Polícia Federal suspende as gravações da nova temporada de 'Aeroporto – Área Restrita' (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Redação Exame
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 16h39.
A Polícia Federal determinou a suspensão das gravações da oitava temporada do programa "Aeroporto – Área Restrita", alegando que a presença de equipes de filmagem é incompatível com as normas das Áreas Restritas de Segurança (ARS). A decisão abriu uma polêmica envolvendo a PF, a Receita Federal e a produtora Moonshot.
Segundo a Moonshot, a PF cassou as credenciais da equipe nos aeroportos de Viracopos (SP), Galeão (RJ) e Pinto Martins (CE), além de negar autorizações para filmagens em áreas restritas do Aeroporto de Guarulhos (SP).
Rio de Janeiro registra mais de 72 mil roubos e furtos de celulares em 2025A produtora afirma que a temporada vinha sendo gravada desde dezembro de 2025 com o "apoio e participação ativa" de órgãos como Anvisa, Vigiagro, Ibama, Receita Federal, polícias militares de São Paulo e do Rio de Janeiro, além das concessionárias Fraport e RIOgaleão.
Além do mais, a Moonshot contesta o argumento de risco à segurança. Em nota divulgada pelo UOL, diz que a justificativa não se sustenta diante do histórico do programa.
"Ao longo de sete temporadas consecutivas, produzidas desde 2016, a Polícia Federal analisou e aprovou as credenciais de todos os profissionais envolvidos na produção do programa 'Aeroporto: Área Restrita', permitindo a realização integral das filmagens sem que tenha sido registrado qualquer incidente ou comprometimento da segurança aeroportuária", afirmou a produtora.
A controvérsia ganhou tom institucional após declarações do presidente da Associação dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), também divulgadas pelo UOL. Para Kleber Cabral, a proibição teria relação com uma disputa entre os órgãos.
"Esse programa tem despertado um ciúme institucional horroroso por parte da Polícia Federal. [O programa] dá muito mais ênfase à área de bagagem, onde trabalha a Receita Federal. Mostra outros órgãos, os protagonistas são o pessoal da Receita", afirmou.
37 franquias baratas para trabalhar sem funcionários a partir de R$ 5.000Já a Polícia Federal sustenta que a medida segue normas legais e regulatórias. Em comunicado, a instituição afirma que proibiu o acesso ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - sem citar os outros apontados pela Moonshot - em razão do "estrito cumprimento" das regras que regem a segurança da aviação civil.
"As Áreas Restritas de Segurança são classificadas como zonas prioritárias de risco, sujeitas a rigorosos controles de acesso, limitados exclusivamente a pessoas com necessidade operacional ou funcional, não se enquadrando atividades de entretenimento ou produção audiovisual nesse critério", disse, em nota.
A PF também cita o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil (PNAVSEC) e normas da Anac, que vedam o registro de imagens de procedimentos, fluxos e infraestruturas sensíveis.
"A Polícia Federal esclarece, ainda, que não participa do referido programa televisivo há vários anos, tendo adotado, de forma reiterada e consistente, o entendimento institucional pelo indeferimento de solicitações dessa natureza", complementou.
No posicionamento oficial, a Polícia Federal nega qualquer disputa institucional e afirma respeitar as atribuições da Receita Federal. Ressalta, porém, que a responsabilidade constitucional pela supervisão da segurança aeroportuária cabe à PF, especialmente nas Áreas Restritas de Segurança, inclusive em recintos alfandegados.