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Cartas de Pokémon viram ativos milionários e atraem especuladores

A explosão do mercado de cards transformou itens nostálgicos em ativos disputados por investidores e influenciadores

Cards de Pokémon: hobby dos anos 1990 agora movimenta leilões milionários e levanta alertas sobre especulação (Martin Lelievre | Afp /Getty Images)

Cards de Pokémon: hobby dos anos 1990 agora movimenta leilões milionários e levanta alertas sobre especulação (Martin Lelievre | Afp /Getty Images)

Publicado em 23 de maio de 2026 às 08h42.

Diversão para crianças, as cartas de Pokémon passaram a ter outro significado quando pensamos em negócios. Hoje, alguns desses cards passaram a circular como ativos de luxo, movimentando milhões de dólares em leilões e atraindo investidores, influenciadores e especuladores ao redor do mundo.

Hobbie virou negócio milionário

Segundo a CNBC, a nova onda ganhou força nos últimos anos, impulsionada por nostalgia, redes sociais e pela percepção de que certos cards raros podem render retornos comparáveis aos de investimentos tradicionais. Em alguns casos, colecionadores passaram a tratar cartas como ações ou criptomoedas, comprando itens raros na expectativa de revendê-los por valores ainda maiores no futuro.

Entre 2004 e 2020, os preços das cartas Pokémon acumularam alta de 282%, segundo um índice da Collectors, empresa proprietária da autenticadora Professional Sports Authenticator (PSA). Mas foi após 2020 que o mercado explodiu: desde então, os valores dispararam 1.350%, de acordo com o mesmo levantamento.

O caso mais emblemático envolve o influenciador e lutador Logan Paul. Em 2021, ele comprou uma raríssima carta “Pikachu Illustrator” por cerca de US$ 5,3 milhões. Neste ano, a mesma carta foi revendida por impressionantes US$ 16,5 milhões em um leilão da Goldin Auctions, estabelecendo um novo recorde mundial para um card colecionável.

A carta é considerada uma das mais raras já produzidas pela franquia Pokémon. Apenas 39 unidades foram distribuídas no fim dos anos 1990 em um concurso de ilustração no Japão. O exemplar de Logan Paul recebeu nota máxima da empresa de autenticação PSA, algo extremamente raro nesse mercado.

Estoques de cards estão esgotando rápido

O fenômeno não se limita aos grandes leilões. Em países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão, lojas têm registrado filas, esgotamento rápido de estoques e até episódios de confusão envolvendo compradores que tentam adquirir grandes quantidades de pacotes para revenda, segundo a CNBC.

O crescimento acelerado também trouxe críticas. Parte da comunidade acusa especuladores de transformar um hobby acessível em um mercado elitizado.

Fila do lado de fora da loja de brinquedos Smyths em Staines, Reino Unido, com fãs esperando para comprar o novo lote de cartas Pokémon, no dia 28 de março de 2026 (Arjun Kharpal | CNBC)

Criptocards?

Além disso, o mercado passou a se misturar com o universo cripto. Logan Paul chegou a tentar fracionar digitalmente a posse de sua carta milionária por meio da plataforma Liquid Marketplace, permitindo que pessoas comprassem “partes” do item como se fossem cotas de investimento. O projeto acabou cercado por críticas e questionamentos regulatórios após o fechamento da plataforma.

Para Roy Raftery, especialista em itens colecionáveis da casa de leilões londrina Stanley Gibbons Baldwin’s, a elite desse mercado vem sendo sustentada principalmente por investidores que lucraram com criptomoedas.

“As pessoas me dizem que estão colocando dinheiro nisso porque não têm mais nada para fazer com ele. Ganharam muito dinheiro com cripto e estão despejando tudo em Pokémon”, disse Raftery em entrevista à CNBC.

Para o especialista, compradores enxergam as cartas como ativos de luxo, enquanto empresas globais vêm adquirindo grandes estoques de cards Pokémon antigos para revenda, atraídas pela alta rentabilidade desse mercado vintage.

Volatilidade

Apesar das vendas, o setor continua altamente volátil. Diferentemente de ações ou imóveis, o valor das cartas depende fortemente de hype, escassez e interesse momentâneo da comunidade.

Ainda assim, a febre parece longe do fim. Entre 2020 e 2025, os gastos com cartas colecionáveis não esportivas, categoria que inclui Pokémon, dispararam 350%, segundo dados da consultoria Circana. O crescimento foi impulsionado também pela entrada de celebridades como Post Malone, Steve Aoki e Kevin O’Leary, que ajudaram a popularizar ainda mais o mercado, segundo a CNBC.

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