VENICE, ITALY - SEPTEMBER 06: Khaby Lame attends the "Il Signore Delle Formiche" red carpet at the 79th Venice International Film Festival on September 06, 2022 in Venice, Italy. (Photo by Franco Origlia/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 07h44.
Khaby Lame é um rosto conhecido para usuários do TikTok. Além de ser o criador de conteúdo com maior número de seguidores da plataforma, com chocantes 160 milhões, seus vídeos zombando "life hacks" inúteis se tornaram por si só um formato reconhecível nas redes.
O rosto de Lame se tornou uma empresa de e-commerce e conteúdo para redes sociais, a Step Distinctive Limited. No final de janeiro, ele fechou um acordo avaliado em US$ 975 milhões (R$ 5 bilhões) envolvendo a companhia.
O negócio foi anunciado pela Rich Sparkle Holdings, companhia financeira com sede em Hong Kong e listada na Nasdaq. A transação é totalmente baseada em ações.
Mas um grande problema surgiu para o influencer.
As ações da Rich Sparkle estão atualmente 38% mais baixas do que a avaliação inicial. Ou seja, o negócio multibilionário pode rapidamente perder seu valor, de acordo com informações da Business Insider.
O acordo envolve uma fusão reversa entre o negócio de Lame e a Rich Sparkle.
Nesse modelo, uma empresa privada passa a acessar o mercado de capitais ao se fundir com uma companhia já listada em bolsa. Geralmente, a empresa que realiza a aquisição é uma estrutura menor, que funciona como veículo de capital aberto.
Em troca da propriedade intelectual de sua marca, a empresa de Lame receberá 75 milhões de novas ações da Rich Sparkle. No anúncio inicial, elas eram precificadas a US$ 13 cada. O pagamento, portanto, depende diretamente da cotação desses papéis no mercado.
Segundo comunicado, Lame se tornará acionista controlador da operação após a conclusão do acordo. Se o valor das ações subir, o patrimônio associado ao influenciador aumenta; se cair, o montante encolhe.
O acordo prevê a aquisição de uma participação na empresa de Lame e garante à Rich Sparkle 36 meses de direitos globais exclusivos sobre sua marca. Ou seja, a imagem de Lame, sobretudo suas expressões faciais cômicas, foi vendida à Rich Sparkle Holdings.
Durante os 36 meses de exclusividade, a Rich Sparkle terá direitos sobre o TikTok Shop de Lame, transmissões ao vivo, planejamento de comércio em vídeos curtos, acordos publicitários e demais iniciativas comerciais ligadas à marca.
A empresa, em seu comunicado original, projetou que a “comercialização baseada em fãs” do criador possa gerar mais de US$ 4 bilhões em vendas anuais.
Para isso, a Rich Sparkle pretende lançar uma versão em inteligência artificial de Lame, com rosto, voz e comportamentos replicados digitalmente. O avatar seria capaz de produzir conteúdo multilíngue e operar em diferentes fusos horários.
O problema central é que o valor do negócio está atrelado a uma empresa cujo desempenho em bolsa vem despencando.
Após atingir um pico superior a US$ 180 por ação no mês passado, os papéis da Rich Sparkle caíram para cerca de US$ 8,11 às 16h48, no Horário de Brasília, desta segunda-feira, 23.
O valor é 38% mais baixo do que a avaliação inicial. Considerando que a participação de Lame é de 75 milhões de ações, com a cotação atual o montante é de aproximadamente US$ 608 milhões (R$ 3,1 bilhões).
Como o pagamento ao influenciador depende do valor dessas ações, a desvalorização reduz significativamente o potencial retorno financeiro do acordo.
Até o momento, não há registros formais indicando que a operação tenha sido concluída ou aprovada pela Nasdaq, e representantes das partes não comentaram o andamento do processo.
Especialistas ouvidos pela Business Insider apontam que o mercado pode estar reagindo à dificuldade de avaliar um negócio cuja principal fonte de valor é a imagem de uma única personalidade digital.
A própria Rich Sparkle reportou receita anual de US$ 6,2 milhões em seu último exercício fiscal, número distante das projeções bilionárias divulgadas no anúncio.
O plano de usar um avatar digital para impulsionar vendas segue tendência já observada na China, onde clones virtuais de influenciadores realizam transmissões comerciais que movimentam milhões de dólares.