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Dona do famoso ‘potão’ e fenômeno no exterior, mineira Skala investe R$ 150 milhões em nova fábrica

Presente em 87 países, marca de produtos para cabelo quer elevar a participação do mercado externo de quase 25% para 40% do faturamento

Luis Delfim, CEO do Grupo Bora Brasil: "Num primeiro momento, esse investimento vai aumentar em mais de 60% a capacidade” (Skala Cosméticos/Divulgação)

Luis Delfim, CEO do Grupo Bora Brasil: "Num primeiro momento, esse investimento vai aumentar em mais de 60% a capacidade” (Skala Cosméticos/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 13h28.

Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 15h06.

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RESUMO | A Skala vai investir R$ 150 milhões em uma nova fábrica em Uberaba (MG), com conclusão prevista para 2028 e aumento inicial superior a 60% na capacidade produtiva. A unidade apoiará a entrada em novas categorias e a expansão internacional da marca, hoje presente em 87 países. O exterior já responde por quase 25% do faturamento.


Um pote de creme de 1 quilo ajudou a levar a Skala, marca mineira de produtos para os cabelos, muito além das prateleiras brasileiras.

Nos Estados Unidos, o “potão” ganhou projeção nas redes sociais depois de aparecer em vídeos de consumidoras e influenciadoras. O tamanho da embalagem, a proposta de uso 2 em 1 e o preço fizeram o produto chamar atenção de um público que até então conhecia pouco a marca brasileira.

Agora, aos 40 anos, a Skala prepara uma expansão de outra escala.

A empresa vai investir 150 milhões de reais em uma nova fábrica em Uberaba, Minas Gerais, cidade onde nasceu em 1986. A unidade deve ficar pronta em 2028 e, em sua primeira fase, aumentar em mais de 60% a capacidade produtiva da companhia.

O investimento chega depois de alguns anos de avanço acelerado.

Quando o fundo Advent assumiu o controle da Skala, em 2024, a marca estava presente em cerca de 35 países. Hoje, são 87.

Segundo a companhia, o faturamento internacional quadruplicou no período. Hoje, está em praticamente todas as gigantes do varejo norte-americano, por exemplo.

Ao mesmo tempo, a Skala passou a lançar produtos para outras etapas da rotina capilar, tentando ocupar espaços além do creme de tratamento que a tornou conhecida.

“A gente viu que precisava fazer uma nova fábrica e aumentar a capacidade. Num primeiro momento, esse investimento vai aumentar em mais de 60% a capacidade”, diz Luis Delfim, CEO do Grupo Bora Brasil, dono da Skala Brasil e da Lola From Rio.

O próximo passo é fazer essa estrutura acompanhar uma empresa maior. O mercado internacional já responde por quase 25% do faturamento da companhia, e a meta é chegar a 40% nos próximos anos. No Brasil, a Skala prevê manter crescimento de dois dígitos pelos próximos cinco anos.

Qual é a intenção com a nova fábrica

A Skala já produz em Uberaba, mas a fábrica atual carrega a própria história da companhia. Ela foi sendo ampliada conforme a empresa crescia ao longo das últimas quatro décadas. Funcionou para levar a marca a praticamente todo o varejo brasileiro, mas passou a limitar uma estratégia que agora envolve mais produtos e mais mercados.

Hoje, a Skala está em 54% dos lares brasileiros e é conhecida por 97% das consumidoras, segundo dados apresentados pela companhia. A marca também lidera o mercado brasileiro de cuidados para os cabelos em volume, com participação de 16,7% em litros.

A nova planta foi pensada desde o início para uma operação maior. Além do aumento da produção, o projeto terá mais automação e uma organização de linhas e movimentação de mercadorias desenhada para a nova escala do negócio.

Mas talvez a mudança mais importante esteja no que poderá sair dessas linhas.

Durante muitos anos, falar em Skala significava falar principalmente em creme de tratamento. A empresa agora quer participar de uma fatia maior da rotina de quem compra a marca. Isso exige máquinas e linhas que a planta atual não tem.

“Alguns dos produtos que nós temos feito de inovação na marca Skala hoje estamos produzindo no Rio de Janeiro, na fábrica que produz Lola, porque a gente não tem capacidade na fábrica atual”, afirma Delfim.

