Maximiliano Porta e Ronaldo Fernandes: cada fabricante de autopeças tem a sua própria nomenclatura, uma confusão que a Suiv quer organizar (Divulgação/Divulgação)
Publicado em 17 de maio de 2026 às 10h02.
Um mesmo carro pode ter nomes diferentes dependendo da montadora, da tabela Fipe ou do cadastro oficial do governo. Uma única peça pode aparecer com códigos e descrições diferentes em cada fabricante. No meio disso, oficinas compram peças erradas, distribuidores enfrentam devoluções, marketplaces lidam com logística reversa e empresas perdem dinheiro tentando conectar sistemas que não conversam entre si.
Foi tentando resolver esse problema que Maximiliano Porta e Ronaldo Fernandes fundaram a Suiv. A empresa desenvolveu uma arquitetura própria para padronizar dados técnicos automotivos e integrar informações de veículos, peças, revisões, recalls e manutenção em uma única plataforma.
Hoje, atende diferentes atores da cadeia automotiva, como oficinas, locadoras, gestores de frota, distribuidores, marketplaces e fabricantes de peças.
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A Suiv figurou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025 depois de registrar receita operacional líquida de R$ 6 milhões, com crescimento de 29% em relação ao ano anterior. Em 2025, porém, a receita avançou apenas 2%.
Segundo Maximiliano, a desaceleração aconteceu porque a empresa passou a ser vista menos como fornecedora de software e mais como uma infraestrutura estratégica de dados para o mercado automotivo, o que mudou o perfil das negociações.
Contratos que antes seriam fechados em um modelo tradicional de cliente e fornecedor passaram a envolver discussões estratégicas, conselhos administrativos e conversas de longo prazo.
Ainda assim, a expectativa da companhia é voltar a acelerar nos próximos meses. A projeção para 2026 é crescer pelo menos 25%, principalmente por causa do reposicionamento da marca, dos novos produtos ligados à inteligência artificial e do avanço da digitalização da cadeia automotiva brasileira.
Maximiliano é formado em ciências contábeis e possui MBA em gestão estratégica econômica de negócios. Passou por diferentes áreas do setor automotivo, como gestão de frotas, seguros, oficinas e segurança viária.
Ronaldo Fernandes também construiu toda a trajetória nesse mercado e se especializou em arquitetura e processamento de dados automotivos. Os dois se conheceram em relações de cliente e fornecedor. "Nos cruzamos várias vezes ao longo da carreira. A gente brinca que virou amigo por falta de opção", diz Maximiliano.
A ideia da Suiv surgiu há cerca de 11 anos, depois de uma conversa regada a cerveja e das "cicatrizes" acumuladas depois de anos convivendo com os problemas do setor. "Ninguém resolvia a arquitetura de dados.
Cada empresa tinha um banco de dados diferente, nenhum sistema conversava com o outro e o cliente precisava contratar vários fornecedores para conseguir informações básicas", diz Maximiliano, hoje CEO da startup.
Durante cerca de oito meses, os fundadores se dedicaram exclusivamente a desenhar a estrutura da plataforma e estudar formas de transformar centenas de bases incompatíveis em um padrão único. Em vez de atuar apenas em uma etapa da cadeia automotiva, como peças ou revisão, a Suiv decidiu reunir tudo em uma única infraestrutura.
De acordo com dados da Suiv, cerca de 22% das compras digitais de peças automotivas terminam em devolução porque o item enviado não é compatível com o veículo. Ao mesmo tempo, apenas 6% das vendas do setor de autopeças no Brasil acontecem no ambiente digital.
Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, esse percentual supera 25%. Para a empresa, um dos principais gargalos está na falta de padronização das informações técnicas do setor.
"Uma peça pode aparecer como capô, capa de motor ou tampa de motor, dependendo do fabricante. É tudo a mesma coisa, mas cada empresa criou sua própria nomenclatura", comenta. Além disso, o mercado perdeu parte da mão de obra especializada que fazia essas conexões. "Antigamente existia o profissional que sabia exatamente qual peça servia em qual carro. Hoje isso praticamente desapareceu".
Para resolver o problema, a Suiv criou uma camada de padronização sobre esse ecossistema. A partir da placa do veículo, a plataforma identifica automaticamente modelo, versão, geração, histórico técnico, plano de revisão, peças compatíveis, recalls, custo médio de manutenção e equivalência entre componentes originais e aftermarket.
A operação da Suiv é baseada em APIs integradas aos sistemas dos clientes. Quando uma empresa consulta a placa de um veículo, a plataforma devolve uma série de informações estruturadas.
Entre os módulos disponíveis estão ficha cadastral do veículo, plano de revisões, tabela Fipe, ficha técnica, acessórios, recall, IPVA, custo médio de manutenção, cesta básica de peças, catálogo de peças aftermarket, catálogo de montadoras e tabela de tempo de serviços.
A empresa também desenvolveu soluções de inteligência de mercado baseadas em big data automotivo. Entre elas estão indicadores de sinistralidade, geolocalização de frota, análise de reparabilidade, projeção de custos, histórico de manutenção e comparação entre veículos.
A plataforma atende diferentes perfis de clientes. Gestores de frota utilizam os dados para projeção de custos e controle operacional. Distribuidores usam a tecnologia para reduzir devoluções e melhorar estoque.
Marketplaces utilizam as APIs para identificar automaticamente peças compatíveis com o veículo informado pelo consumidor. Oficinas conseguem acessar planos de revisão, especificações técnicas e tempo estimado de serviço. Locadoras, fabricantes de peças, financeiras e empresas de inteligência de mercado também estão entre os públicos atendidos.
A startup possui cerca de 70 clientes diretos, mas o alcance indireto é muito maior. "Temos clientes com mais de 5 mil consumidores na ponta utilizando nossa arquitetura sem necessariamente saber que a Suiv está por trás", diz.
No início da operação, a estratégia da Suiv foi evitar exposição até consolidar a tecnologia e conquistar clientes relevantes. Nos primeiros anos, a companhia concentrou esforços na construção da infraestrutura de dados e na ampliação da base histórica de informações automotivas. Atualmente, conta com dados sistematizados de aproximadamente 90% dos veículos produzidos a partir de 2010.
A atualização acontece diariamente. O maior time da empresa é liderado por Ronaldo, responsável pela área de banco de dados. Cerca de 40 profissionais trabalham exclusivamente na sistematização, validação e organização das informações automotivas.
O negócio tem também Guilherme Battista, sócio e responsável pela área de tecnologia. Ao todo, são 52 funcionários espalhados pelo Brasil e um escritório de apoio em São Paulo.
Depois de quase uma década estruturando sua base de dados, a empresa quer avançar para uma camada mais analítica e voltada à tomada de decisão. A ideia é colocar sobre o histórico acumulado de informações automotivas.
Uma das aplicações em desenvolvimento envolve a análise automática de orçamentos mecânicos. A proposta é que a plataforma consiga avaliar se um orçamento faz sentido, identificar preços fora do padrão e validar tempo estimado de serviço e peças necessárias.
A nova fase da Suiv também trouxe mudanças na estrutura executiva. Há cerca de dois meses, Fernando Camejo passou a integrar o time com a missão de ajudar no reposicionamento estratégico da empresa. Com mais de 20 anos de experiência no mercado de frotas, o executivo afirma que o objetivo é tornar a marca mais visível para o mercado.
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
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