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Como Minotauro quer usar a fama no UFC para entrar na guerra bilionária dos energéticos

O ex-campeão do UFC aposta em produção própria, preço agressivo e fama construída no MMA para escalar sua marca de energético

Minotauro Energy Drink: irmãos Nogueira querem disoutar mercado bilionário de energéticos  (divulgação/Divulgação)

Minotauro Energy Drink: irmãos Nogueira querem disoutar mercado bilionário de energéticos (divulgação/Divulgação)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 17 de maio de 2026 às 13h02.

O mercado de energéticos virou uma das disputas mais agressivas da indústria de bebidas no Brasil. O consumo saiu das baladas, entrou na rotina de treino, estudo e trabalho e abriu espaço para uma nova leva de marcas nacionais disputarem espaço com gigantes globais.

É nesse cenário que Rodrigo Nogueira, o Minotauro, e seu irmão Rógerio Nogueira, o Minotouro, tenta transformar fama em negócio. O ex-campeão do UFC está relançando o Minotauro Energy Drink com uma aposta de 2 milhões de reais, produção própria em São Paulo e um plano de expansão nacional que mira o maior mercado consumidor do país.

A movimentação acontece num momento em que o setor passa por uma reorganização acelerada. Marcas brasileiras ganharam participação de mercado, o preço virou diferencial competitivo e celebridades passaram a funcionar como ativos de distribuição e marketing. Para Minotauro, o projeto nasceu muito antes da explosão atual dos energéticos.

“Eu olhei para a gôndola em 1999 no Japão e estava cheia de produtos de lutadores. Tinha barra de proteína, sucos, tudo. Eu pensei: um dia quero estar na gôndola”, diz Rodrigo Nogueira.

O plano agora é escalar. Hoje, a marca fatura cerca de 2 milhões de reais por mês somando as operações licenciadas. A meta é chegar a 10 milhões de reais mensais com a entrada em São Paulo e a expansão para Minas Gerais.

A marca quer recomeçar maior

O Minotauro Energy Drink está registrado no segmento de bebidas desde 2011. A ideia surgiu depois do fim do contrato dos irmãos Rodrigo e Rogério Nogueira, o Minotouro, com a TNT Energy Drink.

Na época, eles decidiram criar uma marca própria no Rio de Janeiro, operando por meio de licenciamento regional. A operação ganhou escala rapidamente. Em 2015 e 2016, a marca chegou a vender 68 mil pacotes mensais de seis unidades de dois litros nos atacarejos da região metropolitana do Rio.

“Para cada 10 pessoas, uma tomava o nosso energético pelo menos uma vez por mês”, diz Rodrigo.

A operação original terminou em 2020, após o fim da parceria com o fabricante local. Desde então, a marca passou por uma reformulação, com novos parceiros, redesign das embalagens e expansão regional.

Hoje, o modelo funciona em duas frentes. No Sul, a produção é licenciada para a Água da Serra. Em Pernambuco, a operação é conduzida pela Rochedo, com planos de expansão para Maranhão e Norte do país. Já São Paulo será a primeira operação com fabricação e distribuição próprias.

“São Paulo não é para amador. Você precisa investir mais em marketing, estrutura e distribuição. A gente aprendeu isso quando tentou entrar antes, no começo da pandemia”, afirma Rodrigo.

A produção paulista será feita em Leme, no interior do estado, numa fábrica que também produz para outras marcas do setor. A distribuição ficará concentrada em Sorocaba, polo logístico estratégico para atender capital, litoral e interior.

A expectativa inicial é produzir 400 mil litros por mês em São Paulo, cerca de cinco vezes o volume atual da operação fluminense.

O estado concentra aproximadamente um terço do PIB brasileiro e virou peça central para qualquer marca de bebidas que queira ganhar escala nacional.

A empresa já iniciou negociações com redes como Assaí e Roldão e pretende dividir o estado em regiões operadas por distribuidores independentes. O Pão de Açúcar está no radar para uma etapa posterior da expansão.

O preço também faz parte da estratégia. O lançamento será feito abaixo de 10 reais no atacado, numa tentativa de ganhar volume rapidamente.

“A gente aperta a margem ao extremo. Quero quantidade. Foi isso que funcionou no Rio”, diz Rodrigo.

O setor virou uma guerra nacional

O mercado brasileiro de energéticos passou por uma transformação nos últimos anos. A bebida deixou de estar associada apenas à noite e ganhou espaço no consumo diário.

O avanço abriu caminho para marcas nacionais crescerem em cima de preço competitivo e distribuição regional. O principal exemplo é a Baly, que encerrou 2025 na liderança do mercado brasileiro, à frente de gigantes internacionais.

Rodrigo acredita que o crescimento das marcas nacionais mudou a lógica do setor.

“O jovem quer energia, quer performance e quer socializar. O energético ocupou esse espaço”, afirma.

O diferencial do Minotauro Energy Drink, segundo ele, não está necessariamente na fórmula. Está na marca e na capacidade de transformar notoriedade em presença física nos pontos de venda.

A marca anda e assina autógrafo

Rodrigo participa pessoalmente das negociações com supermercados, atacadistas e distribuidores. A fama construída no MMA virou ferramenta comercial.

“O presidente não ia nos atender. Aí eu entrei, o pessoal começou a tirar foto e ele desceu para conversar com a gente”, diz.

Além da carreira nos ringues, Rodrigo acumula mais de 280 palestras corporativas e atua como embaixador do UFC no Brasil. Hoje, ele considera que esse capital de imagem é parte central do modelo de negócios.

“O Minotauro é uma marca viva. A marca fala, anda, tira foto e assina autógrafo”, afirma.

Crescimento via licenciamento

O modelo financeiro da empresa mistura operação própria e licenciamento regional. Nas regiões licenciadas, fabricantes locais produzem e distribuem o energético enquanto a marca recebe royalties sobre as vendas.

Parte desse valor precisa obrigatoriamente ser reinvestida em marketing e ações de degustação nos pontos de venda.

Em São Paulo, porém, o risco será maior. A operação própria exige mais capital, estrutura logística e controle de distribuição.

A empresa aposta que a Copa do Mundo de 2026 pode funcionar como acelerador de consumo durante o lançamento no estado.

Além da expansão física, a marca prepara um canal próprio de vendas online, previsto para junho.

Hoje, a estrutura central da empresa opera com oito pessoas. A meta é chegar a 35 funcionários quando o faturamento atingir os 10 milhões de reais mensais projetados.

O projeto que começou numa gôndola japonesa, em 1999, agora tenta disputar espaço num mercado dominado por gigantes globais e novas marcas brasileiras. O desafio deixou de ser entrar na prateleira. Agora é ganhar escala.

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