A nova unidade permitirá trazer essas categorias para dentro da estrutura industrial da Skala em Uberaba. “A fábrica vai permitir a gente entrar em novas categorias de produto, aumentando essa capacidade não só em quantidade, mas também com novas linhas de produção”, diz Delfim.

Como a Skala virou um gigante

A força da Skala está em um produto fácil de reconhecer na prateleira. O creme de tratamento em embalagem de 1 quilo se tornou uma espécie de assinatura da companhia. A marca foi uma das pioneiras nesse formato no Brasil e, com o tempo, transformou o pote grande em um produto de massa.

Foi também esse produto que ajudou a Skala a ganhar novos consumidores fora do país.

Nos Estados Unidos, o potão encontrou nas redes sociais uma vitrine que a companhia ainda não tinha. Vídeos de consumidoras apresentando o produto fizeram a marca circular entre públicos interessados principalmente em cuidados com cabelos cacheados e crespos.

A descoberta digital encontrou uma empresa que já exportava, mas ainda tinha uma presença internacional bem menor do que a atual.

Desde então, a operação mudou. A Skala abriu uma empresa própria nos Estados Unidos e montou um centro de distribuição em Dallas, no Texas. A partir dali, passou a abastecer diretamente varejistas como Walmart, Target e CVS, além da Amazon. Hoje, segundo dados apresentados pela companhia, a Skala é a quinta maior marca de tratamento capilar no mercado americano.

Quais são os próximos passos

A aposta no potão trouxe a Skala até aqui, mas agora ela olha para novos momentos de consumo para seguir crescendo. Shampoo e condicionador continuam presentes, mas categorias como máscaras, óleos, gelatinas e outros finalizadores ganharam espaço no banheiro, e na visão da empresa.

“Quanto mais a mulher conhece o seu cabelo, quanto mais ela conhece o que a indústria tem para oferecer, ela vai aumentando o número de passos. Ela vai entendendo o benefício de cada etapa dessa rotina”, diz Delfim.

Nos últimos anos, a empresa reformulou sua linha de shampoos e passou a investir em categorias nas quais tinha pouca ou nenhuma participação.

Em 2025, lançou óleos capilares. Neste ano, colocou no mercado novas máscaras para hidratação, nutrição e reconstrução, as três etapas do chamado cronograma capilar, rotina que intercala diferentes tipos de tratamento para os fios. Também entrou em gelatinas e outros produtos de finalização.

“Ela pode usar a Skala em várias etapas. Ela não precisa migrar para um concorrente, para uma outra marca, para aquela etapa da rotina”, afirma Delfim.

A estratégia começa a aparecer nas vendas. Segundo a empresa, os produtos que complementam o tradicional potão crescem mais de 30% em relação ao ano anterior.

Existe também um público grande ainda pouco atendido nessas categorias. Entre consumidoras das classes D e E, a penetração de produtos como óleos e máscaras é de 10 a 20 pontos menor do que nas classes de renda mais alta, segundo dados apresentados pela Skala.

Para a companhia, isso representa espaço para repetir em novas categorias uma fórmula que já conhece, produtos de cuidado capilar vendidos em larga escala e com preços acessíveis.

Como é o plano de expansão para fora do Brasil

A outra grande avenida está fora do Brasil.

Quando a Advent comprou a Skala, em março de 2024, a empresa exportava para cerca de 35 países. Hoje são 87. A pentração mais do que dobrou, e o faturamento internacional quadruplicou no período, segundo o executivo.

Essa velocidade explica parte do tamanho da nova fábrica.

No Brasil, a Skala já tem uma distribuição difícil de ampliar na mesma proporção. A marca está presente em pontos de venda que representam mais de 70% das vendas da categoria e chega de pequenos mercados e farmácias a grandes redes nacionais.

No exterior, o terreno é diferente. Os Estados Unidos são uma das peças desse plano, mas não a única. A Skala já está presente em todos os continentes e tenta usar uma característica brasileira como argumento para entrar em novos mercados: a experiência com diferentes tipos e curvaturas de cabelo.

“O Brasil, além de origem, é referência de beleza, de uma beleza muito diversa. Há 40 anos, vivemos e conhecemos essa diversidade. Isso nos dá uma expertise muito grande não só sobre diversidade capilar, mas sobre a rotina real da beleza brasileira”, afirma Delfim.

