'Tony': filme revisita um período decisivo da juventude de Anthony Bourdain
Freelancer
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 09h01.
Anthony Bourdain chegou a Provincetown aos 19 anos sem saber que aquele verão mudaria o rumo de sua vida. Foi trabalhando como lavador de pratos no restaurante The Flagship que ele entrou em contato com o universo das cozinhas profissionais e descobriu uma profissão que acabaria definindo sua trajetória. É esse período que "Tony", cinebiografia dirigida por Matt Johnson e estrelada por Dominic Sessa, leva para as telas.
O filme acompanha uma fase específica da juventude de Bourdain e nos leva para Provincetown, Massachusetts, no verão de 1975, quando Bourdain tinha 19 anos e ainda não sabia o que fazer com o que estava vivendo.
O filme foi dirigido por Matt Johnson, com roteiro escrito por Johnson, Matthew Miller, Todd Bartels e Lou Howe. Dominic Sessa, revelado em "Os Rejeitados", interpreta o jovem Tony. Antonio Banderas vive o chef que o puxa para dentro da cozinha. Emilia Jones, Leo Woodall, Dagmara Domińczyk, Rich Sommer e Stavros Halkias completam o elenco no círculo de Provincetown.
O longa estreou no dia 7 de agosto nos Estados Unidos, com bilheteria de US$ 348.995 nos primeiros dias, segundo dados do Box Office Mojo. No Brasil, o longa tem previsão para estrear ainda este mês.
Para conhecer melhor a trajetória do chef antes de assistir ao filme, confira quatro livros essenciais para entender a vida e a carreira de Anthony Bourdain:
Publicado em 2000, o livro transformou Bourdain em um fenômeno literário e revelou ao público o universo das cozinhas profissionais a partir de suas próprias experiências. A obra passa por sua época como lavador de pratos em Provincetown, pelos trabalhos em restaurantes de Nova York, pelo uso de drogas e pela construção de sua carreira como chef.
O livro é especialmente importante porque "Tony" utiliza como uma de suas principais referências o período retratado nas memórias de Bourdain. A passagem por Provincetown está entre os episódios reais incorporados ao filme.
A leitura também ajuda a perceber uma diferença importante: Bourdain escreveu sobre sua juventude olhando para ela muitos anos depois. O filme, por sua vez, transforma aquele período em uma narrativa de formação acompanhada pelo espectador.
Depois de conhecer o Bourdain da cozinha, "Em busca do prato perfeito" mostra o escritor que surgiria posteriormente.
Publicado em 2001, o livro acompanha Bourdain em uma viagem pelo mundo em busca da refeição perfeita. A obra passa por países como Vietnã, Camboja, Rússia, Portugal, México e França, sempre usando a comida como porta de entrada para conhecer pessoas e culturas.
A importância dessa leitura está em entender como Bourdain deixou de ser conhecido principalmente como chef e passou a construir uma identidade própria como escritor e viajante.
É essa transformação que, anos depois, seria levada para programas como "No Reservations" (2005) e "Parts Unknown" (2013).
Publicado originalmente como "Medium Raw", "Ao ponto" funciona como uma continuação de "Cozinha confidencial", só que com um Bourdain em uma fase completamente diferente da carreira. O livro acompanha o que aconteceu com o chef durante os dez anos que separam as duas obras, período em que ele deixou o trabalho nas cozinhas para se tornar um dos principais nomes da televisão gastronômica.
A obra também ajuda a entender o ambiente profissional que moldou Bourdain. Ele escreve sobre chefs famosos, restaurantes, crítica gastronômica, fast-food e os bastidores de programas como "Top Chef", sempre misturando experiências pessoais com observações sobre a indústria da alimentação.
Um dos pontos mais interessantes para quem vai assistir a "Tony" está na maneira como Bourdain revisita o próprio passado. O escritor olha para os anos de juventude, para o período de uso de drogas e para as mudanças provocadas pela paternidade com a perspectiva de alguém que já havia construído uma carreira completamente diferente.
Por isso, "Ao ponto" funciona como uma espécie de retrato do Bourdain adulto. A leitura ajuda a compreender o homem que existia depois dos anos de formação mostrados no filme e permite enxergar como suas experiências nas cozinhas continuaram influenciando sua visão sobre comida, trabalho e comportamento humano.
"Volta ao mundo: um guia irreverente" apresenta uma faceta diferente de Bourdain. Publicado postumamente em 2021 e escrito em parceria com Laurie Woolever, o livro reúne experiências de suas viagens por diferentes partes do planeta.
A obra passa por destinos como Nova York, Buenos Aires, Paris, Xangai, Tanzânia, Omã e Bornéu. O formato é próximo de um guia de viagens, com recomendações de restaurantes, hospedagens e formas de conhecer cada lugar, acompanhadas por comentários de Bourdain e relatos de pessoas que fizeram parte de sua vida.
Woolever, amiga e colaboradora de longa data do chef, construiu o livro a partir de materiais deixados por Bourdain, incluindo declarações registradas durante suas milhares de horas de viagens para a televisão. O resultado preserva a voz do apresentador, mesmo em uma obra organizada após sua morte.
O capítulo dedicado ao Brasil também merece atenção. Bourdain registra experiências gastronômicas no país e comenta pratos e bebidas que encontrou durante sua passagem por Salvador, incluindo caipirinha, queijo coalho e acarajé.