Eduardo D’Ávila e Filipe Gomes, do Grupo Empório: “A gente já cometeu muitos erros e transformou isso em aprendizado. Isso é o que queremos que o franqueado evite” (Grupo Empório/Divulgação)
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Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 13h53.
O galeto na brasa faz parte da rotina do carioca, mas, fora dos bairros mais tradicionais da capital, o prato ainda enfrenta resistência.
A carne, menor e mais cara que o frango comum, nem sempre é bem compreendida por um público que valoriza a quantidade.
Esse foi um dos primeiros desafios enfrentados pelo Grupo Empório, que surgiu em 2018 no Rio de Janeiro, com o Empório do Galeto. Atualmente, a aposta está no Empório da Brasa, empreendimento que pretende escalar os negócios de uma dupla de sócios no mercado de alimentação.
O grupo nasceu da união improvável entre o ex-jogador de futebol Filipe Gomes, com passagens por Roma e Fiorentina, e o executivo de franquias Eduardo D’Ávila.
Filipe, que passou 11 anos morando fora do Brasil como atleta, voltou ao país já planejando empreender. Já Eduardo, cunhado dele, tinha 20 anos de experiência em redes franqueadas e acabava de encerrar uma operação com uma marca que não decolou.
Da sociedade, nasceram as duas marcas próprias.
Agora, o grupo dá os primeiros passos para um movimento mais ousado: a criação de uma loja-conceito com quase mil metros quadrados na Barra da Tijuca e um projeto de franquia previsto para os próximos anos. O objetivo é chegar a 50 milhões de reais em faturamento em 2026, 10 milhões de reais a mais que o faturado em 2025.
"Vamos construir um espaço com bar secreto, DJ, clube de uísque e vinho, e ainda manter o foco em comida simples e bem feita", afirma Eduardo D’Ávila. "É um negócio dentro do negócio. A experiência tem que ir além do prato", explica o sócio.
O futuro do grupo passa por essa expansão física, mas também por um modelo de franchising que está sendo desenhado.
A empresa ainda não tem uma central de distribuição própria, mas já trabalha em soluções para facilitar a operação de futuros franqueados, como molhos padronizados e cortes de carne pré-porcionados.
A primeira marca do grupo, o Empório do Galeto, nasceu de uma constatação simples: o carioca gosta do galeto, mas o prato precisava de uma nova abordagem.
Em vez de competir por preço, a marca investiu em ambientação e atendimento. O modelo se provou viável: foram abertas oito unidades próprias em bairros tradicionais como Leblon e Botafogo, na cidade do Rio, e na região metropolitana da capital fluminense.
A virada para um modelo mais moderno veio com o Empório da Brasa: criado em plena pandemia e lançado em 2023.
A nova marca mira em um público amplo e aposta em carnes variadas, drinks autorais e ambientações que misturam áreas instagramáveis, espaço kids e até DJs no happy hour.
A segunda loja da Brasa acaba de ser inaugurada no West Shopping, em Campo Grande, zona oeste da capital, após um investimento de 800.000 reais.
“A gente percebeu que o restaurante deixou de ser só lugar para comer. Hoje ele precisa entreter. E o ambiente confortável faz parte disso”, diz Filipe.
A proposta tem atraído famílias, casais e grupos de amigos.
As lojas têm tíquete médio de R$ 70 e programação regular para o público feminino, com eventos como a “Terça delas”. A operação de Niterói do Empório da Brasa, por exemplo, estreou com um bar mais elaborado e uma carta de vinhos e drinks feita sob medida para o novo conceito.
Mesmo com o avanço das marcas, o grupo mantém todas as operações com capital próprio, sem investimento externo.
Para o futuro, o planejamento é estrear no modelo de franquias. “Franquia é um sistema maravilhoso, mas exige responsabilidade. A gente quer que o franqueado ganhe dinheiro, não que tenha mais um problema para resolver”, afirma Eduardo.
Para isso, o grupo prepara uma estrutura robusta de apoio.
A meta é garantir padronização e facilidade operacional para quem entrar no negócio.
“A gente já cometeu muitos erros e transformou isso em aprendizado. Isso é o que queremos que o franqueado evite”, explica o especialista em franquias.
Entre os principais obstáculos que o grupo enfrentou está a instabilidade de preços de insumos, como o filé mignon, e a dificuldade de reter mão de obra qualificada. Hoje, a empresa conta com uma equipe interna dedicada apenas ao treinamento e à gestão de pessoas.
No futuro próximo, a nova ambição dos sócios já tem endereço: a loja-conceito da Barra, com bar secreto e espaço para eventos, é tratada como o projeto piloto de uma nova fase da empresa.
“Queremos entregar um restaurante onde as pessoas se sintam em casa. Que comam bem, relaxem e queiram voltar. Esse é o nosso diferencial”.
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