Quem é o cardiologista entre os 5 maiores bilionários do país

O cardiologista Jorge Moll fundou o que é hoje a maior rede de hospitais privados do país e tem uma fortuna de R$ 46 bilhões
 (Youtube/Reprodução)
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Mariana DesidérioPublicado em 17/04/2022 às 08:00.

O cardiologista Jorge Moll conseguiu um feito e tanto: ele é o quarto homem mais rico do país com uma fortuna estimada em 9,8 bilhões de dólares (o equivalente a 46 bilhões de reais), segundo a mais recente lista de bilionários da Forbes. O negócio que o levou até lá começou com um centro de medicina diagnóstica no Rio de Janeiro. Hoje é a maior rede privada de hospitais do país, com 64 unidades, a Rede D’Or São Luiz. A companhia tem valor de mercado de 86 bilhões de reais na bolsa brasileira.

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Jorge Moll tornou-se empresário em 1977, ao fundar o CardioLab, um centro de medicina diagnóstica focado em cardiologia, junto com a esposa Alice, também médica. O laboratório cresceu, ampliou o escopo de atuação e abriu unidades pelo Rio de Janeiro.

Os negócios iam bem. No entanto, o empreendedor percebeu que o setor de medicina diagnóstica, apesar de lucrativo, tinha poucas barreiras de entrada para os concorrentes. Os equipamentos eram facilmente financiados pelos fabricantes. Ao mesmo tempo, Moll percebia que a cidade carecia de bons hospitais particulares. A elite carioca muitas vezes optava por ir a São Paulo se tratar em hospitais como o Albert Einstein.

Começou com um hotel

O médico então decidiu apostar alto. Em 1994, comprou metade do Hotel D’Or, em Copacabana, do empresário português Gaspar D’Orey, com a esperança de convencer os outros sócios de que seria uma boa ideia fazer um hospital no local.

O trabalho de convencimento levou três anos. O negócio deu origem ao hospital Copa D’Or, inaugurado no ano 2000. Na mesma época surgiu a oportunidade de abrir outra unidade, dessa vez na Barra da Tijuca.

O segundo empreendimento acabou ficando pronto antes do primeiro e foi inaugurado em 1998 com o nome Barra D’Or. O Quinta D’Or, terceiro hospital da rede, foi aberto em 2001.

Para dar conta dos investimentos, Jorge Moll vendeu imóveis e hipotecou o apartamento onde a família vivia. Endividado, chegou a fazer empréstimos com juros a 45% ao ano para manter o capital de giro das operações.

A empresa passou alguns anos sem construir ou comprar hospitais. Foi um período-chave em que era preciso provar que o negócio se manteria de pé. Depois desse respiro, passou a expandir a atuação no Rio de Janeiro e em outros estados.

Chegou a Pernambuco em 2007, com os hospitais Esperança e São Marcos, e a São Paulo em 2010, com a compra do São Luiz. No mesmo ano, vendeu a divisão de medicina diagnóstica à rede de laboratórios Fleury.

IPO de R$ 11 bilhões

Aos 76 anos, Jorge Moll hoje é presidente do conselho de administração da companhia. Ainda assim, gosta de acompanhar a operação de perto, com visitas periódicas aos hospitais. Também procura se manter atualizado sobre novas tecnologias no setor de saúde.

Dos cinco filhos do empresário, três fazem parte do conselho de administração da Rede D’Or, um preside o conselho do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e uma atua como médica. O caçula, Paulo Moll, é o CEO da Rede D’Or.

Em 2020, a empresa protagonizou um dos maiores IPOs de uma companhia brasileira, movimentando 11,39 bilhões de reais. Desse montante, mais de 8 bilhões de reais foram para construir novos hospitais, expandir unidades existentes e comprar ativos que permitam desenvolver novas linhas de negócios.

10 mil leitos e lucro bilionário

Hoje, a Rede D’Or tem unidades espalhadas por onze estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraíba), mais o Distrito Federal. São 64 hospitais em operação, com mais de 10 mil leitos, além de uma rede de tratamento oncológico, medicina diagnóstica, banco de sangue e consultoria de saúde.

A Rede D’Or terminou 2021 com receita de 22,8 bilhões de reais, um crescimento de 44,5% em relação a 2020, quando chegou a 15,7 bilhões de reais. Já o lucro líquido de 2021 chegou a 1,6 bilhão de reais, um crescimento de 260% em relação ao ano anterior.

Em fevereiro, a empresa anunciou a incorporação da operadora de planos de saúde Sulamérica, uma operação que ainda precisa ser aprovada pelos acionistas das duas companhias.

Bilionários brasileiros

A lista de bilionários da Forbes 2022 tem 62 nomes brasileiros. O primeiro lugar é de Jorge Paulo Lehmann que, segundo a publicação, tem um patrimônio avaliado em R$ 71,6 bilhões (ou US$ 15,4 bilhões). A fortuna dele foi construída principalmente ao longo da carreira como cofundador da empresa de private equity 3G Capital Partners, além de participações na Anheuser-Busch InBev, e na Restaurant Brands International (empresa por trás do Burger King).

Em segundo lugar entre os brasileiros da lista está Eduardo Saverin, brasileiro co-fundador do Facebook, com uma fortuna de 10,6 bilhões de dólares, seguido por Marcel Telles, sócio de Lehmann no 3G Capital e cujo patrimônio é avaliado em 10,3 bilhões de dólares, segundo a revista.

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