Literatura: obras brasileiras entram em acervo mundial da literatura infantil (H&M/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 11h10.
Última atualização em 23 de setembro de 2026 às 11h12.
O sucesso de Gilberto Gil nos palcos não é surpresa para ninguém, no entanto, o músico brasileiro também triunfa na literatura. O livro "Refloresta" foi selecionado para a maior biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo.
"Refloresta", escrito por Gil e Daniel Kondo, foi escolhido pela International Youth Library, na Alemanha, para fazer parte do The White Ravens, um catálogo internacional voltado à literatura infantil e juvenil.
Esta, no entanto, é apenas uma de quatro obras brasileiras que foram selecionadas para o catálogo.
O catálogo The White Ravens procura promover a qualidade na publicação de livros infantis e facilitar a busca daqueles que procuram conhecer obras além do mercado nacional.
A seleção é feita por vinte especialistas em livros infantis e juvenis, incluindo membros da biblioteca e freelancers. Algumas obras são selecionadas com base na relevância universal dos temas que abordam, em suas qualidades literárias e visuais, ou em sua abordagem ou design inovadores.
O processo busca livros que expandam as fronteiras internacionais, mas mantém o interesse de ter todas as linguagens e áreas globais representadas. Na seção da língua portuguesa, quatro obras brasileiras foram selecionadas para se juntar ao acervo.
Thalita Rebouças ainda escreve para a garota esquisita que existe em todos nósA pedido do fotógrafo Sebastião Salgado, Gilberto Gil escreveu uma canção sobre a destruição da floresta tropical. O samba afirma que a região precisa ser reflorestada para dar aos seus animais, plantas e habitantes uma chance de sobrevivência.
Daniel Kondo traduziu o texto em imagens, criadas com cores intensas, luminosas e alarmantes.
Na obra, Krishna conhece um elefante — o porteiro de um condomínio de luxo — que acaba desaparecendo com seu guarda-chuva rumo aos céus chuvosos, partindo do 175º andar. O texto assume um formato incomum, com um longo poema em prosa, rítmico e ofegante, composto por frases de uma só palavra, frases incompletas, períodos longos e cascatas de palavras formando um rap urbano que captura o ritmo da cidade.
A ilustração de Cecilia Mondadori traz cores vibrantes que transformam a profusão de detalhes em um todo dinâmico.
Como Ray Tavares transforma a 'garota comum' em protagonista da NetflixRemetendo a um duelo do Velho Oeste, a história de Fernanda Rios narra a história de um menino que vive no sertão brasileiro, responsável por entregar, todas as manhãs, o leite das poucas vacas de sua família. No trajeto de volta para casa, o menino e seu cavalo sempre pedem um gole de água ao velho que mora sozinho em uma casa no topo da colina; seu pedido é negado.
Essa troca diária desencadeia uma disputa de poder amarga que também marca o fim da infância do protagonista.
A história de poder é ilustrada com imagens impressionantes de Marcelo Tolentino, usando tons terrosos em uma paisagem implacável que capta a essência do texto.
Desde o seu nascimento, o Rei Inácio jamais pôs os pés no chão, pois se acredita que isso provocaria a ruína do mundo. No conto fabuloso, repleto de referências à mitologia e à cosmologia dos povos indígenas, Ezequiel fala sobre a transformação gradual de um governante ignorante e pomposo em um ser humilde e com os "pés no chão".