Kennedy Center: família de JFK foi contra mudança de nome para Trump-Kennedy Center (Reprodução/Wikimedia Commons)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 17h31.
Artistas de jazz e um renomado grupo de dança cancelaram suas apresentações no Kennedy Center, uma instituição cultural da capital dos Estados Unidos que acaba de ser rebatizada como Trump-Kennedy Center por seu conselho diretor, integrado por aliados do presidente republicano.
O centro havia anunciado duas apresentações de ano novo do grupo The Cookers como um "septeto de jazz estelar que incendiaria o palco do Terrace Theater". Mas essas apresentações, assim como um concerto anual de jazz na véspera de Natal apresentado por Chuck Redd, foram canceladas.
Num comunicado divulgado na segunda-feira, 29, The Cookers justificou a decisão.
"O jazz nasceu da luta e da insistência implacável na liberdade: liberdade de pensamento, de expressão e da plena voz humana", disse o grupo.
A companhia de dança Doug Varone and Dancers, de Nova York, também anunciou na segunda-feira, o cancelamento de duas apresentações em abril, que seriam realizadas para celebrar seu 40º aniversário. O diretor da companhia, afirmou que o cancelamento resultou em um prejuízo de US$ 40 mil. “É devastador financeiramente, mas moralmente revigorante”, disse.
Kristy Lee, uma cantora de folk, disse nas redes sociais que cancelou seu show, previsto para janeiro de 2026, "é doloroso". "É assim que pago as minhas contas. Mas perder minha integridade me custaria mais que qualquer salário", afirmou.
Richard Grenell, presidente da instituição, chamou os músicos de "ativistas". "Os artistas que agora cancelam espetáculos foram contratados pela direção anterior de extrema esquerda", escreveu no X (antigo Twitter) na última segunda-feira, 29.
Grenell também ameaçou um dos artistas, Chuck Redd, com ações legais e exigiu uma indenização de US$1 milhão (R$5,5 milhões na cotação atual).
A Casa Branca anunciou em 18 de dezembro que o Kennedy Center passaria a se chamar "Trump-Kennedy Center" após uma votação unânime do conselho diretor.
A mudança de nome foi rejeitada pela família do falecido presidente John F. Kennedy e pela oposição democrata.
A nova direção da instituição também eliminou os espetáculos de drag queens e os eventos que celebram a comunidade LGBTQIA+, e organizou conferências da direita religiosa e convidou artistas cristãos.
Segundo a imprensa americana, a venda de ingressos da casa diminuiu desde a chegada do novo conselho de administração.
*Com informações da AFP e do GLOBO.