Negócios

O que uma tecnologia precisa provar antes de chegar à clínica

No CONECTA, 780 profissionais da medicina estética discutiram os critérios que definem a escolha de equipamentos, da evidência científica ao retorno financeiro

Conecta 2026: congresso reuniu médicos para discutir ciência, tecnologia e gestão no mercado de estética (Entera/Divulgação)

Conecta 2026: congresso reuniu médicos para discutir ciência, tecnologia e gestão no mercado de estética (Entera/Divulgação)

Exame Brand Solutions
Exame Brand Solutions

Exame Brand Solutions

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 18h39.

Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 18h45.

Priorizar nos meus resultados Google

Um equipamento pode ser sofisticado, ter bons resultados clínicos e ainda assim não fazer sentido para uma clínica. No mercado de medicina estética, em que novas tecnologias chegam continuamente ao país, a decisão de compra passou a envolver, além da evidência científica, onde aquela solução se encaixa na rotina médica, no perfil dos pacientes e no negócio.

Foi essa discussão que esteve no centro do CONECTA, congresso promovido pela Entera em 22 de agosto, no Grand Hyatt São Paulo. O evento reuniu 780 médicos, além de fabricantes e especialistas, para discutir ciência, protocolos, lançamentos e gestão no mercado de estética.

O movimento acompanha a expansão do setor. Segundo a MarketsandMarkets, o mercado brasileiro de medicina estética movimenta mais de US$ 700 milhões por ano e pode chegar a US$ 1,2 bilhão até 2031. Com mais equipamentos disponíveis e tecnologias cada vez mais próximas entre si, o desafio deixa de ser simplesmente encontrar uma novidade.

A questão é o que essa tecnologia pode mudar, de fato, na prática de uma clínica. Para o cirurgião plástico Daniel Boro, que participou do evento, a resposta passa por uma combinação entre ciência e negócio. “Eu vejo a ciência por trás de um lado e o payback por trás do outro”, afirma. “Não adianta investir muito dinheiro e a tecnologia ficar parada.”

Da Coreia para o consultório

É nesse espaço entre inovação, prática clínica e mercado que atua a Entera. A empresa funciona como uma ponte entre fabricantes internacionais, principalmente coreanos, e médicos brasileiros, mas a relação começa antes de o equipamento chegar ao consultório.

A seleção do portfólio envolve avaliação científica, protocolos de uso, treinamento e potencial de aplicação. A lógica é evitar que uma tecnologia seja incorporada apenas porque é nova.

“Quando coloca uma ferramenta na mão de um médico, que vai entregar aquilo como tratamento para o paciente, a gente é corresponsável por isso”, diz Marília Lima, diretora de Marketing da Entera.

Para Guto Reis, CEO e fundador da empresa, a proximidade entre as tecnologias disponíveis torna essa curadoria ainda mais importante. “O mais importante é identificar tecnologias que sejam realmente relevantes e diferentes e que consigam transformar a prática clínica, sem ser mais do mesmo”, afirma.

A relação também funciona no sentido inverso. A partir do contato com médicos e clínicas brasileiras, a Entera leva aos fabricantes informações sobre demandas, protocolos e dificuldades encontradas no dia a dia.

Um exemplo é o Custom Pack do Liftera, desenvolvido a partir de necessidades observadas no mercado brasileiro e que amplia as possibilidades de uso da plataforma sem exigir a troca do equipamento.

“Não queremos apenas encontrar uma boa tecnologia no mundo e trazê-la para o Brasil. Queremos participar da conversa sobre o que ela pode se tornar”, afirma Reis.

Essa troca esteve presente no próprio CONECTA. Fabricantes internacionais participaram da programação não apenas para apresentar pesquisas e produtos, mas também para ouvir médicos brasileiros sobre pacientes, protocolos e desafios da prática clínica.

Quando a inovação precisa fechar a conta

Uma boa tecnologia, porém, também precisa caber no negócio. Para a Entera, a decisão de investimento passa por uma análise que considera capacidade financeira da clínica, perfil dos pacientes, demanda por tratamentos e possibilidade de geração de receita.

O ponto de partida muda de acordo com o estágio de cada negócio. Uma clínica em expansão pode buscar uma plataforma versátil, capaz de atender diferentes necessidades. Uma operação mais madura pode estar interessada em uma tecnologia que complemente protocolos existentes ou ajude a diferenciar o atendimento.

“É importante o médico saber exatamente o momento da clínica, que tipo de tecnologia pode usar e qual é a melhor maneira de usá-la”, afirma Luis Matias, diretor de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Entera.

Isso muda também a forma como o equipamento é vendido ao paciente. Em vez de depender da procura por uma tecnologia específica, a recomendação deve partir do diagnóstico e do plano de tratamento.

“O grande erro é o médico achar que o paciente vai procurar pela tecnologia”, diz Matias. “O médico tem que entender bem o equipamento e saber colocá-lo dentro do plano de tratamento.”

Guto Reis, CEO e fundador da Entera, durante o CONECTA: “O mais importante é identificar tecnologias que sejam realmente relevantes e diferentes e que consigam transformar a prática clínica, sem ser mais do mesmo” (Entera/Divulgação)

No portfólio da Entera, essa estratégia inclui tecnologias como Liftera, Coolfase e SylfirmX. Durante o CONECTA, a empresa apresentou também o Alltite, tecnologia coreana desenvolvida para direcionar o aquecimento a estruturas relacionadas à sustentação facial, preservando a gordura.

A ideia é que os equipamentos não sejam vistos como soluções isoladas, mas como ferramentas que podem ser combinadas de acordo com o diagnóstico e as necessidades de cada paciente.

O equipamento não termina na compra

A relação entre médico e tecnologia também não termina quando o equipamento chega à clínica. Para a Entera, treinamento, suporte clínico e científico, orientação sobre protocolos e assistência técnica fazem parte da adoção da solução.

Esse acompanhamento ajuda a identificar se o equipamento está sendo efetivamente utilizado, quais tratamentos podem incorporá-lo e quando faz sentido ampliar o portfólio da clínica.

É a partir dessa visão que a empresa trabalha com o conceito de “beleza inteligente”: a tecnologia deixa de ser avaliada apenas por suas especificações ou pelo impacto de um lançamento e passa a ser considerada pelo conjunto formado por resultado clínico, aplicação adequada e sustentabilidade financeira.

Para Boro, é justamente essa capacidade de escolher a ferramenta certa para cada paciente que evita que equipamentos de alto investimento acabem subutilizados.

“Se tenho um leque de tecnologias que me permite, a partir do diagnóstico, escolher a que mais faz sentido para aquele paciente, isso faz com que eu não deixe a tecnologia em desuso”, afirma.

 

Acompanhe tudo sobre:branded-content

Mais de Negócios

Magalu lança programa para acelerar 100 startups no Startup Summit; veja como participar

Habib's entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões

Shopee Trends mostra caminhos para negócios brasileiros crescerem no digital

Na 4ª edição do Asaas Connect, a meta é fazer o empresário sair ‘melhor do que entrou’