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Relembre o caso do ET de Varginha, que vai ganhar documentário

Em janeiro de 1996, o Fantástico exibiu uma reportagem sobre um ser avistado na cidade do sul de Minas Gerais

ET de Varginha: caso continua intrigando entusiastas de OVNIs (Memorial do ET/Divulgação)

ET de Varginha: caso continua intrigando entusiastas de OVNIs (Memorial do ET/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 12h43.

No dia 4 de fevereiro de 1996, Varginha, no sul de Minas Gerais, entrou definitivamente para a história da ufologia, a área de estudos dedicada a objetos voadores não-identificados (OVNIs), brasileira.

Nesse dia foi ao ar uma reportagem do Fantástico com o relato do encontro de três jovens com uma criatura considerada "não humana".

A matéria desencadeou uma sequência de depoimentos, investigações informais, negativas oficiais e intensa cobertura da imprensa nacional e internacional.

O "fedorento extraterrestre", como o Wall Street Journal apelidou o suposto ser em 1996, se tornou um dos símbolos da cidade e atrai até hoje um tipo nichado de turista.

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Três décadas depois, a série “O Mistério de Varginha”, coprodução da EPTV com os Estúdios Globo, irá revisitar o episódio. A minissérie documental será dividida em três episódios de 45 minutos, que reúnem depoimentos inéditos, documentos e áudios nunca exibidos.

A estreia na TV Globo está marcada para esta terça-feira, 6, logo após “O Auto da Compadecida 2”. Os próximos episódios virão na quarta-feira, 7, e na quinta-feira, 8, no mesmo horário.

O caso segue cercado de controvérsias, versões conflitantes e lacunas cronológicas que alimentam o imaginário popular. Relembre os relatos e mistérios acerca do ET.

O relato das irmãs para o Fantástico

A versão mais conhecida do caso começa na tarde de sábado, 20 de janeiro de 1996. Por volta das 15h30, as irmãs Liliane Fátima da Silva, de 16 anos, e Valquíria Aparecida da Silva, de 14, caminhavam pelo bairro Santana acompanhadas da amiga Kátia de Andrade Xavier, de 22 anos.

As três decidiram cortar caminho por um terreno baldio quando se depararam com algo que, segundo afirmaram, não se parecia com um ser humano nem com um animal conhecido.

Relato das meninas: as irmãs Liliane Fátima da Silva, de 16 anos, e Valquíria Aparecida da Silva, de 14, e a amiga Kátia de Andrade Xavier, de 22 anos, mostram o local onde avistaram o ser (Acervo EPTV/ Reprodução TV Globo/Reprodução)

Em reportagem de agosto de 1996 "do enviado a Varginha", Rodrigo Vergara, para a Folha de S.Paulo, Liliane descreveu a criatura. “Os olhos eram vermelhos e não tinham pupilas. Não vi boca nem nariz. A pele era marrom escuro e parecia lambuzada de óleo. Ele estava agachado, parecia se proteger do sol forte”, afirmou.

Kátia relatou que gritou ao ver o ser e ficou paralisada, enquanto as irmãs correram em pânico após a criatura virar o rosto em direção a elas.

Assustadas, as jovens foram para casa. Liliane contou à mãe que havia visto “o capeta”. A mãe retornou ao local pouco tempo depois e afirmou ter encontrado pegadas no chão e um cheiro forte, que associou a enxofre. Ao Fantástico, boa parte dos moradores de Varginha que foram entrevistados diziam acreditar nas meninas.

Em poucos dias, o que inicialmente foi interpretado como algo sobrenatural passou a ser identificado, por ufólogos e pela mídia, como um suposto extraterrestre.

Outros OVNIs na região

Embora o episódio de 1996 seja o mais famoso, documentos oficiais e relatos posteriores indicam que Varginha já era um endereço recorrente em registros de fenômenos aéreos incomuns décadas antes.

Um documento do Ministério da Aeronáutica, divulgado pelo Arquivo Nacional em 2017, aponta que moradores relataram a presença de um OVNI na cidade em 1971. Segundo o relatório, o objeto era oval e prateado, foi visto à noite e permaneceu parado por alguns instantes em diferentes pontos da cidade, incluindo áreas residenciais e proximidades da Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações.