Essa estratégia internacional também ajuda a explicar outra mudança que começa agora. A marca Skala virou Skala Brasil. A companhia refez identidade visual, reorganizou linhas de produtos e mudou parte de sua comunicação.

“A gente descobriu, fazendo pesquisa com o consumidor, que muitas consumidoras não sabiam que Skala era uma marca brasileira. Achavam que era até uma marca de fora do Brasil”, diz Delfim.

A empresa decidiu, então, tornar a origem mais evidente. A ideia é usar a experiência acumulada no mercado brasileiro (onde convivem diferentes tipos, texturas e curvaturas de cabelo) como parte da apresentação da marca em outros países.

O reposicionamento ocorreu em etapas. Primeiro vieram novos produtos. Depois, as mudanças de embalagem e a assinatura Skala Brasil. Agora começa uma campanha de comunicação voltada a reforçar essa identidade.

Skala e Lola fazem parte do grupo Bora Brasil

Enquanto a Skala ganha uma nova fábrica e um novo nome, a empresa que está por trás da marca também mudou.

Em 2025, a Lola From Rio passou a fazer parte da mesma operação. Neste ano, as duas marcas foram reunidas no Grupo Bora Brasil.

A combinação coloca debaixo da mesma estrutura negócios com perfis diferentes.

A Skala tem uma presença grande no varejo alimentar, farmácias e lojas de bairro, além de uma proposta de preços mais baixos. A Lola atua em uma faixa mais alta de preço e tem mais força em canais especializados e digitais. Segundo Delfim, a marca é hoje uma das maiores operações de cosméticos da Amazon no Brasil.

Juntas, as duas formam o quarto maior grupo em valor no mercado brasileiro de cuidados para os cabelos, segundo a companhia, atrás de três multinacionais. Em volume, o Grupo Bora Brasil afirma ocupar a primeira posição. O grupo registra faturamento bruto de 2 bilhões de reais e tem cerca de 2.000 funcionários.

A nova fábrica em Uberaba é, portanto, mais do que uma obra para produzir mais potões. Ela é uma aposta de que a Skala conseguirá fazer três movimentos ao mesmo tempo: vender mais produtos para a mesma consumidora brasileira, chegar a mais clientes fora do país e transformar uma marca conhecida por um pote de 1 quilo em uma linha completa de cuidados para os cabelos.

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Quanto a Skala vai investir na nova fábrica?

A Skala vai investir R$ 150 milhões na construção de uma nova fábrica em Uberaba, cidade mineira onde a marca nasceu em 1986. A unidade deve ficar pronta em 2028 e elevar em mais de 60% a capacidade produtiva na primeira fase, segundo Luis Delfim, CEO do Grupo Bora Brasil.

Por que a Skala decidiu construir uma nova fábrica?

A Skala decidiu construir uma nova fábrica porque a unidade atual passou a limitar a expansão para mais produtos e mercados. Segundo Luis Delfim, algumas inovações da marca precisam ser fabricadas no Rio de Janeiro porque a planta atual de Uberaba não tem capacidade para produzi-las.

Quais produtos serão fabricados na nova unidade da Skala?

A nova fábrica permitirá à Skala ampliar a produção e incorporar novas categorias de cuidados capilares. A empresa vem avançando além do tradicional creme de tratamento de 1 quilo, com óleos, máscaras de hidratação, nutrição e reconstrução, gelatinas e outros finalizadores.

Em quantos países a Skala está presente?

A Skala está presente em 87 países, ante cerca de 35 quando o fundo Advent assumiu o controle da empresa, em 2024. Segundo a companhia, o faturamento internacional quadruplicou no período e hoje representa quase 25% da receita, com meta de alcançar 40% nos próximos anos.

Qual é a participação da Skala no mercado brasileiro?

A Skala está presente em 54% dos lares brasileiros e é conhecida por 97% das consumidoras, segundo dados apresentados pela companhia. A marca afirma liderar o mercado nacional de cuidados para os cabelos em volume, com participação de 16,7% em litros.

O que é o Grupo Bora Brasil?

O Grupo Bora Brasil reúne a Skala Brasil e a Lola From Rio, marcas com diferentes faixas de preço e canais de venda. Segundo a companhia, o grupo fatura R$ 2 bilhões, emprega cerca de 2.000 pessoas e ocupa a quarta posição em valor e a liderança em volume no mercado brasileiro de cuidados capilares.

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