Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Existe essa possibilidade, por óbvio, a partir do não-compete com a Vibra, que seria em meados de 29" (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 16 de abril de 2026 às 14h58.
A Petrobras estuda voltar ao mercado de distribuição de combustíveis no Brasil a partir de 2029, movimento que pode marcar uma inflexão na estratégia adotada nos últimos anos, após a venda de ativos como a BR Distribuidora (em 2019 para a Vibra Energia), e da Liquigás, (vendida em 2020 para a Itaúsa, Copagaz e Nacional Gás Butano).
A sinalização foi feita pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em entrevista exclusiva à EXAME, em meio a um cenário de forte instabilidade geopolítica e pressão sobre os preços de combustíveis.
Segundo a presidente, a discussão já segue em reuniões do conselho.
“Há uma determinação do nosso conselho de administração, no último plano estratégico, que avalie a volta da Petrobras para a distribuição”, afirma.
O possível retorno, no entanto, não é imediato. A presidente destacou que qualquer movimento depende do fim do contrato de não concorrência com a Vibra, previsto para meados de 2029.
“Existe essa possibilidade, por óbvio, a partir do não-compete com a Vibra, que seria em meados de 29", diz Chambriard.
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A saída da Petrobras do setor de distribuição, em 2019, é apontada pela própria presidente como um dos fatores que reduziram a capacidade da empresa de influenciar os preços ao consumidor.
Antes da venda da BR Distribuidora, a presidente afirma que a estatal tinha presença direta em cerca de 27% do mercado, o que permitia maior controle sobre a formação de preços na ponta.
“Com 27%, a Petrobras conseguia influenciar o preço final do combustível no mercado de revenda”, afirma Chambriard.
Para a presidente, com essa porcentagem do mercado, não era possível afirmar que a Petrobras tinha um monopólio neste setor. "O downstream brasileiro sempre atuou de forma competitiva e aberta. A Shell, por exemplo, está no Brasil há 100 anos. Então, a gente olha para esse mercado e a gente não pode dizer que esse mercado é monopolista. Na verdade, ele já era multi-empresas, com Texaco, Shell, Esso, antes mesmo da Petrobras existir. E com a criação da Petrobras, a ação dessas empresas persistiu no Brasil", diz Chambriard.
Hoje, apesar de continuar responsável pela maior parte da produção e refino, incluindo cerca de 70% do diesel consumido no país, a companhia não atua mais diretamente na etapa final da cadeia.
"O consumidor precisa saber que a BR Pertrobras não é da Petrobras", diz presidente.
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Chambriard também fez uma crítica direta ao processo de desverticalização da companhia, que envolveu a venda de refinarias, gasodutos e distribuidoras nos últimos anos.
Segundo ela, a promessa de que essas medidas reduziriam os preços ao consumidor não se concretizou.
“Essas vendas tinham a premissa de baratear o produto para o consumidor final e, anos depois, a gente vê que o que aconteceu foi o exato oposto: um ônus exacerbado para a sociedade”, diz. “Parece que o consumidor comprou gato por lebre.”
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Mesmo antes de uma eventual volta formal à distribuição, a Petrobras já começou a atuar de forma mais direta na venda de combustíveis para grandes clientes.
“O que hoje a gente já começa a fazer é venda de diesel para os grandes consumidores”, afirma.
Segundo a presidente, a estatal já firmou parcerias, como com a Vale, e tem como foco ampliar esse modelo especialmente no agronegócio, setor crítico em períodos de safra.
“Temos como alvo o agro brasileiro, principalmente em época de safra, porque em época de safra não pode faltar diesel.”
A discussão sobre voltar à distribuição ocorre em um contexto global mais instável, marcado por conflitos geopolíticos e maior sensibilidade no mercado de energia.
A decisão final, no entanto, ainda depende de estudos internos e das condições de mercado, e só deve ganhar forma concreta a partir do fim das restrições contratuais, no fim da década.
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