O cabeleireiro Geraldo Bichara afirmou à Folha em 1996 que havia sido raptado por ETs em 1962. "Quando a luz acendeu, a cidade inteira ficou sem energia. Os cavalos, apavorados, fugiram do estábulo e várias canoas de metal que havia na escola saíram do lugar enquanto a nave flutuava", afirmou.

Ele também foi citado no documento do Ministério da Aeronáutica. “Do lado da Rua Rio de Janeiro subiu um objeto que causou grande transtorno, queimando rádios, dando defeitos em carros, queimando transformadores”, disse ele em depoimento.

Após janeiro de 1996, ufólogos relataram novos avistamentos na cidade e arredores.

Segundo o ufólogo Ubirajara Franco Rodrigues, ouvido pela Folha em 1996, depois da fama do “ET de Varginha”, seres teriam sido vistos ao menos outras duas vezes, além de dezenas de relatos de objetos voadores não identificados, principalmente na zona rural. O próprio Rodrigues afirmava que "apenas 1% dos fenômenos relatados são de fato ufológicos."

Polêmicas na época

Desde os primeiros dias, o caso foi marcado por controvérsias.

Especialistas sustentaram que militares teriam capturado criaturas na região e as levado para fora do Estado, possivelmente para Campinas, onde passariam por exames. A versão foi alimentada por relatos de intensa movimentação de viaturas do Exército, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, além de supostas atividades incomuns em hospitais da cidade.

O Exército Brasileiro e os Bombeiros sempre negaram qualquer envolvimento com seres estranhos. Em inquéritos instaurados nos anos de 1996 e 1997, a explicação oficial sustentou que não houve captura de extraterrestres e que as movimentações militares tinham motivos rotineiros.

Uma das hipóteses apresentadas no Inquérito Policial Militar foi a de que as meninas teriam confundido a criatura com um morador da cidade conhecido como “Mudinho”, que apresentava deficiência física e mental. As jovens sempre rejeitaram essa versão.

Outra polêmica envolveu a morte do policial Marco Eli Chereze, ocorrida em 15 de fevereiro de 1996. Ufólogos afirmam que ele teria tido contato direto com uma das criaturas capturadas e desenvolvido uma infecção fatal.

Policial morto: Marco Eli Chereze, policial que morreu em Varginha (Acervo EPTV/ Reprodução TV Globo/Reprodução)

Segundo médicos ouvidos em reportagens do G1 de 2016, Chereze morreu de um quadro infeccioso generalizado, sem diagnóstico conclusivo sobre a causa inicial. O laudo oficial apontou pneumonia e sepse, mas deixou dúvidas que, até hoje, alimentam especulações.

A reação da mídia

A repercussão do caso extrapolou rapidamente os limites de Minas Gerais. A reportagem especial da TV Globo, assinada por Luiz Petry, apresentou o relato das meninas, depoimentos de moradores e opiniões divergentes sobre o suposto avistamento.

“Seria um dia normal na pacata cidade de 100 mil habitantes do Sul de Minas, mas o relato de três meninas mudou tudo”, dizia a abertura da matéria exibida no programa.

A imprensa internacional também voltou seus olhos para Varginha. Em junho de 1996, o Wall Street Journal publicou uma longa reportagem descrevendo a cidade como um novo ponto de peregrinação para entusiastas de discos voadores.

Repercussão internacional: o Wall Street Journal chamou o caso de "extraterrestre fedorendo" (WSJ/Reprodução)

O jornal relatou que o cheiro da criatura teria sido um dos aspectos mais marcantes do encontro e destacou o clima de desconfiança em relação às negativas do Exército brasileiro. “As negativas categóricas dos militares só serviram para inflamar a suspeita pública”, escreveu o correspondente Matt Moffett.

A Folha de S.Paulo afirmou que, nos meses seguintes ao episódio, Varginha virou uma "meca 'ETmaníacos'". Hotéis ficaram lotados, equipes de TV estrangeiras, como a BBC, gravaram reportagens na cidade, e o terreno onde ocorreu o suposto encontro passou a ser tratado como ponto turístico informal.

Três décadas depois, entre documentos oficiais, relatos pessoais e investigações independentes, o caso do ET de Varginha permanece sem uma conclusão consensual.

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