Risco de incêndio ameaça transporte de baterias de celular

Trocar a bateria do seu celular pode ficar mais difícil, já que empresas aéreas estão proibindo o transporte de baterias recarregáveis de íon-lítio

Agora vai ficar mais difícil trocar a bateria do seu smartphone.

Por medo de incêndios em cargas, como o que provocou a queda de um avião cargueiro da United Parcel Service Inc. no deserto perto de Dubai, em 2010, pelo menos 18 empresas aéreas proibiram o transporte de baterias recarregáveis de íon-lítio.

Os pilotos estão pressionando para que as células sejam removidas de todos os voos com passageiros enquanto não puderem ser transportadas de forma mais segura.

A remoção das baterias de íon-lítio de algumas partes do mercado internacional de cargas aéreas, avaliado em US$ 6,4 trilhões, pode causar distúrbios nas cadeias de abastecimento de uma tecnologia usada para fazer funcionar produtos que vão de iPhones da Apple Inc. a laptops da Lenovo Group Ltd.

Até 30 por cento das 5,5 bilhões de células fabricadas por ano são transportadas por avião e as proibições às cargas já afetaram o abastecimento de sistemas de baterias para desfibriladores na Austrália e na Nova Zelândia, segundo um grupo que representa as fabricantes de baterias.

“Todos os que transportam baterias de lítio estão afetados por isso”, disse George Kerchner, diretor-executivo da PRBA -- Associação de Baterias Recarregáveis --, por telefone, de Washington. “Isso provoca um impacto em pequenas e grandes empresas”.

Proibições de empresas aéreas

A Emirates, a Cathay Pacific Airways Ltd., a Cargolux Airlines International SA e a Qatar Airways Ltd., quatro das 10 maiores transportadoras de cargas aéreas do mundo, removeram os carregamentos de baterias a granel de todos os seus voos em janeiro, segundo um documento da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês).

A Singapore Airlines Ltd., outra empresa de transporte aéreo de carga do grupo das 10 maiores, não permitirá os carregamentos em seus aviões de passageiros. A Delta Air Lines Inc., a American Airlines Group Inc. e a United Airlines proibiram as baterias em todos os seus voos.

As duas maiores transportadoras aéreas, a UPS e a FedEx Corp., não as removeram, segundo e-mails dos respectivos porta-vozes das empresas, Mike Mangeot e Scott Fiedler. A Tesla Motors Inc. transporta suas baterias de lítio, que têm o tamanho de um colchão e movem seus carros esportivos, em navios, disse uma porta-voz, por e-mail.

Densidade de energia

Angela Lee, porta-voz da Lenovo em Hong Kong, preferiu não comentar. A Apple não respondeu aos e-mails enviados aos seus escritórios na Califórnia e na Austrália e a três mensagens telefônicas deixadas para Fiona Martin e Alex Waldron, porta-vozes em Sydney.

A tecnologia de íon-lítio, desenvolvida comercialmente pela Sony Inc. em 1991, tornou-se a forma mais popular de célula recarregável em 2007 e agora responde por cerca de três quartos das baterias produzidas todos os anos, segundo uma apresentação da PRBA.

A propriedade que torna a tecnologia atrativa para as empresas de eletrônicos -- “uma maior densidade de energia para uma bateria com vida maior em um conjunto mais leve”, segundo um site da Apple -- também aumenta o risco de segurança em caso de inflamação.

‘Risco de segurança’

Em testes de incêndio realizados pela Administração Federal de Aviação dos EUA em 2005 e 2006, baterias como as de laptop se romperam e dentro de 30 segundos começaram a pulverizar um líquido altamente inflamável.

O calor “incendiava, muitas vezes, as células adjacentes”, enquanto outras “explodiam com força”, criando uma bola de fogo e uma pressão explosiva.

Novas regras

As regras relativamente brandas e o grande volume de carregamentos de baterias de lítio as torna únicas entre os produtos perigosos no setor de cargas aéreas, segundo Mark Rogers, diretor do programa de produtos perigosos do maior sindicato mundial de pilotos, a Associação Internacional de Pilotos de Linhas Aéreas.

Essas regras estão mudando. Após reunião em Montreal, no mês passado, a Organização Internacional da Aviação Civil decidiu desenvolver novos padrões para garantir que as células enviadas como cargas a granel fossem transportadas de forma segura.

Aquelas que são embaladas dentro de equipamentos eletrônicos ou em bagagens dos passageiros são consideradas de menor risco e, em grande parte, estão isentas das regras.

Os novos padrões, que poderiam incluir o uso de embalagens que liberam gel ou líquido refrigerante para conter o superaquecimento que pode fazer com que os incêndios se espalhem por todo um carregamento, não deverão ser utilizados nos voos antes de 2017, disse Rogers. 

Os aviões de passageiros deixarão de transportar as células até que isso se concretize, disse ele.

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