Redação Exame
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 20h01.
Última atualização em 10 de janeiro de 2026 às 20h33.
O autor de algumas das novelas mais marcantes da televisão brasileira, Manoel Carlos, morreu hoje, 10, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família e divulgada pelo G1. A causa da morte não foi divulgada.
Conhecido como Maneco, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson. No último ano, a doença comprometeu o desenvolvimento motor e cognitivo.
Manoel Carlos chegou à TV Globo em 1972, como diretor-geral do Fantástico. Antes disso, acumulou passagens por diferentes emissoras brasileiras, atuando como autor, produtor e até ator. A trajetória artística começou ainda jovem, nos palcos, aos 17 anos.
Ao longo da carreira, suas novelas ficaram associadas ao Rio de Janeiro e ao bairro do Leblon, frequentemente retratado não apenas como cenário, mas também como um elemento central da narrativa.
Além de autor, Manoel Carlos também trabalhou como produtor, escritor, diretor e ex-ator. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista de novelas Maria Carolina.
Ao longo de sua carreira, Maneco — como era carinhosamente chamado — escreveu novelas que deixaram sua marca na história da televisão brasileira, como "Laços de Família", "Por Amor" e "Mulheres Apaixonadas". Um dos elementos mais icônicos de seu trabalho era a presença recorrente das protagonistas chamadas Helena, interpretadas por grandes atrizes como Lílian Lemmertz, Regina Duarte, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Júlia Lemmertz.
As tramas de Maneco se destacavam não apenas pelo tom intimista e realista, mas também pela maneira como abordavam temas sociais e familiares. Inclusão, alcoolismo, violência contra a mulher e doação de medula óssea foram alguns dos assuntos que ele trouxe para o horário nobre, muitas vezes incentivando campanhas sociais por meio das histórias.
Filho de um comerciante e de uma professora, Manoel Carlos começou sua vida profissional como auxiliar de escritório aos 14 anos, mas já frequentava grupos de leitura e teatro na Biblioteca Municipal de São Paulo. Foi nesse ambiente que se aproximou de nomes como Fernanda Montenegro, Fabio Sabag e Antunes Filho, no grupo "Adoradores de Minerva".
Sua estreia artística foi como ator, aos 17 anos, na TV Tupi. Depois, passou por TV Record, Excelsior, Itacolomi, TV Rio e outras emissoras, atuando como roteirista, diretor e produtor. Trabalhou com nomes como Chico Anysio e Ziraldo e produziu programas musicais e de variedades.
Na TV Globo, estreou como diretor do Fantástico, em 1972. A primeira novela na emissora foi “Maria, Maria”, em 1978. Em seguida, vieram outras produções de sucesso, como “Baila Comigo” (1981), com a primeira Helena — interpretada por Lílian Lemmertz — e parcerias com autores como Gilberto Braga.
Inspirado pela mitologia grega, Maneco escolheu o nome Helena como símbolo da mulher forte, capaz de grandes feitos por amor. Suas protagonistas eram, em geral, mães abnegadas, capazes de se sacrificar pelos filhos, mas sem abrir mão de sua individualidade.
“Elas defendem um filho até a injustiça. É muito difícil uma mulher escapar da sua semelhança com a própria mãe”, disse ao Fantástico, em 2014.
A atriz Regina Duarte deu vida a três Helenas — em “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997) e “Páginas da Vida” (2006). Vera Fischer protagonizou “Laços de Família” (2000), enquanto Christiane Torloni viveu Helena em “Mulheres Apaixonadas” (2003). Em “Viver a Vida” (2009), Taís Araújo foi a primeira Helena negra de Maneco. A última foi Julia Lemmertz, filha da primeira Helena, em “Em Família” (2014).
Além das novelas, Maneco também escreveu minisséries marcantes como “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009).
Em suas palavras, o Rio de Janeiro era mais que cenário, era personagem:
“As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento”, afirmou ao Memória Globo.
Seu estilo buscava o realismo, inspirado nas conversas de bar e de café que ouvia nas ruas. Ele acreditava que os conflitos familiares e os sentimentos humanos eram universais e atemporais.