Livros: Literatura brasileira amplia presença no exterior, com crescimento da venda de direitos autorais. (Getty Images)
Repórter
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 10h42.
As exportações de livros e direitos autorais de editoras brasileiras movimentaram US$ 8 milhões no primeiro semestre de 2026, impulsionadas principalmente pelo crescimento da venda de direitos de publicação para editoras estrangeiras. Os dados são do Brazilian Publishers, projeto da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a ApexBrasil.
Pela primeira vez, a comercialização de direitos autorais ganhou um peso próximo ao da exportação de livros físicos. Entre janeiro e junho, esse segmento respondeu por 44,65% do volume negociado, cerca de US$ 4 milhões, enquanto a venda de exemplares impressos representou 55,35%, aproximadamente US$ 5 milhões.
Em 2025, os direitos autorais representavam apenas 17,34% do total exportado. Em 2024, a participação era de 30,66%. Segundo o programa, o avanço indica o interesse crescente de editoras internacionais em traduzir e publicar autores brasileiros.
O desempenho foi puxado pelas principais feiras do mercado editorial mundial. A Feira do Livro Infantil de Bolonha permaneceu como o principal evento para os negócios brasileiros, movimentando US$ 5,6 milhões entre livros e direitos autorais.
Na Feira do Livro de Londres, as editoras apoiadas pelo programa registraram crescimento de 221% em relação ao ano anterior, com US$ 2,29 milhões em negociações. Já o Fellowship de Istambul teve alta de 472% sobre a última participação brasileira, enquanto a Feira Internacional do Livro de Bogotá avançou 189%.
A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires também apresentou resultado positivo, movimentando US$ 210 mil, mesmo com a participação de apenas quatro editoras brasileiras.
Segundo o Brazilian Publishers, o crescimento é resultado de uma estratégia voltada à internacionalização das editoras nacionais. Além da participação nas feiras, o programa investe em rodadas de negócios, encontros entre editoras e bolsas de tradução, que ajudam a financiar a publicação de obras brasileiras em outros países.
O projeto também atribui parte do avanço ao fortalecimento da presença digital. Em 2025, o alcance das redes sociais do Brazilian Publishers cresceu 304,6%, enquanto as visualizações de conteúdo dobraram.
"Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram que o trabalho do Brazilian Publishers atua em frentes sólidas. O salto percentual na venda de direitos autorais comprova que o mercado global não quer apenas consumir o livro físico impresso no Brasil, mas deseja ativamente traduzir e incorporar nossas vozes e histórias em suas próprias linguagens e catálogos", afirmou a presidente da CBL, Sevani Matos.
Para Rayanna Pereira, coordenadora do Brazilian Publishers, o desempenho mostra a consolidação da presença brasileira em mercados estratégicos.
"Tivemos crescimentos expressivos em eventos chave como Londres, Bogotá e no Fellowship de Istambul. Isso demonstra a capacidade de adaptação e diversificação do nosso setor editorial, garantindo a presença do Brasil tanto em feiras tradicionais quanto em novos polos de negócios internacionais", disse.
Para os próximos meses, o programa manterá a estratégia de internacionalização com participação confirmada na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, considerada a principal do mercado editorial mundial. Também estão previstas missões para a Conferência de Editores de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e para a Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México.
No Brasil, o Brazilian Publishers realizará, em setembro, uma nova edição da Jornada Profissional antes da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, reunindo editoras brasileiras e compradores internacionais em rodadas de negócios.