Pesquisa do LinkedIn: 43% dos profissionais de PMEs no Brasil já usam IA, índice acima da média mundial
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 11h56.
As pequenas e médias empresas brasileiras estão entre as que mais adotam inteligência artificial no mundo.
Segundo dados do novo relatório global do LinkedIn, 85% dos profissionais de pequenas e médias empresas no Brasil afirmam que a tecnologia vai melhorar seu dia a dia de trabalho, refletindo otimismo.
Além disso, 43% já utilizam IA para tarefas mais avançadas, como estratégia e análise de dados — um ritmo de adoção mais rápido do que o da média global.
Além disso, há um sentimento crescente de que a tecnologia esteja contribuindo para abrir novas portas: 67% dos profissionais brasileiros de PMEs dizem que a IA os fez considerar caminhos como o empreendedorismo, algo que também aparece em mercados globais, especialmente entre jovens empreendedores.
O levantamento faz parte do SMBs Work Change Report, pesquisa feita com líderes de PMEs em vários países, incluindo o Brasil.
O relatório mostra que a inteligência artificial vem ganhando espaço no cotidiano dos pequenos negócios e já é considerada por muitos como um fator que permite competir em pé de igualdade com empresas maiores.
"A inteligência artificial está redefinindo a forma como as PMEs operam, tomam decisões e crescem, mas nosso estudo mostra que tecnologia sozinha não sustenta crescimento", diz Milton Beck, diretor geral do LinkedIn para a América Latina.
"Confiança, reputação e conexões humanas continuam sendo os pilares que transformam inovação em resultado de longo prazo."
O estudo destaca que a IA deixou de ser uma promessa de longo prazo e passou a integrar a operação.
Mais de 60% dos líderes de PMEs entrevistados afirmam que hoje é mais fácil abrir e administrar um negócio graças à IA.
Entre os usos mais comuns estão a automação de tarefas rotineiras, criação de conteúdo, triagem de currículos e análise de dados.
No Brasil, o uso da tecnologia também tem sido um fator de estímulo ao empreendedorismo: 67% dos profissionais afirmam que o contato com a IA os levou a considerar abrir um negócio próprio.
Esse movimento já aparece nos dados da própria rede social. O número de profissionais brasileiros com o título de “founder” no perfil cresceu 64% no último ano — quase três vezes mais que em 2022.
Segundo o relatório, o uso estratégico da IA pode gerar ganhos concretos de produtividade e impacto financeiro.
A estimativa é que pequenas e médias empresas possam capturar até 30% do valor econômico gerado pela IA generativa no mundo, tecnologia que deve destravar trilhões em valor nos próximos anos.
Além da tecnologia, a pesquisa mapeia dois outros pilares considerados fundamentais para que as PMEs cresçam até 2026: a construção de credibilidade de marca e o fortalecimento de redes profissionais.
Juntas, essas três frentes — IA, marca e networking — formam o que o estudo chama de novo “plano de crescimento” para pequenas empresas.
No campo da marca, o relatório aponta que a confiança passou a ser um ativo mais importante do que o conteúdo em si.
No Brasil, 72% dos profissionais de marketing de pequenas e médias empresas dizem que o fator humano é essencial para gerar credibilidade na comunicação.
Clientes e parceiros aparecem como as vozes mais confiáveis (72%), seguidos por criadores e influenciadores (61%).
O vídeo curto também ganhou espaço como principal formato para transmitir confiança e engajar o público.
Globalmente, 79% dos profissionais de marketing consideram o vídeo a linguagem mais eficaz para se comunicar na internet.
Outro dado em destaque é que 61% dos donos de pequenas empresas passaram a criar conteúdo com frequência, usando sua própria imagem como forma de fortalecer a reputação da marca.
A humanização, segundo o relatório, é hoje um diferencial de visibilidade e conexão.
O estudo também destaca a importância crescente das redes profissionais como uma ferramenta de decisão.
Globalmente, 78% dos líderes de PMEs dizem que construir uma rede sólida é essencial para crescer.
No Brasil, profissionais relatam que combinam a ajuda da IA com o apoio de suas redes de contato para tomar decisões mais rápidas e seguras.
Segundo o levantamento, as redes funcionam como uma espécie de "departamento de inteligência" informal. São usadas para validação de ideias, busca de clientes e troca de experiências.
Em média, líderes de PMEs em mercados como os Estados Unidos estão expandindo suas redes a uma taxa de 17% ao ano — mais rápido do que em grandes empresas, que crescem 10% no mesmo período.
O estudo também abordou a combinação entre habilidades técnicas e humanas como base para o sucesso até 2026.
Globalmente, 75% das empresas afirmam que soft skills como comunicação, pensamento criativo e colaboração são ainda mais importantes na era da IA.
No Brasil, os profissionais buscam esse tipo de qualificação principalmente por tutoriais online, troca com especialistas e projetos práticos.
A pesquisa conclui que o crescimento sustentável das PMEs nos próximos anos não virá apenas da adoção de novas ferramentas, mas da forma como as empresas usam a IA para liberar tempo, fortalecer relacionamentos e criar uma reputação confiável no mercado.
A combinação entre tecnologia, redes humanas e presença ativa na comunicação aparece como o principal diferencial competitivo para pequenas empresas no cenário até 2026.