'The Walking Dead': em 2015, o episódio final da quinta temporada bateu recorde de audiência no Brasil e ajudou a colocar o canal Fox na liderança entre as emissoras de TV por assinatura (Reprodução)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 17h24.
The Walking Dead foi um fenômeno televisivo no Brasil. Em 2015, o episódio final da quinta temporada bateu recorde de audiência no país e ajudou a colocar o canal Fox na liderança entre as emissoras de TV por assinatura, segundo dados do Notícias da TV.
Anos depois, a franquia volta aos holofotes por uma disputa milionária nos Estados Unidos. Cinco produtores da série chegaram a um acordo de US$ 120 milhões com a emissora AMC após anos de batalha judicial envolvendo os lucros da produção.
O acordo foi fechado na última sexta-feira, 4, e evitou um julgamento que estava previsto para outubro.
Segundo informações da mídia americana, a AMC pagará US$ 85 milhões em setembro de 2026 e outros US$ 35 milhões até 31 de janeiro de 2027. Essa segunda parcela será tratada como um adiantamento sobre a participação dos produtores nos lucros.
A disputa começou em 2017, quando Robert Kirkman, Gale Anne Hurd, David Alpert, Charles Eglee e Glen Mazzara processaram a AMC. O centro da discussão estava na forma como a empresa calculava os lucros usados para determinar quanto os produtores deveriam receber.
Segundo a acusação, a AMC utilizava uma definição de “modified adjusted gross receipts” que reduziria os valores pagos aos produtores, apesar de The Walking Dead e seus derivados terem movimentado bilhões de dólares.
A ação sofreu um revés em 2022, quando um juiz concluiu que os produtores não haviam sido lesados e que a AMC utilizava uma definição considerada padrão.
A disputa, porém, ganhou uma nova frente depois que a empresa chegou a um acordo de US$ 200 milhões com Frank Darabont e a CAA, que também haviam questionado judicialmente a forma como os lucros da franquia eram calculados.
Os demais produtores alegaram que esse acordo acionava uma cláusula contratual de “most favored nation”, que, segundo eles, poderia garantir tratamento equivalente em determinadas condições.
A AMC contestou a nova ação e classificou a cobrança como uma tentativa de obter dinheiro, lembrando que os produtores já haviam recebido US$ 70 milhões relacionados ao contrato.
Em 2024, no entanto, um juiz federal recusou o pedido da AMC para encerrar o processo, permitindo que a disputa continuasse. As partes se preparavam para um julgamento em Los Angeles, que chegou a ser adiado diversas vezes e estava marcado para 27 de outubro.
O julgamento, porém, não será mais necessário. Com o acordo de US$ 120 milhões, as partes encerraram as reivindicações restantes relacionadas à participação nos lucros da franquia.
Para a AMC, o valor representa um impacto significativo. De acordo com a Variety, a empresa esperava um fluxo de caixa de US$ 220 milhões no ano, mas a previsão caiu para US$ 150 milhões após o acordo.
A quantia também ajuda a dimensionar o tamanho financeiro alcançado pela franquia que conquistou uma enorme audiência no Brasil. O Hollywood Reporter classifica The Walking Dead como a franquia de maior sucesso da AMC. Em julho, a empresa ainda havia fechado um acordo de streaming de US$ 500 milhões com a Netflix envolvendo a franquia.
O acordo atual não representa uma decisão judicial determinando que a AMC perdeu o processo. Trata-se de um acordo entre as partes para encerrar a disputa antes que ela chegasse ao julgamento.