Seb Education: evento reuniu lideranças para discutir educação, IA e futuros possíveis (Júlia Sipereck/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 17h35.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 19h54.
Como preparar estudantes para um mundo que muda mais rápido do que escolas, empresas e governos conseguem prever? A pergunta esteve no centro do The Advantage of Uncertainty, evento promovido pelo Seb Education na quarta-feira, 30 de setembro, na Pinacoteca de São Paulo.
O encontro reuniu lideranças empresariais para discutir como educação, tecnologia e tomada de decisão precisam se adaptar a cenários de maior incerteza.
Na ocasião, foi realizado um painel que reuniu Riel Miller, que liderou por dez anos a área de Futures Literacy da UNESCO e passou pela OCDE e pelo governo de Ontário, no Canadá; Thamila Zaher, CEO do Seb Education; e Andrea Janér, CEO da Oxygen, plataforma de inteligência estratégica voltada a tendências, tecnologia e mudanças culturais.
O debate teve como ponto de partida o conceito de Futures Literacy. Em vez de tentar prever com precisão o que acontecerá nos próximos anos, a abordagem trabalha com diferentes futuros possíveis e com a maneira como essas hipóteses podem mudar decisões tomadas hoje. Na educação, isso significa uma mudança de perspectiva. Escolas precisam formar estudantes para uma sociedade cujas profissões, tecnologias e desafios ainda não estão inteiramente definidos.
“Estamos passando por um processo de transição para um novo modelo de aprendizagem que trata exatamente de abraçar a incerteza”, afirmou Miller. Para ele, aprender também passa pela capacidade de lidar com aquilo que ainda não se sabe. “A incerteza alimenta a nossa criatividade.”
A discussão ganhou outra camada com o avanço da inteligência artificial. Miller chamou atenção para uma diferença entre sistemas alimentados por informações existentes e a capacidade humana de produzir ideias a partir de situações novas.
“Os grandes modelos de linguagem só podem trabalhar com o que existe. Eles trabalham com dados, e os dados estão no passado”, disse. “Você e eu inventamos em tempo real.”
Para Thamila Zaher, a questão afeta diretamente o que as escolas escolhem ensinar e como organizam a aprendizagem. “Nossos estudantes viverão em um mundo que eles não conhecem, e que nós também não conhecemos”, afirmou.
Segundo a executiva, preparar alunos para esse cenário passa menos por antecipar exatamente quais conhecimentos serão necessários e mais por desenvolver capacidades que possam ser aplicadas em diferentes contextos.
“Precisamos ensiná-los a questionar, investigar, compreender fontes e transformar informação em ideias e conhecimento”, disse. “Não se trata de prepará-los para um futuro que imaginamos, mas dar uma base consistente de conhecimento e desenvolver as capacidades para construir algo que ainda não conhecemos.”
Essa lógica também orienta, segundo Thamila, o uso de novas tecnologias em sala de aula. A adoção de uma ferramenta, afirma, precisa estar ligada a um objetivo pedagógico, e não apenas à novidade tecnológica.
“Se o propósito daquela inovação for a aprendizagem, com intencionalidade e clareza sobre por que é para que ela está sendo utilizada, é possível usá-la de maneira responsável”, disse. “O problema acontece quando a tecnologia é usada apenas pela ferramenta e passa a ocupar o centro do processo de aprendizagem.”
Andrea Janér, da Oxygen, levou ao debate a perspectiva de quem trabalha com análise de tendências e mudanças de longo prazo. Para ela, a disseminação da inteligência artificial torna mais importante definir quais tarefas podem ser delegadas à tecnologia e quais capacidades devem permanecer sob responsabilidade humana. “Onde vamos usar IA? O que vamos deixar para o ser humano? O que podemos delegar? Esse é um exercício muito importante para os próximos anos”, afirmou.
O debate realizado em São Paulo também ajuda a explicar a estratégia do Seb Education, ecossistema que reúne atualmente 520 escolas e 78 mil alunos em cerca de 40 países. No Brasil, são 235 unidades e aproximadamente 52 mil estudantes.
Fazem parte do Seb Education marcas como Escola Concept, Escola Bilíngue Pueri Domus, Maple Bear Global Schools, Escola Bilíngue Carolina Patrício, Sphere International School e Escola Cidade Jardim | PlayPen.
Com uma operação com presença em diferentes mercados, o Seb Education tem a circulação de experiências entre escolas como uma de suas frentes de desenvolvimento. Isso inclui projetos internacionais, intercâmbios, programas de imersão e iniciativas com universidades e organizações de outros países.
A estrutura acadêmica do grupo também inclui iniciativas voltadas a pesquisa, formação de professores e análise de dados, como o Learning Design Research Center, o Return on Learning e os Centros de Excelência Globais.
A ideia é permitir que práticas desenvolvidas em uma escola possam ser testadas, adaptadas e aplicadas em outras partes da rede. Tecnologia, dados e inteligência artificial entram nesse processo como ferramentas de apoio aos professores e à gestão da aprendizagem.
A companhia organiza essa visão em três frentes: educadores responsáveis por desenhar experiências de aprendizagem, estudantes com participação mais ativa na própria formação e lideranças encarregadas de sustentar essa cultura dentro das escolas.
A integração entre as unidades ganha importância diante dos planos de crescimento do Seb Education.
Até 2030, pretende chegar a 50 países, 800 escolas e 160 mil estudantes. Se a meta for alcançada, a base de alunos será mais do que duas vezes maior que a atual.
A expansão deve combinar crescimento das operações existentes, abertura de unidades, avanço internacional e aquisições.
Parte desse movimento já começou. Em agosto, o grupo anunciou a aquisição da Escola Cidade Jardim | PlayPen, instituição bilíngue de São Paulo com 45 anos de atuação.
Em setembro, a Escola Concept anunciou a abertura de sua quarta unidade, no Rio de Janeiro, prevista para 2028. A marca já mantém escolas em Ribeirão Preto, Salvador e São Paulo e avalia oportunidades de expansão para outros países.
No exterior, uma das principais plataformas de crescimento é a Maple Bear Global Schools, que superou a marca de 500 escolas em 2026. A rede combina referências internacionais de ensino com currículos e características locais dos países em que atua.
O aumento de escala traz um desafio adicional: fazer uma organização presente em dezenas de mercados funcionar de forma integrada sem transformar escolas diferentes em unidades idênticas.
A estratégia do Seb Education é manter a identidade e a proposta pedagógica de cada marca, enquanto amplia a troca de pesquisas, práticas e experiências entre elas.
É justamente essa combinação que conecta o debate realizado na Pinacoteca aos planos de expansão do grupo. Se o futuro não pode ser previsto com precisão, a aposta é construir uma rede capaz de aprender, testar caminhos e se adaptar enquanto ele acontece.