022.

“A alta da taxa Selic também diminuiu a coragem das pessoas para comprar um imóvel. Muitos preferiram adiar a compra, esperando uma mudança nos juros para o ano que vem”, afirma. A maior procura segue sendo para o mercado residencial, com fortalecimento também do segmento comercial. Em ambos os casos, Ximenes destaca uma transformação por parte dos locatários, que se adaptaram no pós-pandemia para oferecer imóveis com maior estrutura e conectividade aos inquilinos de Belo Horizonte — outro fator que impulsionou a alta dos preços. A média do preço do metro quadrado para aluguel na capital mineira é de 29,53 reais.

(Arte/Exame)

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